A ministra da Cultura, Margareth Menezes, e o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, visitaram a exposição “Atlântico Sertão”, em cartaz no Museu de Arte da Bahia (MAB), em Salvador. A visita foi conduzida pela idealizadora do projeto, Marina Maciel, e pelo curador Marcelo Campos. Também participaram Tarciana Medeiros, presidenta do Banco do Brasil, e Júlio Paranaguá, gerente-geral do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) Salvador, instituição responsável pela realização da mostra.
Durante a visita, foi anunciada a abertura do CCBB Salvador em 21 de novembro de 2026, no Palácio da Aclamação, localizado na região do Campo Grande. O novo equipamento cultural terá programação própria e ampliará a presença do Centro Cultural Banco do Brasil na capital baiana.
Com entrada gratuita, a exposição reúne mais de 80 artistas, a maioria das regiões Norte e Nordeste, e apresenta pinturas, esculturas, fotografias, vídeos e instalações. A mostra propõe uma reflexão sobre as relações entre o Atlântico e o sertão brasileiro, considerando aspectos históricos, culturais, ambientais e sociais relacionados à ancestralidade, à resistência e à defesa dos direitos humanos.
Exposição aborda memória, ancestralidade e direitos humanos
Idealizada por Marina Maciel, mestra e doutoranda em Direito pela Universidade de Brasília (UnB), a exposição tem curadoria de Marcelo Campos, curador-chefe do Museu de Arte do Rio (MAR), em parceria com Ariana Nuala, Amanda Rezende, Jean Carlos Azuos, Rita Vênus e Thayná Trindade. O projeto tem como ponto de partida a pesquisa de Maciel sobre a arte como instrumento de defesa dos direitos humanos.
A mostra articula os conceitos de “Atlântico” e “Sertão” para discutir territórios marcados por diferentes experiências históricas. O Atlântico remete aos deslocamentos forçados e à violência colonial, incluindo o tráfico transatlântico de pessoas escravizadas. Já o sertão é apresentado para além da associação com isolamento e marginalização, como espaço de criação, circulação de saberes e produção cultural.
Durante a visita, Marcelo Campos destacou a circulação nacional da exposição, que passou por São Paulo antes de chegar a Salvador e seguirá posteriormente para Brasília. Para o curador, a itinerância cria oportunidades de articulação entre instituições e públicos em torno da arte e da cultura brasileiras.
Marina Maciel, por sua vez, relacionou a chegada da mostra a Salvador à história da cidade e às possibilidades de utilizar a arte para abordar a memória da escravização e a reparação histórica. A proposta, segundo a idealizadora, é promover o debate sobre direitos humanos por meio de diferentes linguagens artísticas.
Artistas baianos integram a seleção
Entre os artistas presentes na exposição estão Nádia Taquary, Yacunã Tuxá, Lita Cerqueira, J. Cunha, Ayrson Heráclito e Zé di Cabeça. A seleção também inclui artistas indígenas e afrodescendentes, com obras que abordam ancestralidade, espiritualidade, ecologia, memória coletiva e diferentes formas de organização comunitária.
Os trabalhos apresentam perspectivas sobre as relações entre cultura, território e identidade, reunindo referências de diferentes regiões brasileiras. A presença expressiva de artistas do Norte e do Nordeste integra a proposta de ampliar a representação de experiências culturais que nem sempre ocupam o centro das narrativas nacionais.
A exposição está organizada em seis núcleos curatoriais, que abordam relações entre terra e mar, cosmologias, ecologias ancestrais, comunidades, arquivos e conexões históricas e culturais entre Brasil e África. Os eixos apresentam o sertão como território de experiências diversas, atravessado por dimensões históricas, espirituais, políticas e ambientais.
CCBB Salvador terá sede no Palácio da Aclamação
O anúncio da abertura do CCBB Salvador foi feito durante a visita à exposição, com a participação de Margareth Menezes, Jerônimo Rodrigues, Tarciana Medeiros e Júlio Paranaguá. A instituição começará suas atividades na nova sede em 21 de novembro de 2026, no Palácio da Aclamação, no Campo Grande.
A instalação do centro cultural acrescenta um novo espaço à programação artística da capital baiana. A atuação do CCBB inclui exposições e atividades culturais em diferentes linguagens, com projetos que circulam por mais de uma cidade brasileira.
A exposição “Atlântico Sertão”, por sua vez, foi selecionada no Edital CCBB 2026-2027 e viabilizada por meio da Lei Rouanet. O projeto conta com apoio da Organização de Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), do Instituto Guimarães Rosa, do Ministério das Relações Exteriores e do Museu de Arte do Rio.
Serviço: exposição “Atlântico Sertão”
- Local: Museu de Arte da Bahia (MAB)
- Endereço: Avenida Sete de Setembro, 2340, Corredor da Vitória, Salvador
- Período: de 29 de setembro de 2026 a 29 de janeiro de 2027
- Horário: terça-feira a domingo, das 10h às 18h
- Último acesso: 17h30
- Entrada: gratuita
- Classificação indicativa: livre
A exposição oferece ao público a oportunidade de conhecer obras de artistas de diferentes regiões e refletir sobre as relações entre história, ancestralidade, memória e direitos humanos. A abertura anunciada do CCBB Salvador, em novembro, marca uma nova etapa da presença da instituição na capital baiana.


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