Viúvas de soldados Ucranianos mortos na guerra: O difícil retorno à Vida

No mosteiro de Saint-Michel, que oferece vistas majestosas das construções barrocas azul-celeste e cúpulas douradas, milhares de retratos estão dispostos em homenagem a homens vestidos em uniformes camuflados, camisas tradicionais ou camisetas, mortos em combate na guerra que teve início com a Rússia.

Olena ainda não teve a chance de afixar a foto de seu marido, Volodymyr Tchorny, que perdeu a vida em 9 de maio, no fronte de Kremmina, na região de Lugansk, no leste do país. Ela lembra o momento doloroso em que soube da morte dele: “O chefe dele me ligou para me contar. Não pude acreditar, foi tão terrível. Com seu grupo, eles saíram às 5h para uma posição, mas às 5:30h um tanque avançou em sua direção. Os russos fizeram uma emboscada, eles não tinham como escapar. Todos que participaram desta expedição morreram. Infelizmente, ele foi enterrado em um caixão fechado. No necrotério, eles não quiseram nos mostrar.”

Em meio ao desinteresse crescente da população ucraniana pela guerra, viúvas como Olena, que tentam preservar a memória de seus entes queridos, enfrentam desafios difíceis. Olena está organizando uma exposição com as obras de seu marido, que era pintor e se alisou nas primeiras horas da guerra. Além disso, ela está estudando medicina tática, uma especialidade voltada para conflitos, na tentativa de se manter ativa e útil para a Ucrânia.

No entanto, para muitas viúvas, como Ioulia, uma guarda de fronteira de 34 anos que perdeu o marido, Vadim, no fronte de Bakhmout, a vida mudou drasticamente. Ela raramente sai de casa desde a morte do marido, observando como as pessoas parecem estar perdendo o interesse pela guerra, especialmente na região oeste do país.

O sentimento de Ioulia é compartilhado por Alina, cujo marido faleceu em fevereiro. Ela se sente incapaz de se reintegrar à vida normal e lamenta a diferença entre sua realidade e a de pessoas que não vivem a guerra. No celular, Alina guarda o vídeo do momento em que seu marido a pediu em casamento, e ela lamenta não ter tido a chance de realizar um desejo dele: ter uma filha.

Com base na associação “Estamos Juntos”, que reúne mulheres que perderam seus maridos na guerra, cerca de 7% das associadas, incluindo Alina, têm entre 18 e 24 anos, destacando o impacto dessa guerra nas gerações mais jovens da Ucrânia.

*Com informações da RFI.


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