Casais homoafetivos femininos recorrem ao método ROPA para maternidade biologicamente compartilhada

A maternidade compartilhada entre mulheres em uniões homoafetivas tem ganhado espaço com o avanço das técnicas de reprodução assistida. Entre essas possibilidades está o método ROPA (Recepção de Ovócitos da Parceira), que permite que ambas as mulheres estejam biologicamente envolvidas no processo de gestação, reforçando a legitimidade das estruturas familiares diversas.

Técnica permite compartilhamento biológico da gestação

O método ROPA, também conhecido como fertilização in vitro (FIV) compartilhada, consiste na utilização dos óvulos de uma das parceiras para a formação do embrião, que será implantado no útero da outra parceira, responsável pela gestação. Dessa forma, uma mulher atua como mãe genética, enquanto a outra desempenha o papel de mãe gestacional.

Segundo a médica especialista em Reprodução Humana, Dra. Wendy Delmondes, essa abordagem representa um avanço em termos de inclusão e respeito à autonomia das pacientes. “Uma das parceiras é submetida à estimulação ovariana e coleta de óvulos, enquanto a outra realiza a gestação, promovendo o envolvimento físico e emocional de ambas na maternidade”, afirma.

Aspectos éticos e autonomia das pacientes

A Dra. Delmondes destaca que o método está fundamentado no princípio da autonomia das mulheres na escolha de suas funções no processo reprodutivo. “Cada parceira pode decidir qual papel deseja assumir, considerando suas condições de saúde, desejos e possibilidades emocionais. A técnica permite um planejamento reprodutivo em comum acordo, com base em critérios técnicos e individuais”, explica.

Além de promover a equidade na experiência reprodutiva, o método ROPA também demanda o consentimento formal do casal e acompanhamento médico especializado, envolvendo uma equipe multidisciplinar para garantir segurança e acolhimento durante todas as etapas.

Legislação e acesso ao tratamento no Brasil

Embora o Conselho Federal de Medicina (CFM) regulamente a reprodução assistida no país, a aplicação do método ROPA ainda exige interpretação jurídica sobre o conceito de doação compartilhada entre cônjuges. Em geral, clínicas especializadas realizam o procedimento com base no entendimento da legislação atual e mediante autorização documental expressa do casal.

No Brasil, a crescente busca por modelos reprodutivos alternativos entre casais homoafetivos femininos tem incentivado a ampliação do debate público sobre o direito à maternidade plena, independente da configuração familiar. O reconhecimento do vínculo legal e afetivo de ambas as mães também encontra respaldo nas decisões judiciais e normativas de registro civil.


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