Na quinta-feira (17/10/2024), a ONG Oceania divulgou um relatório que enfatiza os riscos à saúde dos corais brasileiros, evidenciando que a poluição por plástico eleva em 85% a probabilidade de adoecimento desses organismos. O relatório intitulado “Fragmentos da Destruição: impacto do plástico à biodiversidade marinha brasileira” aponta que o Brasil, ao descartar anualmente 1,3 milhão de toneladas de plástico no oceano, se torna o oitavo país em poluição por plástico e o maior poluidor da América Latina. Esse cenário acentua a relevância de ações de restauração e monitoramento da fauna coralínea, como o Projeto Mares, que atua na Baía de Todos os Santos (BTS).
O Projeto Mares, uma iniciativa da ONG Socioambientalista PRÓ-MAR com o apoio da Petrobras, visa restaurar uma área de 1,5 km² no recife das Pinaúnas, em Mar Grande, na Ilha de Itaparica. Desde janeiro de 2023, o projeto realiza o cultivo de aproximadamente 1,6 mil sementeiras da espécie nativa Millepora alcicornis em berçários instalados a 1,2 km da costa. As ações do projeto estão alinhadas com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 13 e 14, estabelecidos pela Organização das Nações Unidas, que abordam a conservação e uso sustentável dos oceanos.
O relatório da Oceania destaca que o plástico, devido à sua leveza, é facilmente transportado pelas correntes oceânicas, tornando-se um risco significativo para os recifes de coral. A exposição ao plástico eleva a probabilidade de doenças nos corais de 4% para 89%, comprometendo suas funções biológicas. Para mitigar essa ameaça, o Projeto Mares promove atividades de limpeza em praias, mangues e ambientes subaquáticos, removendo não apenas plásticos, mas também outros resíduos que possam prejudicar tanto os corais quanto as comunidades que dependem do mar para sua subsistência. Até o momento, foram recolhidas mais de 1,5 toneladas de lixo.
Os berçários utilizados no projeto são formados por estruturas de tubo de PVC e rede de nylon, onde fragmentos da Millepora alcicornis são cultivados até que se fixem nas sementeiras, compostas por substratos de organismos bioincrustantes. O biólogo Lucas Lolis, coordenador científico do projeto, informou que 40 mesas berçários estão em operação, com uma meta inicial de cultivar 1.600 colônias. Até o momento, 370 colônias foram transplantadas para o recife, enquanto 1.230 permanecem em cultivo. Lolis destacou que, apesar dos desafios, a taxa de mortalidade dos fragmentos é de apenas 4%, um resultado promissor em comparação com a média de sobrevivência nos recifes naturais.
O Projeto Mares se mantém em atividade até dezembro de 2024, continuando o monitoramento das comunidades biológicas dos recifes. Lolis conclui que a colaboração de diversas instituições e da população local tem sido fundamental para o sucesso das iniciativas de restauração, ressaltando o compromisso coletivo em enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas e pela poluição marinha.


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