A compositora e performer Marcela Lucatelli lançou o álbum “Coisa Má”, marcando uma nova etapa de sua trajetória artística. Com produção assinada pela própria artista, o disco reúne colaborações de nomes como Kiko Dinucci, Romulo Fróes, Cadu Tenório e Lello Bezerra, além de músicos brasileiros e europeus. A obra, concebida integralmente em português, propõe a fusão entre pop, experimentação sonora e elementos ritualísticos, refletindo sobre temas como identidade, desejo e transformações emocionais.
O lançamento de “Coisa Má” representa uma guinada estética na carreira de Lucatelli, após duas décadas dedicadas à música de vanguarda na Europa. O projeto combina batidas eletrônicas, vocais múltiplos e arranjos colaborativos, propondo uma nova abordagem musical que transita entre o popular e o experimental. De forma inédita, Lucatelli assume integralmente a produção do disco, destacando a importância da autonomia feminina na indústria musical.
“Assinar a produção foi uma decisão importante. Ainda é raro ver mulheres com protagonismo nesse papel, especialmente nos espaços em que circulo”, afirma Lucatelli.
A decisão de compor em português surgiu de um processo pessoal de reconexão linguística. A partir de um sonho, a artista procurou Romulo Fróes, com quem divide a autoria de três faixas. A canção “Chimpanzés”, interpretada por ambos, apresenta crítica à alienação urbana. Já “À Brasileira” analisa tensões sociais relacionadas ao poder e à identidade. A faixa “Janeiro Junto é Bom”, por sua vez, mescla funk mandelão e sintetizadores, inaugurando uma trilogia audiovisual dirigida por Lucatelli.
Gravado com direção de fotografia de Mariana Maria, iluminação de Charly Ho e beleza de Alma Negrot, o clipe de estreia aborda o preparo de uma poção ritualística que se estende visualmente nas faixas subsequentes “Anticivilizador” e “Coisa Má”. A série de vídeos reflete os temas centrais do álbum: transmutação, ciclos afetivos e desejo como força criativa e política.
A proposta estética e narrativa de “Coisa Má” busca romper dicotomias entre mercado e vanguarda, alternativo e comercial, defendendo um fazer musical que articula instinto, forma e experimentação. O álbum foi mixado por Gustavo Lenza, masterizado por Felipe Tichauer e lançado de forma independente, com apoio do selo escandinavo Abstract Tits.
Além das colaborações destacadas, o disco é composto por onze faixas que exploram diferentes abordagens sonoras e temáticas. Entre elas:
-
“Anticivilizador”, que problematiza normas sociais e resistências subjetivas;
-
“Tarde à Toa”, com ênfase em contemplação e busca interior;
-
“Enchente”, sobre fragilidade comunicacional e transformação;
-
“Terra à Vista”, que aborda transições e perdas existenciais;
-
“Quebradeira”, com referências ao sincretismo e à cultura popular;
-
“Convites Espalhados”, marcada por espiritualidade e rituais;
-
“Nada Nunca Só Nós”, que reflete sobre incertezas nas relações.
Com linguagem híbrida, “Coisa Má” reúne crítica social, introspecção e elementos místicos, projetando a obra para além de uma experiência sonora convencional. A artista reforça, com este projeto, sua intenção de contribuir para uma prática musical que dialoga com diferentes dimensões da realidade contemporânea.
Share this:
- Print (Opens in new window) Print
- Email a link to a friend (Opens in new window) Email
- Share on X (Opens in new window) X
- Share on Facebook (Opens in new window) Facebook
- Share on LinkedIn (Opens in new window) LinkedIn
- Share on WhatsApp (Opens in new window) WhatsApp
- Share on Telegram (Opens in new window) Telegram


Deixe um comentário