Festa de Santa Bárbara: Sincretismo religioso e turismo movimentam Salvador

O próximo fim de semana em Salvador será marcado pela intensidade do vermelho, cor que simboliza a fé dos baianos católicos e adeptos do candomblé durante as homenagens a Santa Bárbara. Padroeira dos mercados e do Corpo de Bombeiros, ela é, no sincretismo, representada pela orixá Iansã, deusa dos ventos e das tempestades. O tríduo, que acontece de sexta-feira (01/12/2023) a domingo (03/12) na Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, no Pelourinho, antecede a festa dedicada à santa na segunda-feira (04/12). A celebração, que conta com a participação da Secretaria de Turismo do Estado (Setur-BA), inicia no Largo do Pelourinho às 6h, com alvorada de fogos, seguida de missa campal e procissão pelas ruas do Centro Histórico. O evento congrega uma multidão, incluindo turistas nacionais e estrangeiros, que têm a oportunidade de degustar o tradicional caruru.

Padre Lázaro Muniz, pároco da Igreja do Rosário dos Pretos, destaca a diversidade de participantes na festa. “A festa atrai milhares de pessoas, não apenas aquelas presentes no tríduo ou na missa, mas também as que se encontram nas ruas, casarões e estabelecimentos do Centro Histórico. São católicos, candomblecistas e adeptos de outras religiões, todos devotos de Santa Bárbara. Turistas relatam sair emocionados, impressionados com a grandiosidade da festa e a presença de diversas tradições religiosas”.

No Terreiro Bate Folha, em Mata Escura, a Sociedade Beneficente Santa Bárbara realiza homenagens às entidades Bamburucema e Iansã, representando a santidade católica em religiões de matriz africana. O ogã do terreiro, João Antônio Ferreira, observa o fascínio dos turistas. “Eles ficam deslumbrados, principalmente aqueles que chegam antes da festa e têm a oportunidade de conhecer outras atrações do candomblé. Demonstram muito interesse em voltar e pedem informações sobre as tradições da Bahia”.

A tradição baiana em honra à santa, que remonta ao século 17 e foi reconhecida como Patrimônio Imaterial da Bahia em 2008, não apenas ressalta a devoção religiosa, mas também movimenta a economia do turismo. Maurício Bacelar, titular da Setur-BA, destaca o sincretismo religioso como um atrativo único do turismo baiano, ressaltando que o segmento gera trabalho e receita. O projeto Agô Bahia foi criado pelo Governo do Estado para impulsionar as manifestações religiosas afro-baianas.


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