O Governo da Bahia, por meio da Polícia Civil, realizou na quarta-feira (21/10/2026), no auditório do Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA), no Centro Administrativo da Bahia (CAB), em Salvador, mais uma edição do projeto Papo de Homem – Consciência e Combate à Violência contra a Mulher. A atividade discutiu prevenção à violência doméstica e familiar, padrões de masculinidade, responsabilidade nas relações e cumprimento das medidas protetivas previstas na legislação.
Coordenada pelo Departamento de Proteção à Mulher, Cidadania e Pessoas Vulneráveis (DPMCV), em parceria com a Academia da Polícia Civil (Acadepol), a iniciativa busca estimular o envolvimento dos homens na prevenção de agressões e na construção de relações baseadas no respeito e na igualdade. O encontro também abordou comportamentos associados à violência de gênero e as medidas que profissionais de segurança podem adotar nos ambientes de trabalho e na vida cotidiana.
A programação contou com participação on-line de agentes de segurança pública dos 417 municípios baianos e reuniu representantes da Polícia Civil da Bahia (PCBA), Polícia Militar da Bahia (PMBA), Corpo de Bombeiros Militar da Bahia (CBMBA), Departamento de Polícia Técnica (DPT), Guarda Civil Municipal (GCM), Transalvador e Ministério Público da Bahia. Também participaram representantes da Defensoria Pública e do Tribunal de Justiça da Bahia.
Integração institucional e prevenção à violência de gênero
O delegado-geral da Polícia Civil da Bahia, André Viana, afirmou que o projeto procura ampliar a reflexão sobre a prevenção de crimes contra mulheres e fortalecer a atuação conjunta das instituições públicas.
“Procuramos enfatizar a consciência e trazer uma reflexão sobre esse importante tema, que envolve a prevenção dos crimes contra as mulheres. As forças policiais têm a obrigação de preservar e garantir a segurança das mulheres, e a reflexão é a nossa ferramenta de prevenção”, declarou.
A diretora do DPMCV, delegada Juliana Fontes, destacou o papel dos profissionais de segurança pública na disseminação de comportamentos preventivos. Segundo ela, a posição ocupada por esses agentes na sociedade pode contribuir para ampliar o alcance das orientações sobre proteção das mulheres e das meninas.
“Esses homens têm um papel de destaque na sociedade. Muitos ouvem os policiais e as forças de segurança. Eles têm poder e precisam usá-lo para proteger a sociedade, as mulheres e as meninas”, afirmou Juliana Fontes.
Masculinidade, resolução de conflitos e igualdade entre os gêneros
A programação abordou ciclos e comportamentos associados à violência contra a mulher, com orientações sobre como identificar condutas de risco e atuar para evitar a reprodução de práticas abusivas. A proposta é envolver os homens na prevenção, reconhecendo a importância da responsabilidade individual e institucional para interromper situações de violência doméstica e familiar.
O delegado Luiz Henrique Machado, de Ilhéus, participou das discussões com base em sua experiência profissional. Ele trabalhou durante 14 anos na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Vitória da Conquista, onde atuou em ocorrências relacionadas à violência de gênero.
Machado destacou a necessidade de enfrentar discursos que reforçam desigualdades entre homens e mulheres, incluindo os associados a movimentos conhecidos como red pills. Para o delegado, os homens devem contribuir para a construção de formas não violentas de resolução de conflitos e para a promoção da igualdade e da equidade entre os gêneros.
“O homem precisa mostrar outro caminho, outra forma de resolução de conflitos e a necessidade da igualdade e da equidade entre os gêneros”, afirmou.
Próximas edições estão previstas para novembro e dezembro
O projeto Papo de Homem integra as ações de prevenção desenvolvidas pela Polícia Civil da Bahia e busca estimular a participação masculina no enfrentamento à violência contra mulheres. A iniciativa também enfatiza a importância do cumprimento das medidas protetivas e da observância da legislação que trata da violência doméstica e familiar.
A articulação entre Polícia Civil, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, órgãos periciais, guardas municipais, Ministério Público, Defensoria Pública e Judiciário foi um dos eixos do encontro. A participação de representantes dessas instituições permite discutir responsabilidades e formas de atuação coordenada na prevenção e no atendimento de ocorrências.
De acordo com a organização, novas edições estão previstas para novembro e dezembro de 2026, mas as datas ainda não foram divulgadas. Os agentes de segurança interessados devem acompanhar os canais oficiais da Polícia Civil da Bahia para consultar os próximos encontros e as orientações de participação.
A iniciativa procura ampliar o debate sobre a responsabilidade dos homens na prevenção da violência de gênero e fortalecer a atuação das instituições públicas. O projeto também se insere em um esforço mais amplo de conscientização social, no qual a prevenção, a responsabilização dos agressores e a proteção das mulheres são componentes complementares do enfrentamento à violência.


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