Sexta-feira da Gratidão reúne fiéis e turistas na Basílica do Senhor do Bonfim e reforça força do turismo religioso

A última sexta-feira de 2025 foi marcada por intensa movimentação religiosa e turística na Colina Sagrada do Bonfim, em Salvador. Milhares de fiéis e visitantes participaram da Sexta-feira da Gratidão, tradição que reúne pessoas para agradecer pelas bênçãos recebidas ao longo do ano. Ao longo do dia, mais de dez missas foram celebradas na Basílica do Senhor do Bonfim, com apoio da Secretaria de Turismo da Bahia (Setur-BA), consolidando o evento como um dos momentos mais simbólicos do calendário religioso baiano.

A celebração, que ocorre tradicionalmente na primeira e na última sexta-feira de cada ano, tem ganhado proporções crescentes nas últimas décadas, atraindo não apenas fiéis locais, mas também turistas de diversas partes do Brasil e do exterior. A presença constante de visitantes reforça o papel do turismo religioso como um dos pilares da atividade turística na Bahia, especialmente no período de fim de ano.

Tradição religiosa e organização das celebrações

De acordo com o padre Edson Menezes, reitor e capelão da Basílica do Senhor do Bonfim, a prática de subir a Colina Sagrada nessas datas é uma tradição antiga do povo baiano, que se fortaleceu com o passar do tempo. Segundo ele, há cerca de 15 anos foi necessária a montagem de uma estrutura externa para comportar as missas campais, diante do aumento do público.

O sacerdote destacou ainda o apoio institucional do governo estadual, por meio da Setur-BA, ressaltando que a Sexta-feira da Gratidão se tornou um evento de relevância não apenas religiosa, mas também cultural e turística. A organização logística e a ampliação das celebrações refletem a consolidação do Bonfim como espaço central da fé popular baiana.

Turismo religioso e política pública

O secretário estadual de Turismo, Maurício Bacelar, acompanhou uma das celebrações ao lado do governador Jerônimo Rodrigues. Em declaração, Bacelar ressaltou o bom momento do turismo no estado, destacando que a Bahia lidera o turismo nacional e recebe mais da metade dos turistas estrangeiros que visitam o Nordeste.

Segundo o secretário, o desempenho positivo do setor em 2025 foi resultado de investimentos contínuos em infraestrutura, promoção turística e valorização de segmentos como o turismo religioso. Ele afirmou ainda que, em 2026, o governo estadual pretende ampliar as atividades do setor, com foco na geração de empregos e renda para a população baiana.

Depoimentos de fiéis e visitantes

Entre os participantes da Sexta-feira da Gratidão, a engenheira catarinense Angélica Duarte, de 30 anos, afirmou que mantém o hábito de comparecer à Basílica do Bonfim na última sexta-feira do ano como forma de agradecimento pessoal. Segundo ela, esta foi a quarta vez consecutiva em que participou da celebração, destacando a singularidade da experiência religiosa vivenciada no local.

O protético paulista Victor Craveiro, de 23 anos, também esteve presente e relatou que, embora já tivesse visitado a Bahia anteriormente, participou pela primeira vez da Sexta-feira da Gratidão. Para ele, o ambiente da Colina Sagrada transmite uma sensação de paz e acolhimento que o motivou a integrar as celebrações assim que soube da programação.

Patrimônio histórico e sincretismo religioso

Construída no século XVIII para abrigar a imagem de Jesus crucificado trazida de Portugal pelo capitão de mar e guerra Teodósio Rodrigues de Faria, a Basílica do Senhor do Bonfim é um dos mais importantes centros de peregrinação do país. O templo figura entre os principais atrativos do turismo religioso baiano e recebe visitantes de diferentes crenças ao longo de todo o ano.

A igreja também é palco de uma das maiores festas populares da Bahia, a Lavagem do Bonfim, que em 2026 será realizada no dia 15 de janeiro. O ritual, que remonta ao período da escravidão, envolve a lavagem simbólica das escadarias da basílica e expressa o sincretismo religioso característico da cultura baiana. Nesse contexto, Jesus Cristo é associado a Oxalá, orixá da criação nas religiões de matriz africana, tradicionalmente cultuado às sextas-feiras.


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