Salvador recebe, de segunda-feira (09/11/2026) a quinta-feira (12/11/2026), a primeira edição do Festival CineMonde, evento dedicado à exibição e à discussão de produções audiovisuais africanas e da Bahia. Com o tema “Histórias de cinema africano”, a programação prevê 15 sessões de filmes de ficção, documentários e animações no Teatro Molière da Aliança Francesa de Salvador, além de atividades educativas e debates voltados a estudantes e ao público em geral.
A mostra apresenta produções de países como Cabo Verde, Costa do Marfim, Egito, Marrocos, Senegal e Sudão, além de obras de outras regiões africanas e da comunidade francófona. A seleção inclui filmes do acervo da Cinémathèque Afrique, vinculado ao Institut Français, e o documentário baiano “Cartas para…” (2025), dirigido por Vânia Lima, escolhido para abrir oficialmente o festival.
Os ingressos para as sessões regulares custam R$ 10, com reservas pela página oficial da Aliança Francesa de Salvador. As atividades educativas, realizadas em dois horários diários, e os eventos de abertura e encerramento terão entrada gratuita.
Cinema africano e produção baiana integram programação
A curadoria do CineMonde reúne longas-metragens e curtas de diferentes períodos e países, com narrativas que abordam questões sociais, políticas, culturais, históricas e identitárias do continente africano. A proposta é ampliar a circulação de obras que tiveram presença limitada nos circuitos comerciais brasileiros.
Entre os longas-metragens selecionados estão “Adama” (2015), de Simon Rouby; “Aya de Yopougon” (2012), de Marguerite Abouet e Clément Oubrerie; “Haut et Fort” (2021), de Nabil Ayouch; e “Le Mandat” (1968), de Ousmane Sembène.
A programação também inclui “Nha fala” (2002), de Flora Gomes; “Nome” (2023), de Sana Na N’Hada; “Tu mourras à 20 ans” (2019), de Amjad Abu Alala; e “Tug of War” (2021), de Amil Shivji. As produções representam diferentes contextos históricos e culturais, incluindo experiências relacionadas à colonização, às transformações sociais, à juventude e às relações familiares.
Documentário baiano abre o Festival CineMonde
A produção brasileira selecionada para a abertura é “Cartas para…” (2025), documentário dirigido por Vânia Lima, com duração de 89 minutos. O filme acompanha as experiências de três escritoras: Paulina Chiziane, em Moçambique; Elisa Lucinda, no Brasil; e Raquel Lima, em Portugal.
A narrativa é construída a partir da troca de nove cartas que atravessam o Atlântico e abordam relações históricas, culturais e sociais entre os países de língua portuguesa. A obra apresenta questões relacionadas ao racismo, ao machismo, à xenofobia e aos desafios enfrentados por mulheres escritoras na diáspora.
A sessão de abertura contará com a presença de Vânia Lima para uma conversa com o público após a exibição. A atividade está programada para segunda-feira (09/11/2026), às 17h30, com apresentação de curtas-metragens antes do documentário, seguida de coquetel e apresentação de DJ.
Curtas-metragens ampliam diversidade de linguagens
A seleção de curtas reúne cinco produções de diferentes origens e linguagens audiovisuais. Entre elas estão “Azumah: The Ghanaian Hero” (2018), de Nii Ofei-Kyei Dodoo; “Kaminhu” (2023), de Marie Vieillevie; e “Le Pharaon, le Sauvage et la Princesse” (2022), de Michel Ocelot.
Também integram a mostra “Microbus” (2021), da diretora egípcia Maggie Kamal, e “Sèt Lam” (2023), de Vincent Fontano, produção ambientada na Ilha da Reunião.
Os filmes abordam temas como trajetórias individuais, relações comunitárias, tradições, deslocamentos e experiências sociais. A diversidade de formatos permite apresentar ao público diferentes perspectivas da produção audiovisual africana e de territórios ligados à cultura francófona.
