Lula é reeleito com 51,79% e vence no Nordeste enquanto Flávio lidera no Sul e Centro-Oeste

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República no segundo turno das Eleições 2026, realizado no domingo (25/10/2026), ao obter 51,79% dos votos válidos, equivalentes a 64.256.232 votos. O senador Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 48,21%, totalizando 59.826.041 votos. Com 100% das seções eleitorais apuradas, a diferença entre os candidatos foi de 4.430.191 votos, segundo os dados da totalização eleitoral.

O resultado garantiu a Lula um quarto mandato presidencial não consecutivo. No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro havia terminado à frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do petista. Na etapa final, Lula ampliou sua votação e reverteu a desvantagem inicial. A vitória foi confirmada pela Justiça Eleitoral e noticiada por veículos nacionais e internacionais.

A disputa terminou com 124.082.273 votos válidos. Foram contabilizados ainda 1.430.496 votos em branco (1,12%) e 2.723.305 votos nulos (2,12%). O comparecimento foi de 128.236.074 eleitores, enquanto a abstenção chegou a 30.509.005 pessoas, o equivalente a 19,22% do eleitorado apto.

Nordeste assegura maior vantagem de Lula na eleição presidencial

A distribuição regional dos votos foi determinante para o resultado nacional. O Nordeste concentrou a maior vantagem de Lula, com 69,37% dos votos válidos, contra 30,63% de Flávio Bolsonaro. A diferença regional compensou as derrotas do presidente em áreas do Centro-Sul, onde o candidato do PL obteve percentuais superiores.

No Norte, a disputa terminou praticamente empatada, com Lula registrando 50,01% e Flávio Bolsonaro, 49,99%, conforme os dados regionais apresentados no levantamento. O resultado contrastou com a votação no Sudeste, onde o senador alcançou 52,76%, ante 47,24% do presidente reeleito.

Nas regiões Sul e Centro-Oeste, Flávio Bolsonaro obteve suas maiores proporções de votos. No Sul, registrou 62,30%, contra 37,70% de Lula. No Centro-Oeste, chegou a 62,58%, enquanto o petista somou 37,42%. A diferença territorial evidencia a distribuição desigual do apoio eleitoral entre os dois candidatos.

Desempenho regional dos candidatos

  • Nordeste: Lula, 69,37%; Flávio Bolsonaro, 30,63%.
  • Norte: Lula, 50,01%; Flávio Bolsonaro, 49,99%.
  • Sudeste: Flávio Bolsonaro, 52,76%; Lula, 47,24%.
  • Sul: Flávio Bolsonaro, 62,30%; Lula, 37,70%.
  • Centro-Oeste: Flávio Bolsonaro, 62,58%; Lula, 37,42%.

No Sudeste, Flávio Bolsonaro liderou em São Paulo e no Rio de Janeiro, enquanto Minas Gerais apresentou uma disputa equilibrada e contribuiu para a recuperação nacional de Lula. O resultado mineiro foi relevante porque o presidente reverteu a desvantagem registrada no primeiro turno no estado, segundo análises da votação.

Lula reverte resultado do primeiro turno e amplia votação

No primeiro turno, Flávio Bolsonaro recebeu aproximadamente 56,1 milhões de votos, correspondentes a 47,03% dos válidos, enquanto Lula somou cerca de 53,9 milhões, ou 45,16%. Como nenhum candidato alcançou a maioria absoluta dos votos válidos, a disputa foi decidida em segundo turno.

Na votação de 25 de outubro, Lula alcançou 64.256.232 votos, e Flávio Bolsonaro terminou com 59.826.041. A mudança no resultado mostra que a liderança inicial do senador não se converteu em vitória na etapa final. A ampliação da votação de Lula ocorreu em um cenário de mobilização eleitoral e de diferenças regionais acentuadas.

A totalização foi realizada pelo sistema eletrônico de votação. Segundo os dados divulgados, 1.551 urnas precisaram ser substituídas por falhas técnicas, com uso de equipamentos de contingência. O procedimento foi realizado durante a votação, sem alteração do resultado final anunciado pela Justiça Eleitoral.

Prorrogação do horário de votação provoca contestação

A apuração do segundo turno foi afetada por uma decisão judicial que prorrogou o horário de encerramento de determinadas seções eleitorais até as 19h. A medida foi tomada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), após relatos de dificuldades logísticas no transporte de eleitores. As duas campanhas haviam apresentado pedidos relacionados à extensão do horário de votação.

A alteração adiou o início da divulgação consolidada dos resultados, uma vez que o sistema precisou aguardar o encerramento das seções abrangidas pela decisão. O tema tornou-se um dos pontos de contestação após a confirmação da vitória de Lula. Segundo a Reuters, a extensão foi questionada por Flávio Bolsonaro, embora sua campanha também tivesse solicitado medidas relacionadas ao horário de votação.

Após a divulgação do resultado, Flávio Bolsonaro afirmou inicialmente que considerava impossível reconhecer a eleição e criticou a decisão judicial. A contestação ocorreu apesar da conclusão da totalização eleitoral. Posteriormente, o Partido Liberal reconheceu formalmente a vitória de Lula, embora tenha defendido esclarecimentos sobre as questões levantadas. Novo mandato começa sob pressão de um Congresso mais conservador

A reeleição abre caminho para que Lula inicie seu quarto mandato presidencial em janeiro de 2027. O resultado, porém, não elimina os desafios políticos. A composição do Congresso eleito em 2026 apresenta uma presença expressiva de parlamentares de direita e centro-direita, o que deverá exigir negociações para a aprovação de propostas do Executivo.

A relação com o Legislativo será central para a tramitação de medidas econômicas, sociais e administrativas. A oposição fortalecida poderá limitar a capacidade de articulação do governo, enquanto partidos de centro terão papel relevante na formação de maiorias parlamentares.

A vitória de Lula também teve repercussão nos mercados financeiros e nas relações internacionais. A Reuters registrou reação negativa de ativos brasileiros após o resultado, em meio às expectativas de investidores e às incertezas sobre a política fiscal do novo governo. A agenda presidencial deverá combinar a implementação de compromissos de campanha com negociações sobre orçamento, crescimento econômico e dívida pública.

O resultado de 2026 confirma, assim, a continuidade de Lula na Presidência, mas também evidencia a divisão territorial do eleitorado e a força parlamentar dos grupos adversários. O desempenho no Nordeste foi decisivo para a margem nacional, enquanto a votação de Flávio Bolsonaro no Sul, Centro-Oeste e parte do Sudeste demonstra a permanência de uma base eleitoral ampla para a oposição.


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