O Seminário Alusivo ao Dia Nacional de Enfrentamento ao HTLV teve início na quarta-feira (19/03/2025) e será encerrado na tarde desta quinta-feira (20/03/2025), em Salvador. O evento é promovido pelo Ministério da Saúde, em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde da Bahia (SES/BA), a Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) na Bahia. A data, celebrada anualmente em 23 de março, busca ampliar a visibilidade do HTLV, fomentar a prevenção e garantir o cuidado integral das pessoas que vivem com o vírus.
O encontro ocorre no auditório da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, no Cabula, e conta com a participação de mais de 180 representantes de órgãos de saúde dos 27 estados do Brasil. Interessados no tema podem acompanhar o evento online por meio da plataforma webinar.
Políticas públicas e estratégias de combate ao HTLV
O seminário foi organizado pelo Ministério da Saúde, por meio da Coordenação-Geral de Vigilância das Infecções Sexualmente Transmissíveis do Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (Cgist/Dathi/SVSA/MS). O objetivo é debater a fortalecimento das políticas públicas e aprimorar estratégias de resposta à infecção pelo HTLV.
Durante os dois dias de evento, pesquisadores, profissionais de saúde e representantes de secretarias estaduais discutem temas como avanços no diagnóstico e tratamento, prevenção da transmissão vertical e impacto do HTLV no Brasil e no mundo.
Segundo o subsecretário da Saúde da Bahia, Paulo Barbosa, a discussão de estratégias é essencial para o controle e a eliminação da transmissão vertical do vírus. Barbosa enfatizou a importância do aprimoramento das ações de prevenção e da ampliação do trabalho de identificação e conscientização.
Panorama do HTLV no Brasil
Estimativas indicam que entre 800 mil e 2 milhões de pessoas podem estar infectadas pelo HTLV no Brasil, com cerca de 130 mil casos apenas na Bahia. Desde fevereiro de 2024, a notificação da infecção é compulsória no país, obrigando serviços públicos e privados de saúde a comunicarem os casos ao Ministério da Saúde. Na Bahia, essa obrigatoriedade existe desde 2011.
O HTLV (vírus linfotrópico de células T humanas) pertence à mesma família do HIV e afeta células do sistema imunológico. Sua transmissão ocorre por meio de relações sexuais desprotegidas, transfusão de sangue, compartilhamento de seringas e amamentação. A transmissão vertical, de mãe para filho, é uma das principais preocupações das autoridades de saúde.
Sintomas e prevenção
A maioria dos infectados pelo HTLV é assintomática. No entanto, em alguns casos, o vírus pode causar doenças como a Paraparesia Espástica Tropical (HAM), que compromete a mobilidade das pernas e o controle da bexiga. Outros sintomas incluem lesões de pele, aumento de gânglios linfáticos, anemia e infecções recorrentes.
Atualmente, não existe vacina ou tratamento curativo para o HTLV. As ações de prevenção incluem uso de preservativos, rastreamento durante o pré-natal e segurança na transfusão de sangue e no compartilhamento de objetos perfurocortantes.


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