Sessões educativas promovem formação de público
Além das exibições abertas ao público, o Festival CineMonde prevê sessões educativas gratuitas, seguidas de debates, diariamente às 9h30 e às 14h. As atividades são destinadas a estudantes do ensino fundamental, ensino médio e graduação.
A proposta é aproximar instituições de ensino da produção cinematográfica africana e brasileira, utilizando as obras como ponto de partida para discussões sobre história, cultura, sociedade e linguagem audiovisual.
Escolas e instituições interessadas em organizar a participação de grupos de estudantes podem entrar em contato pelo endereço cinemonde@afbahia.com.br, utilizado para articulação das visitas e reservas das atividades educativas.
Abertura e encerramento terão programação gratuita
A abertura oficial ocorre na segunda-feira (09/11/2026), às 17h30, no Teatro Molière. A programação começa com a exibição dos curtas “Azumah: The Ghanaian Hero”, “Kaminhu” e “Sèt Lam”. Na sequência, às 18h30, será apresentado o documentário “Cartas para…”, seguido de conversa com a diretora Vânia Lima. A noite termina com coquetel e DJ.
O encerramento está marcado para quinta-feira (12/11/2026). A partir das 19h, haverá um coquetel de despedida, seguido, às 20h, da exibição do curta-metragem “Kaminhu” e do longa “Nome” (2023), dirigido por Sana Na N’Hada.
Os dois eventos especiais são gratuitos e abertos ao público, conforme a organização. As demais sessões regulares terão ingressos no valor de R$ 10.
Curadoria relaciona cinema, história e diálogos entre África e Bahia
A curadoria do festival é assinada por Alberto Iannuzzi, Caio Cezar Souza de Araujo, Nicolas Piccato e Sandrine dos Santos. O grupo reúne profissionais com atuação nas áreas de produção cinematográfica, artes visuais, pesquisa acadêmica, indústrias culturais e difusão audiovisual.
Alberto Iannuzzi é produtor e diretor ítalo-brasileiro, nascido em Salvador, com trajetória profissional em países africanos. Caio Cezar Souza de Araujo é cineasta e artista visual, com formação em Artes Visuais e doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Universidade Federal da Bahia (UFBA).
Nicolas Piccato atua nas indústrias culturais e exerce a função de adido audiovisual da Embaixada da França no Brasil. Sandrine dos Santos é especialista francesa em cultura, doutoranda em cinema e diretora da Aliança Francesa de Salvador.
Salvador recebe festival em contexto de expansão audiovisual
A escolha de Salvador como sede do CineMonde está relacionada à presença de instituições culturais e iniciativas de desenvolvimento do setor audiovisual na Bahia. Entre as referências citadas pela organização estão o SalCine, plano municipal de desenvolvimento do audiovisual lançado em 2023, e a Bahia Filmes, empresa pública estadual voltada ao setor.
A temática dedicada ao cinema africano também estabelece conexão com a formação histórica e cultural da capital baiana. A realização do festival ocorre poucos dias antes do Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, data que integra o calendário de reflexão sobre a história e a contribuição da população negra no Brasil.
A programação pretende ampliar o acesso a cinematografias de diferentes países africanos e estimular o intercâmbio entre realizadores, pesquisadores, professores, estudantes e espectadores. O festival também busca estabelecer relações entre as narrativas africanas, a produção audiovisual baiana e as experiências culturais da diáspora.
CineMonde terá programação regular a partir de 2027
A organização anunciou que o projeto terá continuidade após a primeira edição. A partir de janeiro de 2027, o Teatro Molière passará a funcionar como Cine Teatro Molière, com sessões regulares do CineMonde às terças-feiras à noite.
A programação permanente deverá manter a proposta de reunir produções baianas e africanas, incorporando também filmes franceses e obras da comunidade francófona internacional. Os detalhes da nova etapa serão apresentados durante a abertura oficial do festival, em 9 de novembro.
A iniciativa amplia a perspectiva de continuidade da circulação de filmes africanos e baianos em Salvador, para além das quatro jornadas da edição inaugural.


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