Corpo da matéria: Nesta sexta-feira (17/05/2024), é celebrado o Dia Mundial da Reciclagem, data instituída pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), com o objetivo de incentivar a reflexão sobre o descarte adequado de resíduos sólidos. A celebração visa destacar a importância da reciclagem para reduzir a poluição ambiental e evitar que resíduos sejam destinados a aterros sanitários, que devem receber apenas rejeitos. A reciclagem permite que os resíduos sólidos retornem como matéria-prima para a cadeia produtiva, promovendo a economia circular.
A coleta seletiva é uma etapa fundamental para a reciclagem, pois envolve a separação adequada dos materiais recicláveis. Nesse contexto, os catadores de materiais recicláveis desempenham um papel essencial. Esses profissionais, muitos organizados em associações e cooperativas, coletam e destinam diariamente toneladas de resíduos sólidos para diversas cadeias produtivas, desviando esses materiais de aterros sanitários, rios e oceanos. Estima-se que 90% de tudo que é reciclado no Brasil passe pelas mãos dos catadores.
Apesar de sua importância estratégica, os catadores enfrentam diversos desafios. Entre eles, a falta de valorização dos serviços ambientais prestados, a ausência de remuneração pelas prefeituras, baixos preços de venda dos materiais recicláveis, exploração por atravessadores, condições de trabalho precárias em galpões inadequados, e falta de equipamentos e caminhões.
Joilson Santana, catador de materiais recicláveis, pesquisador e coordenador executivo da ONG Centro de Arte e Meio Ambiente (CAMA), destaca que há uma série de demandas históricas dos catadores que ainda não foram atendidas. “A contratação e remuneração pelos serviços de coleta seletiva prestados aos municípios é uma necessidade fundamental. Além disso, é crucial o reconhecimento da sociedade sobre a importância da atuação destes trabalhadores para a mitigação dos efeitos das mudanças climáticas e a superação do racismo ambiental ao qual estão submetidos”, afirma Santana.
A ONG CAMA, fundada em 1995 no bairro dos Alagados, em Salvador, Bahia, desenvolve programas e projetos associados aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), referenciados pela Agenda 2030 da Unesco. A organização tem como missão fortalecer a luta por garantia de direitos de indivíduos e grupos vulnerabilizados, promovendo autonomia e inclusão sociopolítica para a construção de uma sociedade justa, democrática, ambientalmente equilibrada e livre de todas as formas de exclusão.


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