O documentário ” O que se vende , o que se come “ , lançado pelo– O documentário “O que se vende, o que se come” , lançado pelo Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) , aborda os impactos dos alimentos ultraprocessados na saúde e as estratégias de marketing utilizadas para estimular o consumo. Disponível no YouTube do Idec , o filme reúne especialistas de diversas áreas para discutir os desafios da regulação da publicidade desses segmentos no Brasil.
Publicidade e indução ao consumo
O documentário alerta sobre estratégias de marketing que destacam ingredientes naturais , como frutas, leite e mel, mesmo quando esses itens não estão presentes na composição do produto. A nutricionista Laís Amaral , coordenadora do programa de Alimentação Saudável e Sustentável do Idec, explica que essa prática pode levar os consumidores a erros de percepção. “Muitas vezes, o ingrediente citado na embalagem não está presente no produto, sendo um ‘ingrediente fantasma’” , destaca.
O filme também analisa o uso de aromatizantes, corantes e edulcorantes , que tornam os produtos mais palatáveis e estimulam o consumo excessivo. A nutricionista e professora da Universidade de São Paulo (USP) , Ana Paula Bortoletto , afirma que “os ultraprocessados são formulados para criar dependência e aumentar o consumo” , o que pode comprometer hábitos alimentares saudáveis.
Riscos para a saúde e faturamento da indústria
Estudos apresentados no documentário mostram que o consumo frequente de ultraprocessados está associado ao desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis , como diabetes e doenças cardiovasculares . Apesar dos impactos negativos, o setor mantém um faturamento elevado, com receita anual superior a R$ 1 trilhão no Brasil .
Entre os especialistas entrevistados no documentário estão Adalberto Pasqualotto , advogado e ex-professor da PUC-RS ; Ana Olmos , psicanalista; Isabela Henriques , diretora executiva do Instituto Alana ; Jaime Delgado , autor da Lei Peruana de Alimentação Saudável ; e pesquisadores do próprio Idec , como Igor Britto e Mariana Ribeiro .
Políticas públicas e regulação da publicidade
Desde 2022 , a legislação brasileira exige que os produtos ultraprocessados tragam selo de advertência nas embalagens, informando altos teores de açúcar, gordura saturada e sódio . No entanto, os especialistas defendem a ampliação da regulação para evitar práticas publicitárias enganosas.
O diretor-executivo do Idec , Igor Britto , alerta para a influência da indústria no debate regulatório. “Há forte pressão para evitar que o Brasil adote regras semelhantes às de outros países da América Latina, onde há leis mais rígidas para publicidade e rotulagem” , afirma.
Laís Amaral reforça que a publicidade pode induzir escolhas equivocadas. “Muitas campanhas promovem produtos ultraprocessados como opções saudáveis, o que pode confundir o consumidor. A regulação deve garantir informações claras e acessíveis” , argumenta.
Exposição e acesso ao documentário
O Idec incentiva a exibição do documentário em escolas, universidades e espaços educativos. Os interessados podem entrar em contato pelo e-mail coletivo@coletivobodoque.com.br para obter acesso ao filme com recursos de acessibilidade.
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