Na terça-feira (10/09/2024), o Brasil marca o Dia de Combate à Gordofobia, uma data que visa aumentar a conscientização sobre a discriminação enfrentada por indivíduos com corpos gordos e os mitos associados a essa condição. Alessandra Cupertino, professora do curso de Nutrição da Estácio e Mestre em Nutrição Humana, destaca a urgência de reavaliar a percepção social sobre corpo e saúde.
A gordofobia, de acordo com Cupertino, é uma forma sistemática de discriminação contra corpos gordos, profundamente enraizada em uma sociedade que promove a ideia de que a beleza está associada exclusivamente a corpos magros. A professora observa que essa visão distorcida não apenas afeta negativamente a relação das pessoas com a alimentação, mas também reforça estereótipos prejudiciais, como a crença de que o excesso de peso é sempre fruto de falta de autocontrole ou de “vergonha na cara”. Alessandra Cupertino ressalta que a obesidade é uma condição complexa e multifatorial que deve ser tratada com seriedade, não como um reflexo de falhas pessoais.
Dados recentes do Ministério da Saúde revelam que 25% dos adultos no Brasil são obesos, colocando o país entre as nações com as maiores taxas de obesidade. Contudo, a professora aponta que persiste o mito de que magreza é sinônimo de saúde e obesidade é sinônimo de doença. “É crucial entender que tanto indivíduos magros quanto gordos podem ser saudáveis ou não. O que precisa ser combatido são os preconceitos persistentes”, afirma.
No contexto do atendimento aos pacientes, Cupertino defende uma abordagem empática e acolhedora por parte dos profissionais de saúde, incluindo nutricionistas. Ela destaca a importância de ouvir o paciente, compreender suas dificuldades e respeitar seu contexto de vida. “O tratamento deve ser multidisciplinar, envolvendo médicos, nutricionistas, fisioterapeutas e educadores físicos, para garantir um cuidado completo e eficaz”, acrescenta.
A professora Cupertino sugere que a sociedade deve investir na disseminação de informações corretas e na criação de políticas públicas que tratem a obesidade como uma questão de saúde e não como um fracasso moral. “É fundamental abandonar a ideia de que a gordura é um problema de caráter e começar a abordá-la com a seriedade que merece”, conclui.
Para aqueles que enfrentam a gordofobia e desejam estabelecer uma relação mais saudável com a alimentação, Cupertino recomenda buscar profissionais de saúde que adotem uma visão integral e multiprofissional. “O apoio adequado pode fazer uma grande diferença no enfrentamento dos desafios associados à obesidade, ajudando as pessoas a viverem de forma mais saudável e plena, independentemente do tamanho de seu corpo”, finaliza.


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