Codesal monitora erosão costeira em quatro praias da Barra e prepara plano de prevenção em Salvador

A Defesa Civil de Salvador (Codesal) iniciou um projeto-piloto de monitoramento da erosão costeira em quatro praias da Barra, com o objetivo de identificar alterações na linha de costa e produzir informações técnicas para orientar o planejamento urbano e ambiental. A iniciativa, desenvolvida em parceria com a Prefeitura de Salvador, combina imagens de satélite, levantamentos topográficos de alta precisão e ferramentas de análise geográfica.

A Prefeitura já adquiriu os equipamentos necessários para realizar as medições. As visitas de campo estão previstas para o segundo semestre de 2026 e ao longo de 2027, com a coleta periódica de dados para acompanhar as transformações na faixa de areia.

A escolha dos trechos levou em consideração um estudo preliminar que identificou mudanças na linha de costa nas últimas décadas, além das características geomorfológicas das praias e da relevância da região para o turismo, a dinâmica urbana e o uso público. A iniciativa busca estabelecer uma base de dados para identificar áreas sujeitas à erosão e orientar medidas preventivas, sem prever intervenções físicas nesta etapa.

Tecnologia permite medir alterações na faixa de areia

O monitoramento utilizará a tecnologia GNSS RTK, sistema de posicionamento por satélite com correções em tempo real que permite obter coordenadas com precisão centimétrica. O método possibilita mapear o relevo das praias em detalhes e comparar levantamentos realizados em diferentes períodos.

A previsão é que as medições sejam feitas periodicamente, preferencialmente todos os meses, com campanhas adicionais após eventos climáticos extremos. A frequência permitirá acompanhar mudanças sazonais e avaliar possíveis alterações associadas à ação das ondas, das correntes e do transporte de sedimentos.

Segundo Gabriel Pugliese, oceanógrafo e coordenador do Centro de Monitoramento e Alerta da Defesa Civil de Salvador (Cemadec), a metodologia permitirá compreender melhor o comportamento das praias ao longo do tempo.

“As praias estão em constante transformação pela ação das ondas, das correntes e do transporte de sedimentos. Com medições precisas e comparações ao longo do tempo, podemos identificar melhor os trechos que apresentam sinais de erosão e compreender como essas mudanças evoluem”, explica.

Imagens de satélite e sistemas geográficos vão integrar os dados

As informações coletadas serão organizadas em programas de Sistemas de Informação Geográfica (GIS), como o QGIS, e integradas a imagens de satélite e técnicas de reconstrução batimétrica. A combinação desses recursos deverá ampliar a análise da morfologia costeira, inclusive em trechos com afloramentos rochosos.

A integração dos dados permitirá comparar as condições observadas em diferentes períodos e identificar padrões de transformação da linha de costa. O objetivo é construir uma série histórica capaz de distinguir variações naturais de alterações que possam exigir atenção das autoridades.

Os dados ainda estão em fase de coleta e análise. A Codesal não informou uma data para a divulgação dos primeiros resultados, que serão apresentados posteriormente, conforme o avanço dos trabalhos.

O diretor-geral da Codesal, Adriano Silveira, afirma que o monitoramento deverá contribuir para o planejamento preventivo e para a proteção da infraestrutura costeira.

“Precisamos compreender melhor as transformações que ocorrem nas nossas praias para orientar decisões e planejar medidas de proteção. Esse trabalho nos permite garantir a segurança da população, a preservação da orla, a manutenção da frequência dos turistas e a preservação dos equipamentos públicos”, afirma.

Série histórica será necessária para orientar medidas preventivas

Embora os primeiros resultados possam surgir após as medições iniciais, a formação de uma série histórica consistente exige pelo menos um ano de acompanhamento, segundo a metodologia apresentada pela Codesal. O período permitirá observar variações sazonais e comparar o comportamento das praias em diferentes épocas do ano.

Com os dados acumulados, o órgão pretende subsidiar medidas preventivas, orientar o planejamento urbano e ambiental e contribuir para a definição de prioridades na conservação da orla. A proposta prevê a possibilidade de ampliar gradualmente o monitoramento para outras praias de Salvador, conforme os resultados do projeto-piloto e o planejamento das etapas seguintes.

Nesta fase, a execução está sob responsabilidade da Codesal. O órgão também mantém contato com a Universidade Federal da Bahia (UFBA) para avaliar possibilidades de colaboração técnica e científica.

A ampliação do estudo poderá fornecer informações para diferentes áreas da administração pública, especialmente aquelas relacionadas à defesa civil, ao ordenamento urbano, à gestão ambiental e à manutenção de equipamentos públicos próximos ao mar.

Mudanças climáticas aumentam a necessidade de monitoramento costeiro

O projeto também considera os desafios associados às mudanças climáticas, entre eles a elevação do nível do mar e possíveis alterações no regime de ondas e na frequência de eventos extremos. O acompanhamento da linha de costa poderá ajudar a identificar trechos que demandem atenção especial, inclusive após episódios de ressaca.

A identificação de áreas suscetíveis à erosão é uma etapa importante para avaliar alternativas de prevenção. Entretanto, a escolha de medidas depende das características de cada praia, do comportamento dos sedimentos e dos possíveis impactos sobre o ambiente costeiro.

Uma das intervenções que podem ser consideradas em estudos futuros é a alimentação artificial de praias, técnica que consiste na reposição de areia em trechos afetados pela erosão. Sua adoção exige estudos sobre a compatibilidade do material utilizado, a dinâmica dos sedimentos e os efeitos ambientais, inclusive sobre praias vizinhas.

A Codesal esclarece que o projeto-piloto não prevê intervenções físicas nas praias nesta fase. O foco atual está na coleta e análise de informações que possam fundamentar decisões futuras.

Codesal orienta população a preservar a orla de Salvador

O diretor-geral Adriano Silveira destaca que o conhecimento técnico sobre as condições de cada trecho da costa é necessário para definir prioridades e planejar ações de proteção.

“Conhecer a realidade de cada trecho da nossa orla é essencial para definir prioridades e planejar ações responsáveis. Estamos investindo em conhecimento técnico para que Salvador se torne uma cidade cada vez mais resiliente e preparada para enfrentar as mudanças climáticas e os desafios costeiros, mantendo as praias preservadas”, ressalta.

A população também pode contribuir para a conservação dos ambientes costeiros. Entre as recomendações estão evitar o descarte de resíduos nas praias, respeitar a vegetação de restinga e as áreas naturais e comunicar às autoridades situações como erosão acentuada ou danos em estruturas próximas ao mar.

A oceanógrafa da Codesal Larissa Rayanny reforça que o acompanhamento precisa ser contínuo para produzir informações úteis ao planejamento público.

“Com esse acompanhamento, vamos conseguir enxergar melhor esses processos e ter uma base técnica para orientar as decisões. É um trabalho que exige constância, porque uma praia não se analisa só com uma medição isolada, mas com o conjunto de informações coletadas ao longo dos meses. E isso vai ajudar não só a Codesal, mas toda a cidade a se preparar melhor para os desafios que estão por vir”, conclui.

Com o projeto-piloto, Salvador inicia uma etapa de monitoramento sistemático da erosão em quatro praias da Barra. A expectativa é que os dados acumulados permitam compreender melhor as transformações costeiras e ofereçam suporte técnico para futuras decisões sobre prevenção, planejamento urbano e conservação da orla.


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