O fotógrafo baiano André Fernandes foi premiado, na última terça-feira (26/11/2024), no Concurso Internacional de Arte para Artistas Minoritários, organizado pelo Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH). O evento ocorreu no Centro de Artes da Escola Internacional de Genebra (Ecolint), na Suíça. O artista foi o único brasileiro entre os oito premiados mundialmente.
Com o ensaio “Orixás”, que retrata as divindades do Candomblé, Fernandes recebeu o prêmio de menção honrosa, concedido por um painel de cinco juízes. A obra foi destacada por sua qualidade artística e pela abordagem de temas que promovem a conscientização sobre os direitos das minorias. A premiação busca reconhecer artistas que utilizam sua produção para defender os direitos humanos e ampliar a visibilidade de grupos historicamente marginalizados.
Representatividade e impacto cultural
Fernandes destacou a relevância da premiação em seu trabalho de divulgação das tradições afro-brasileiras. “Esta é uma grande oportunidade de usar a arte para falar do Candomblé, atingindo mais pessoas e ampliando a compreensão sobre a importância da cultura afrodescendente. Representar a Bahia e o Brasil em um evento como este é uma forma de reverenciar as memórias ancestrais”, afirmou.
Além de receber o prêmio, o artista participará de uma série de atividades promovidas pelo ACNUDH até o dia 1º de dezembro. Estão programadas exposições com obras dos artistas laureados, o lançamento de um catálogo da premiação e eventos sobre arte e direitos humanos. Entre os compromissos, Fernandes também comparecerá à 17ª sessão do Fórum das Nações Unidas para Minorias, no Palácio das Nações.
“A experiência de interagir com artistas e representantes de diversas culturas fortalece minha compreensão sobre arte e direitos humanos. Ao retornar, terei novas perspectivas sobre esses temas e a responsabilidade de disseminar o aprendizado”, disse Fernandes. Ele também destacou que o ensaio “Orixás” demandou dois anos de trabalho e foi realizado no Terreiro Ilê Axé Alaketu, em 2014. As fotografias revelam as divindades do Candomblé em suas vestes e indumentárias tradicionais, conectando a espiritualidade à memória ancestral.
Ensaio como ferramenta de combate a preconceitos
Fernandes ressaltou que o projeto “Orixás” busca preservar a memória afrodescendente e promover o debate sobre o Candomblé. “Abordar temas relacionados à ancestralidade e à identidade cultural é essencial no combate aos estigmas. A ONU defende o direito à manifestação da fé, e minha obra contribui para a reflexão sobre o papel do Candomblé na sociedade”, explicou.
O projeto contou com o apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, através do Fundo de Cultura, e de iniciativas como o edital Salvador Circula, da Fundação Gregório de Mattos. A iniciativa também recebeu recursos da Política Nacional Aldir Blanc e do Ministério da Cultura. A combinação de financiamentos permitiu que “Orixás” fosse concretizado e alcançasse um público internacional.


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