O impacto do sono na saúde: por que estamos dormindo menos?

Comemorado na terça-feira (15/03/2025), o Dia Mundial do Sono reforça a importância do descanso para a saúde física e mental. Apesar de ser essencial para o funcionamento do organismo, o sono tem sido cada vez mais negligenciado, especialmente diante dos hábitos modernos e da rotina acelerada. De acordo com a Associação Brasileira do Sono, cerca de 72% da população sofre com alterações no sono, como insônia e apneia, muitas vezes sem buscar tratamento adequado.

O estilo de vida contemporâneo, marcado pelo uso excessivo de telas, alta carga de estresse e horários irregulares, tem impacto direto na qualidade do sono. Estudos indicam que a exposição prolongada à luz azul emitida por celulares, computadores e televisores reduz a produção de melatonina, hormônio responsável por regular o ciclo do sono. Além disso, a pressão por produtividade e o aumento da jornada de trabalho têm levado muitas pessoas a dormir menos do que o necessário, comprometendo a recuperação do corpo e da mente.

Consequências da privação do sono

Paulo Henryque, professor de psicologia da Estácio, explica que o sono é um dos pilares da saúde. “A sua privação pode ter consequências graves, como alterações no humor, dificuldades cognitivas e aumento do risco de transtornos como ansiedade e depressão. A falta de descanso adequado também compromete o sistema imunológico, tornando o corpo mais vulnerável a infecções e doenças”, destaca.

A privação do sono está associada a diversos problemas de saúde, incluindo obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão e doenças cardiovasculares. Um estudo publicado na revista Sleep mostrou que dormir menos de seis horas por noite pode aumentar em até 48% o risco de doenças cardíacas. “A falta de descanso adequado interfere na produção de hormônios responsáveis pela regulação da fome e saciedade, o que pode levar ao ganho de peso e distúrbios metabólicos”, alerta.

Além disso, pesquisas recentes indicam que a privação do sono está diretamente ligada ao desenvolvimento de doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer. Paulo explica que, durante o sono profundo, o cérebro realiza um processo fundamental de eliminação de toxinas. Quando esse processo é prejudicado, há um acúmulo de substâncias que podem contribuir para a perda de memória e o envelhecimento precoce do cérebro. “Quando dormimos pouco, essa ‘faxina’ natural é comprometida, favorecendo o surgimento de doenças que afetam a cognição”, indica.

A importância dos sonhos

Outro efeito preocupante da privação do sono é a perda da capacidade de sonhar. “Os sonhos ocorrem principalmente durante a fase REM, que desempenha um papel fundamental na consolidação da memória, regulação emocional e criatividade. Quando dormimos menos ou temos um sono fragmentado, passamos menos tempo nessa fase. Como consequência, o cérebro perde a oportunidade de processar emoções, reforçar aprendizados e reorganizar experiências”, relata.

A ausência dos sonhos pode estar associada a um processamento emocional deficiente, levando ao aumento do estresse, ansiedade e dificuldades na tomada de decisões. Estudos indicam que indivíduos privados da fase REM apresentam maior irritabilidade, dificuldades de concentração e menor capacidade de resolver problemas. “A falta de sonhos não é apenas um sintoma da privação do sono, mas um indicativo de que o cérebro não está passando por processos essenciais para o equilíbrio mental e cognitivo”, explica o professor.

Como dormir melhor?

Segundo Paulo, a adoção de hábitos saudáveis pode melhorar significativamente a qualidade do sono. “Manter horários regulares, evitar o consumo de cafeína e álcool à noite e criar um ambiente escuro e silencioso são medidas fundamentais para garantir um descanso reparador”, destaca. Ele também recomenda a redução do uso de dispositivos eletrônicos antes de dormir e a inclusão de atividades relaxantes, como leitura ou meditação.

“Outra estratégia importante é manter uma alimentação equilibrada, evitar refeições pesadas antes de dormir e praticar exercícios físicos regularmente, mas sem excessos no período noturno. Criar um ritual de sono, como ouvir músicas suaves ou tomar um banho morno, também pode ajudar o corpo a entender que é hora de descansar”, complementa o professor.


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