Bolsa Atleta auxilia kickboxer de Salvador a retomar carreira após quatro anos afastado

O atleta profissional de kickboxing Gilmar de Jesus, de 34 anos, morador de Salvador, atribui ao esporte parte importante de sua trajetória de enfrentamento à obesidade e à depressão. Após iniciar a modalidade aos 13 anos, conquistar títulos na juventude e interromper as competições por quatro anos, ele retomou a carreira em janeiro de 2025. Atualmente, recebe apoio do programa Bolsa Atleta, iniciativa da Prefeitura de Salvador voltada ao incentivo financeiro de atletas e paratletas.

A aproximação de Gilmar com o kickboxing ocorreu durante a adolescência, por incentivo de um primo, que o levou a um projeto esportivo desenvolvido no colégio onde estudava, no bairro do Lobato. Na época, segundo o atleta, o excesso de peso e as situações de preconceito que enfrentava influenciaram sua relação com a atividade física.

“É o coração na ponta da luva. Foi onde eu consegui superar os limites, vencer a obesidade e superar a depressão. O esporte transforma, faz o homem ser um leão todos os dias”, declarou Gilmar ao falar sobre o significado da modalidade em sua vida.

O atleta começou a treinar aos 13 anos e, aos 14, conquistou o título de campeão juvenil. Aos 17, alcançou o campeonato profissional. Em 2021, enfrentou um quadro de depressão e permaneceu quatro anos sem participar de competições, período que interrompeu sua trajetória nos ringues.

Retorno às competições e conquistas em 2025

A retomada ocorreu em janeiro de 2025, depois de um convite do atual professor, Helenilson Nunes. No retorno, Gilmar conquistou o título de campeão brasileiro de kickboxing. Segundo o atleta, naquele ano também obteve resultados em outras modalidades da luta, após um período de preparação física e treinamento.

Gilmar relata que perdeu 34 quilos entre janeiro e maio de 2025. No fim de 2024 e início de 2025, pesava aproximadamente 136 quilos e chegou a cerca de 102 ou 103 quilos durante o processo de preparação. Ele afirma que a mudança exigiu dedicação aos treinos e reorganização da rotina.

“Foi um ano de treino duro e dedicação, eu ainda não recebia o Bolsa Atleta. Corri atrás, pedi proteção a Deus e entendimento”, afirmou. O relato situa parte das conquistas esportivas antes do recebimento do auxílio municipal.

Equipamentos e custos da preparação esportiva

Para Gilmar, o apoio financeiro do Bolsa Atleta contribui para reduzir as dificuldades relacionadas aos custos de treinamento e participação em competições. O atleta destaca que os equipamentos exigidos nas disputas precisam seguir as especificações e as marcas autorizadas pelas organizações responsáveis pelos eventos.

Como exemplo, ele cita o preço das caneleiras utilizadas nas competições de tatame, que, conforme sua estimativa, varia entre R$ 900 e R$ 1.200, dependendo da marca. O valor representa uma despesa relevante para atletas que não dispõem de patrocínio ou de outras fontes de financiamento.

“O material para treinar e competir é caro. Para quem ganha um salário mínimo não dá. Nas competições, o atleta só pode usar a marca autorizada”, explicou. A declaração evidencia uma das despesas que podem comprometer a continuidade de esportistas em modalidades que exigem equipamentos específicos.

Bolsa Atleta contempla 412 beneficiários em Salvador

Executado pela Secretaria Municipal de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esportes e Lazer (Sempre), o Bolsa Atleta é uma política pública municipal destinada a oferecer suporte financeiro a atletas e paratletas. O objetivo é contribuir para as condições de treinamento, participação em competições e desenvolvimento esportivo.

O benefício mensal varia de R$ 300 a R$ 2 mil, conforme a categoria do contemplado. Neste ano, de acordo com os dados divulgados pela Prefeitura, o programa passou a conceder 412 bolsas, distribuídas entre 24 modalidades esportivas. No ano anterior, foram registradas 334 concessões, o que representa acréscimo de 78 benefícios, ou aproximadamente 23,4%.

As modalidades contempladas incluem atletismo, basquete, beach tennis, BMX Racing, canoa polinésia, capoeira, futebol americano, ginástica, jiu-jítsu, judô, karatê, kickboxing, natação, orientação, remo, skate, stand up paddle, taekwondo, tiro com arco, triatlo, tênis, vela, voleibol e xadrez.

Incentivo público e continuidade das carreiras esportivas

A experiência de Gilmar demonstra como o suporte financeiro pode integrar as condições necessárias para a permanência de atletas em competições. Além dos custos com equipamentos, a preparação esportiva envolve despesas com treinamento, deslocamento, alimentação e inscrição em eventos, que podem variar conforme a modalidade e o calendário competitivo.

Ao recomendar a prática esportiva a quem está começando, o kickboxer destaca a importância da confiança no próprio potencial e da continuidade dos treinamentos. Ele também atribui parte de sua trajetória ao apoio de pessoas que acreditaram em sua capacidade de competir e desenvolver uma carreira no esporte.

A ampliação do Bolsa Atleta de 334 para 412 bolsas indica aumento do número de beneficiários contemplados pela política municipal. Para atletas como Gilmar, o programa representa uma fonte de apoio à preparação e à participação em competições, especialmente diante dos custos envolvidos na prática esportiva profissional.


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