Capacitação em Salvador aborda enfrentamento ao tráfico de mulheres e exploração sexual

Salvador sediou, na terça-feira (11/02/2025) e na quarta-feira (12/02), um encontro formativo do projeto “Nas Trilhas de Cairo”, promovido pelo Fundo de População das Nações Unidas (Unfpa), em parceria com a Embaixada Britânica. O evento, realizado na Secretaria das Mulheres do Estado (SPM), teve como foco a igualdade de gênero e o respeito aos direitos humanos, reunindo representantes do Ministério das Mulheres e de 12 organizações da sociedade civil.

Durante os dois dias de atividades, foram debatidas estratégias de mobilização, advocacy e fortalecimento de políticas públicas voltadas à prevenção e ao combate ao tráfico de pessoas e à exploração sexual. A problemática é recorrente no Brasil, especialmente na Amazônia Legal, região onde redes criminosas operam com maior intensidade. Desde 1995, mais de 57 mil brasileiros foram resgatados de situações análogas à escravidão, sendo que, em média, 2.063 pessoas são retiradas anualmente de condições degradantes de trabalho.

A programação incluiu painéis sobre os temas “Tráfico de pessoas – caminhos para prevenir e combater” e “Violência baseada em gênero e justiça reprodutiva”, além de uma roda de conversa intitulada “Construindo caminhos para o enfrentamento ao tráfico de pessoas”. O evento também enfatizou a necessidade de ampliação da cobertura jornalística sobre esses temas.

A superintendente de Prevenção e Enfrentamento à Violência contra as Mulheres da SPM, Camila Batista, que representou a secretária das Mulheres do Estado, Neusa Cadore, destacou a importância da articulação intersetorial. “Este encontro reforça o compromisso do Brasil no combate ao tráfico de pessoas e à exploração sexual, consolidando a parceria com organizações da sociedade civil”, afirmou.

Maura Souza, da Coordenação Geral de Fortalecimento da Rede de Atendimento do Ministério das Mulheres, participou remotamente e ressaltou a relevância da colaboração entre as esferas governamentais para o enfrentamento da violência de gênero. “Desde 2023, temos fortalecido parcerias institucionais, promovido a participação política das mulheres e articulado estratégias para garantir a equidade de gênero e o enfrentamento à violência”, declarou.

A oficial de Gênero, Raça e Etnia do Unfpa, Luana Silva, que conduziu a capacitação, destacou o papel das organizações da sociedade civil na promoção dos direitos humanos. “Acreditamos na força das mulheres e no fortalecimento dessas entidades para gerar mudanças significativas. O Unfpa tem como missão garantir os direitos humanos, com foco na saúde sexual e reprodutiva, na igualdade de gênero e no combate à violência”, afirmou.

A assistente social Roseli de Oliveira, da organização Tamo Juntas, de Salvador, ressaltou o impacto da iniciativa. “Nosso projeto, financiado pelo Unfpa, tem como objetivo oferecer apoio a mulheres e meninas. Essa formação nos permite aprofundar o debate sobre exploração sexual e aprimorar nossas ações”, disse.

Representando a Nção Valquírias, Ana Carolina Muramatsu destacou a necessidade de cooperação entre instituições. “As mulheres negras e as crianças são as mais vulneráveis à exploração. Estar aqui nos possibilita compartilhar experiências e fortalecer nossas práticas para enfrentar esses desafios”, afirmou.

Participaram da capacitação as seguintes organizações: Associação Beradeiro (Rondônia); Associação de Trabalhadoras Domésticas Tereza de Benguela (Minas Gerais); Associação DPAC Fronteira (Amapá); Associação Vitória Régia (Amazonas); Coletivo Feminista de Mulheres Negras Ajunta Preta (Tocantins); Cores Movimento de Defesa da Cidadania e do Orgulho LGBT+ (Pernambuco); Federação das Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad) e Tamo Juntas (Salvador); Grupo Sabá (Roraima); Humanidade Mais que Fronteiras (Roraima); Instituto de Pesquisa em Direito e Tecnologia do Recife – IP.Rec (Pernambuco); e Instituto Valquírias World / Nção Valquírias (São Paulo).


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