Ministros brasileiros falam sobre cooperação com Cuba durante coletiva em Havana

Três ministros brasileiros, que viajaram com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para Cuba, concederam uma entrevista coletiva na noite desta sexta-feira (15/09/2023) para discutir a retomada das relações e cooperação entre os dois países. A delegação brasileira participará da Cúpula do G77 + China, que ocorre em Havana, marcando a primeira visita oficial do Brasil a Cuba desde 2014.

A ministra da Saúde, Nísia Trindade, juntamente com a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, e o ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, destacaram a importância dos acordos firmados com Cuba, que prometem trazer benefícios significativos para ambos os países. A ministra Nísia Trindade ressaltou especialmente um acordo com o Ministério da Saúde cubano que permitirá ao Brasil avançar na produção de biofármacos e medicamentos complexos.

“Nesse acordo, o Brasil pôde entrar na linha dos biofármacos, medicamentos complexos. Nós tivemos a possibilidade da incorporação tecnológica da alfaepoetina, concluída pela Fiocruz. É um marco, porque permitiu que o Brasil entrasse num campo tecnológico de ponta”, explicou a ministra da Saúde.

A cooperação entre os dois países se estenderá a diversas áreas, incluindo pesquisa e desenvolvimento de vacinas, medicamentos para doenças crônicas como Alzheimer e diabetes, bem como novos medicamentos para gastrite baseados no uso de cana de açúcar. A ministra enfatizou que essa cooperação é valiosa porque o Brasil poderá se beneficiar do conhecimento de ponta desenvolvido por Cuba, enquanto o Brasil contribuirá com sua expertise em pesquisa clínica e capacidade de produção em escala.

A ministra Luciana Santos, da Ciência, Tecnologia e Inovação, destacou a importância desse acordo para o Brasil, que atualmente gasta consideráveis recursos na importação de medicamentos. Ela enfatizou que a colaboração com Cuba pode ajudar a transformar essa realidade.

“Eles atuam na área de investigação de doenças raras, diabetes e na fabricação de fármacos, que é uma das questões desafiadoras para o Brasil. Na balança comercial brasileira, nós temos um déficit de US$ 20 bilhões de dólares com medicamentos. Então, tudo o que vier agregar desenvolvimento, pesquisa, conhecimento tecnológico é o que nos interessa. Por isso, essa lógica do ‘ganha-ganha’ é tudo o que nós desejamos”, afirmou a ministra.

Além disso, a ministra Luciana Santos expressou o desejo do governo brasileiro de retomar o memorando de entendimento firmado em 2002 com o governo cubano, com a indicação de um novo comitê gestor, para fortalecer a cooperação bilateral em diversas áreas.

Por sua vez, o ministro Paulo Teixeira, do Desenvolvimento Agrário, lamentou a parada nas relações entre Brasil e Cuba nos últimos 6 anos. Ele revelou que trouxe uma equipe de técnicos da Embrapa, do Conab e do Incra para participar de encontros em Cuba, visando expandir e compartilhar conhecimentos.

“Nós estamos retomando especialmente na área da agricultura familiar. Em temas como genética de espécies agroalimentares, bioinsumos, alimentação animal, agricultura de conservação, sistemas alimentares tradicionais, fertilizantes, agroindústria, acesso à água, eles têm muito conhecimento, muito saber, e nós queremos trocar esses saberes. Devemos assinar um memorando com o Ministério da Agricultura de Cuba para troca de conhecimento”, afirmou o ministro.


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