Salvador: Peça “A História do Zoológico” retorna ao Espaço Cultural Casa 14, no Pelourinho

Após uma temporada inicial bem-sucedida, a peça “A História do Zoológico” (The Zoo Story), escrita por Edward Albee, retorna ao palco do Espaço Cultural Casa 14, no Pelourinho, em Salvador. A nova temporada está agendada para sábado (21/09/2024) e sábado (28/09) e sábado (05/10), sábado (12/10), sábado (19/10) e sábado (26/10), sempre aos sábados, às 19:30h.

Nesta temporada, a montagem apresenta uma adaptação que incorpora elementos da cultura baiana. O diretor Adson Brito do Velho introduziu aspectos da cultura local, como referências a bairros de Salvador, programas de televisão, musicalidade, culinária e personagens folclóricos. O diretor assegura que essas adições não comprometem a essência do texto original, que é uma das mais importantes obras do teatro mundial.

Além dessas inovações culturais, há uma reinterpretação dos personagens principais, Peter e Jerry. Na primeira temporada, a construção desses personagens foi baseada em leituras e debates, utilizando o método de interpretação de Constantin Stanislavsky. Para a nova temporada, Admilson Vieira (Peter) e Alexandro Beltrão (Jerry), junto com o diretor, realizaram entrevistas com moradores em situação de vulnerabilidade social para uma compreensão mais profunda das temáticas abordadas na peça. O diretor relatou que conversaram com pessoas em situação de rua em áreas como Cônego Pereira, Sete Portas e Praça da Piedade.

A peça, classificada como Teatro do Absurdo, estreou em Berlim em 1959 e posteriormente nos Estados Unidos, expandindo sua influência global. Em Salvador, foram realizadas seis montagens, com quatro delas produzidas pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), incluindo elencos compostos por importantes nomes do teatro baiano, como Harildo Deda e Geraldo Del Rey.

“A História do Zoológico” se passa no outono de 1959, em um banco de jardim no Central Park, Nova Iorque, onde os personagens Peter e Jerry se encontram. A peça explora temas como solidão, incomunicabilidade e isolamento, refletindo sobre o vazio existencial e a fragilidade humana. O final surpreendente da peça oferece uma profunda reflexão sobre o ser humano e seu lugar no mundo.

O personagem Peter, interpretado por Alexandro Beltrão, simboliza um homem enjaulado em seus próprios ideais e rotinas. Com sinais de Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), Peter leva uma vida isolada, embora seja casado e pai de duas filhas. Seu cotidiano é marcado pela presença constante de um livro, enquanto sua família tradicionalmente não participa de sua vida. Por outro lado, Jerry, vivido por Admilson Vieira, busca um desabafo para suas angústias emocionais e tenta entender as relações entre humanos e animais através de visitas ao zoológico. Jerry é um personagem solitário, com poucos recursos financeiros, comportamentos manipuladores e autodestrutivos, e traços narcisistas.



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