Tradição na festa religiosa de corpus christi reúne fiéis em diversas cidades

A celebração de Corpus Christi, evento religioso de grande importância para a comunidade católica, reuniu fiéis em diversas cidades brasileiras para a confecção dos tradicionais tapetes decorativos. A tradição, trazida ao Brasil pelos portugueses, consiste na criação de elaborados desenhos feitos com sal grosso, serragem, borra de café e outros materiais coloridos, estendidos nas ruas para a procissão.

No Rio de Janeiro, a Avenida Chile, no centro da cidade, foi o cenário para a montagem de 50 tapetes em frente à Catedral Metropolitana de São Sebastião. Fiéis de diversas paróquias e movimentos religiosos começaram os preparativos na madrugada e finalizaram o trabalho ao meio-dia. Tiago Pereira, um jovem vocacionado, saiu de casa em Madureira às 4h20 para participar da montagem pela quarta vez com amigos do Grupo Vocacional Arquidiocesano (GVA). “A confecção dos tapetes é uma forma diferente de adoração ao Senhor, representando os esforços dos fiéis à espera da passagem de Cristo”, afirmou Tiago.

A celebração no Rio também contou com a participação de uma escola de samba. Integrantes do Salgueiro montaram um tapete com a imagem de São Sebastião, padroeiro do Morro do Salgueiro e da escola. Vitor Brito, diretor de Comunicação do Salgueiro, destacou a integração entre a escola e a Igreja Católica, incentivada pelo padre Wagner, pároco da Igreja de Santa Rita e de São Jorge.

Outro destaque no Rio foi o tapete sustentável confeccionado aos pés do Cristo Redentor, com materiais como borra de café, serragem, casca de ovo e sal colorido, representando os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU e as Obras de Misericórdia. O arcebispo dom Orani Tempesta celebrou a solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, iniciando a Semana do Meio Ambiente.

Em São Gonçalo, os fiéis criaram o maior tapete do estado, com dois quilômetros de extensão. O bispo auxiliar da Arquidiocese de Niterói, dom Geraldo de Paula, comentou a alegria da comunidade ao participar da montagem. “Celebramos Jesus Cristo com alegria e dedicação”, disse dom Geraldo.

São Paulo também realizou a solenidade com uma missa campal na Praça da Sé, celebrada pelo cardeal Odilo Pedro Scherer, que destacou a unidade e a comunhão em torno da eucaristia, lembrando dos mais necessitados. Na cidade de Santana do Parnaíba, a tradição dos tapetes de Corpus Christi é mantida desde 1961, com 60 tapetes confeccionados anualmente.

Em Brasília, a Esplanada dos Ministérios foi o local escolhido para a celebração, que ocorre há 46 anos. O cardeal arcebispo dom Paulo Cezar Costa pediu que os fiéis levassem alimentos não perecíveis para as vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul. “É uma maneira de sermos solidários com aqueles que necessitam de nossa ajuda”, afirmou o cardeal.

A tradição dos tapetes de Corpus Christi, iniciada pelos portugueses, continua atraindo fiéis de todas as idades, proporcionando um espaço de convivência e criatividade. Segundo dom Geraldo de Paula, a confecção dos tapetes é uma oportunidade de evangelização e de reforço dos laços comunitários.

A celebração de Corpus Christi tem suas raízes históricas em 1247, em Liège, na Bélgica, e foi estabelecida como uma festa mundial pelo papa Clemente V em 1313. No Brasil, a tradição se mantém viva, unindo comunidades em torno da devoção à eucaristia e promovendo a paz e a solidariedade entre os fiéis.

*Com informações da Agência Brasil.


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