Cidades Europeias priorizam “Turismo de Qualidade” em busca de equilíbrio

Cidades europeias estão redefinindo suas estratégias de turismo, priorizando a qualidade em detrimento da quantidade de visitantes. Cansadas dos impactos negativos do turismo de massa, essas cidades almejam atrair menos turistas, porém mais conscientes e comprometidos com a cultura local e o meio ambiente. Embora essa abordagem promova uma experiência turística mais enriquecedora, também traz consigo o risco de elitização.Turistas em Veneza, Itália. Crédito da imagem: Reinhard Kaufhold/dpa/picture alliance

O conceito do “viajante perfeito” do ponto de vista de uma cidade ou país anfitrião inclui a preferência por visitas durante a baixa temporada, demonstração de interesse pela cultura local, respeito ao meio ambiente, boas maneiras, e o compromisso de não poluir locais públicos com lixo. Idealmente, esse turista retornaria ano após ano, contribuindo significativamente para a economia local.

A capital alemã, Berlim, experimentou um rápido boom turístico após a reunificação do país, inicialmente bem recebido. No entanto, com o tempo, os moradores locais começaram a se incomodar com o turismo massificado. Christian Tänzler, porta-voz da visitBerlin, a agência de promoção de turismo da cidade, observa que o foco anterior estava apenas no aumento do número de visitantes, mas a cidade percebeu a necessidade de equilibrar as necessidades dos turistas e dos residentes.

Berlim agora busca garantir que os moradores locais também se beneficiem economicamente dos turistas, sem elevar o custo de vida na cidade. Planos estão em vigor para estabelecer padrões de qualidade na oferta turística e reduzir a pegada de carbono resultante do turismo. Ferramentas como o aplicativo Going Local estão disponíveis para direcionar os turistas para excursões menos conhecidas, longe das áreas saturadas de visitantes.

Barcelona, na Espanha, enfrenta desafios semelhantes. A cidade busca reduzir a presença de mochileiros que costumam ficar em albergues baratos e festejar nas praias. Para alcançar esse objetivo, Barcelona está investindo em melhorias nos albergues, tornando-os mais caros para desencorajar os turistas festeiros.

No entanto, experiências passadas em locais como Maiorca mostram que essas medidas nem sempre funcionam conforme o planejado. Embora tenham tentado afastar turistas desordeiros incentivando melhorias nos hotéis locais, o resultado foi um aumento na oferta de hotéis de quatro e cinco estrelas. O desafio reside em equilibrar a qualidade do turismo com a acessibilidade.

Veneza, na Itália, é um exemplo extremo dos efeitos negativos do turismo de massa. A cidade busca controlar o fluxo de visitantes, especialmente em relação à duração das estadias. A implementação de uma taxa de ingresso para visitantes que passam apenas o dia na cidade está prevista para 2024.

No entanto, o turismo de alta classe não é isento de custos. Jürgen Schmude, professor de economia do turismo na Universidade Ludwig Maximilian, em Munique, observa que o turismo de alta qualidade geralmente está ligado a maiores gastos por turista. Isso pode levar à elitização das viagens, excluindo aqueles que não têm os recursos financeiros necessários.

Em Berlim, as autoridades enfatizam que a qualidade da experiência do turista não deve ser medida apenas pelos gastos, mas também pela autenticidade e pelo envolvimento com a cultura local. O desafio reside em encontrar o equilíbrio certo entre o turismo de qualidade e a acessibilidade, garantindo que as cidades continuem sendo destinos acolhedores para todos os tipos de viajantes.

*Com informações da Agência DW.


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