O cantor e compositor Gustavo Ortiz lançou o álbum “Arrasto”, seu primeiro trabalho de longa duração, com 12 faixas, sendo 11 autorais e uma regravação. O disco foi lançado pelo selo TRUQ e dá continuidade ao percurso iniciado com o EP “Desafogo” (2025), ampliando a proposta artística do músico.
O projeto apresenta um conjunto de canções construídas ao longo de cerca de 15 anos e organizadas a partir de um conceito central. O título “Arrasto” reúne múltiplos significados e funciona como metáfora das forças sociais, emocionais e materiais que impactam o cotidiano, especialmente no contexto da classe trabalhadora.
Mesmo sem aparecer diretamente nas letras, o conceito orienta o disco ao abordar temas como trabalho, relações afetivas, espiritualidade, luto e resistência coletiva, estruturando a narrativa musical ao longo das faixas.
Direção artística e construção conceitual do álbum
A direção artística do álbum é assinada por Romulo Fróes, que colaborou na organização das músicas a partir de um recorte temático. O processo não seguiu ordem cronológica, priorizando a construção de um conjunto coeso com unidade estética e narrativa.
Entre as faixas, “Sangue Lunar” abre o disco com abordagem voltada ao amor e à experiência sensorial. Já “Antena Atenta” dialoga com reflexões do pensador indígena Ailton Krenak, trazendo elementos sobre enfrentamento e adaptação às adversidades.
A regravação de “Afoxé do Nego Véio”, composição de Naná Vasconcelos, insere no álbum uma dimensão de corpo, cultura e resistência, conectando a obra a tradições musicais brasileiras.
Temas sociais e experiências pessoais estruturam repertório
As músicas de “Arrasto” abordam diferentes dimensões da experiência humana. Faixas como “Peixe Pescado” e “Cícera” tratam de trabalho, racismo estrutural e criação coletiva, enquanto outras, como “Dia de Morrer na Praia” e “Quando Já Era Saudade”, exploram luto, perda e transformação individual.
O encerramento do disco apresenta uma construção sonora voltada à ideia de resistência coletiva, reforçando o conceito central do álbum e sua abordagem temática.
A proposta artística busca articular vivências pessoais com questões sociais mais amplas, utilizando a música como ferramenta de reflexão e expressão.
Produção musical reúne banda base e participações
A sonoridade do álbum é construída a partir de uma banda base formada por Marcelo Cabral (baixo), Biel Basile (bateria) e Rodrigo Campos (guitarras, cavaco e percussões), presentes em nove das doze faixas.
O trabalho também conta com participações de Romulo Fróes nos vocais, além de Thiago França, responsável por instrumentos de sopro e arranjos de metais, e outros músicos convidados.
A inclusão de baixo e bateria em relação ao EP anterior amplia o campo rítmico e harmônico, contribuindo para a estrutura musical do disco.
Financiamento público e trajetória do artista
O álbum “Arrasto” foi viabilizado por meio do Edital Fomento CultSP PNAB Nº 24/2024, voltado à gravação e lançamento de obras musicais inéditas. O financiamento permitiu uma produção com estrutura técnica ampliada e remuneração dos profissionais envolvidos.
O projeto evidencia o papel das políticas públicas no setor cultural, especialmente no apoio a produções independentes.
Além de músico, Gustavo Ortiz é antropólogo e desenvolve pesquisas em Ciências Sociais, com atuação junto a povos indígenas. Essas experiências influenciam diretamente sua produção artística, refletidas nas composições do álbum.


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