Nesta sexta-feira (30/08/2024), a Secretaria Estadual de Educação da Bahia (SEC) realizou o Seminário sobre Altas Habilidades e Superdotação em Salvador. O evento teve como principal objetivo discutir a importância da educação inclusiva para estudantes com altas habilidades e superdotação, com foco na identificação e apoio desses alunos. A discussão abordou o impacto do ambiente —como a família, a escola e a cultura— no desenvolvimento dessas características.
O seminário contou com a presença de especialistas, educadores e familiares. A secretária de Educação da Bahia, Rowenna Brito, ressaltou a relevância estratégica do tema para o Estado. “As famílias que convivem com estudantes superdotados frequentemente buscam orientação e um caminho a seguir. O Ministério da Educação tem desenvolvido diretrizes, e aqui na Bahia estamos debatendo estratégias para implementar essas diretrizes nas redes estadual e municipais, reafirmando nosso compromisso com uma educação inclusiva e contextualizada para a juventude baiana.”
Durante o encontro, os especialistas destacaram que a superdotação é uma condição heterogênea, embora compartilhe algumas características comuns, como a curiosidade e a sensibilidade emocional. A identificação de alunos superdotados nas escolas é desafiadora devido à falta de preparo dos professores. Muitos educadores possuem uma visão limitada sobre a superdotação, frequentemente associando-a a uma genialidade inata.
Cíntia, mãe de dois filhos superdotados, Davi, de 7 anos, e Camila, de 9 anos, comentou sobre a importância do seminário para a inclusão e acolhimento dessas crianças. “É essencial tirar nossas crianças da invisibilidade, demonstrar à população baiana que elas precisam de apoio e que os professores devem estar preparados para atendê-las de forma adequada”, afirmou.
A pesquisadora Francisca Chagas destacou a necessidade urgente de formação para professores para identificar precocemente esses alunos, evitando confusões com transtornos e preparando um atendimento personalizado. “A formação de professores para lidar com superdotados é um desafio significativo, mas fundamental para oferecer um suporte adequado às crianças que necessitam de um ensino ajustado às suas necessidades”, enfatizou.
O psicólogo Damião Silva, um dos principais palestrantes do seminário e referência nacional no tema, apontou que o Brasil possui aproximadamente 27 mil indivíduos superdotados, com a Bahia ocupando a quarta posição no ranking de estados com o maior número desses estudantes. Silva sublinhou a importância da capacitação contínua dos educadores, destacando que a falta de compreensão sobre a superdotação pode afetar negativamente a saúde mental e emocional dos alunos. “Este seminário é um marco inédito promovido por uma Secretaria de Educação estadual, e é um passo importante para avançar na inclusão educacional desses estudantes”, concluiu.


Deixe um comentário