O Brasil enfrenta uma situação crítica em relação ao saneamento básico, de acordo com o diretor-executivo da Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (ABCON), Percy Soares Neto. Desde 2013, o país não conseguiu avançar significativamente nesse setor. Em 2013, apenas 82,5% da população tinha acesso a água, e em 2021, esse número subiu apenas para 84,2%. Um estudo da ABCON em parceria com a KPMG revela que o Brasil precisará investir R$ 893,34 bilhões para alcançar a universalização do saneamento até 2033, conforme previsto pelo marco legal.
O governo federal planeja investir R$ 65,2 bilhões em estados e municípios com o Novo PAC Seleções. Serão 27 modalidades de obras em áreas essenciais à saúde, educação, mobilidade, qualidade de vida e acesso a direitos. Estados e municípios podem inscrever propostas de 9 de outubro a 10 de novembro de 2023 para participar do programa.
Segundo o levantamento da ABCON, a região Sudeste precisa investir R$ 330,08 bilhões, a região Nordeste R$ 232,81 bilhões, Sul R$ 155 bilhões, Centro-Oeste R$ 96,18 bilhões e Norte R$ 79,26 bilhões. O maior desafio, de acordo com Percy Soares Neto, é a universalização do esgoto.
“Temos que prover o tratamento de esgoto para praticamente metade da população brasileira. Isso é um desafio não trivial”, afirma ele. No entanto, Percy acredita que o país está no caminho certo com base no que foi estabelecido no Marco Legal do Saneamento. Nos últimos três anos, foram contratados R$ 65 bilhões em investimentos junto aos operadores privados, o que indica um aumento significativo no investimento no setor.
A pesquisa também destaca que as concessionárias privadas atendem a 389 cidades, sendo 42% delas municípios com até 20 mil habitantes. No entanto, o fato de quase metade do esgoto produzido no país não ser tratado cria condições para a proliferação de doenças e tem um impacto ambiental nos recursos hídricos.
Para Percy Soares Neto, a competição, a melhoria da regulação e a regionalização são fundamentais para atingir a meta de universalização. Ele espera que até 2033, 90% da população tenha acesso ao esgoto coletado e tratado, e 99% da população tenha água potável em suas torneiras.


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