A ação busca enfrentar um problema ambiental e operacional: a presença de ninhos em áreas próximas a componentes de alta tensão pode contribuir para desligamentos das linhas de transmissão. Segundo as informações divulgadas pela empresa, o projeto foi desenvolvido com a participação das equipes de Meio Ambiente, Operação e Manutenção, com o objetivo de conciliar a proteção da fauna silvestre e a confiabilidade do fornecimento de energia.
O projeto também prevê monitoramento periódico do comportamento das aves, inspeções técnicas e uso de câmeras para acompanhar a adaptação aos ninhos artificiais. A experiência inicial levou à aprovação da expansão da iniciativa para outros ativos da companhia no Nordeste, com previsão de novas ações em Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará, além da continuidade dos trabalhos em Alagoas.
Projeto-piloto foi aplicado em 20 torres de transmissão
A fase inicial foi implantada em 20 torres da linha de transmissão de 230 quilovolts (kV) Rio Largo II–Arapiraca III, em Alagoas. A seleção das estruturas considerou fatores como o histórico de desligamentos relacionados à presença de aves, a acessibilidade dos locais e a proximidade da Subestação Rio Largo.
Do total de torres selecionadas, metade recebeu intervenções específicas, enquanto as demais foram mantidas como grupo de controle. Essa divisão permitiu comparar as condições das estruturas e acompanhar os resultados das medidas adotadas ao longo do período de observação.
Nas torres escolhidas para a intervenção, foram instalados dispositivos inibidores de pouso, espículas em pontos críticos e plataformas artificiais de nidificação. A estratégia procura reduzir a construção de ninhos em áreas que possam representar riscos para as aves e para a operação elétrica, sem impedir que os animais encontrem locais adequados para se reproduzir.
Plataformas artificiais permitem realocação segura dos ninhos
Segundo a empresa, o acompanhamento do projeto identificou a aceitação das plataformas artificiais pelos carcarás. Em um dos casos monitorados, um ninho construído em uma posição considerada crítica foi substituído por uma estrutura alternativa instalada na própria torre, em local definido como mais seguro.
O casal de aves manteve o ciclo reprodutivo na plataforma, com postura, desenvolvimento do filhote e posterior voo. Conforme o relato da AXIA Energia, o processo ocorreu sem impactos à operação da linha de transmissão e sem necessidade de contato direto com os animais durante a reprodução.
A empresa informa que o manejo é realizado em momentos estratégicos, quando as aves estão ausentes, com procedimentos planejados para reduzir riscos. A experiência reforçou, segundo a companhia, a importância de identificar os ninhos ainda no início da construção, antes que a intervenção se torne mais complexa.
Monitoramento orienta a atuação das equipes técnicas
A estratégia inclui vistorias regulares realizadas em conjunto com as equipes de manutenção. Quando um ninho é identificado em uma área de risco, a equipe de Meio Ambiente avalia as condições e define as medidas de manejo e reposicionamento, conforme os procedimentos adotados no projeto.
O uso de câmeras e o acompanhamento mensal permitem observar a resposta das aves às estruturas instaladas e avaliar a necessidade de ajustes. A integração entre as áreas ambientais e operacionais é parte do modelo desenvolvido para reduzir a possibilidade de desligamentos associados à presença de ninhos em pontos críticos.
Jader Fernandes de Jesus, diretor de Licenciamento Ambiental e Condicionantes da AXIA Energia, afirmou que a iniciativa foi concebida para responder a uma demanda operacional sem comprometer o ciclo de vida das aves. Segundo o executivo, os resultados obtidos motivaram a empresa a planejar a replicação do modelo em outros ativos.
Cipó biodegradável é usado na construção das plataformas
As plataformas artificiais são confeccionadas em formato de cestos de cipó, material natural e biodegradável. A escolha levou em consideração características como resistência mecânica, adaptação às condições climáticas, conforto térmico e semelhança com estruturas utilizadas naturalmente pelas aves para construir seus ninhos.
De acordo com a empresa, essas características podem favorecer a aceitação dos dispositivos pelos carcarás e reduzir o impacto ambiental da solução. A escolha do material também contempla aspectos econômicos: os cestos foram adquiridos de fornecedores da região, contribuindo para a valorização do trabalho artesanal e do conhecimento tradicional local.
A utilização do cipó integra a proposta de desenvolver uma alternativa que considere tanto as necessidades operacionais do setor elétrico quanto as características biológicas da espécie. O resultado depende, contudo, do posicionamento adequado das plataformas, do acompanhamento técnico e da avaliação contínua das condições de segurança.
AXIA Energia prevê ampliar a iniciativa no Nordeste
Após a experiência-piloto, a AXIA Energia aprovou a ampliação do projeto para outros ativos da companhia. Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará estão entre os estados previstos para receber novas intervenções, enquanto as ações em Alagoas também deverão ser ampliadas.
O plano inclui testes com materiais alternativos, aperfeiçoamento dos dispositivos inibidores e ampliação do uso de tecnologias de monitoramento. A empresa também prevê avaliar a aplicação da solução para outras espécies de aves em diferentes regiões do país, considerando as particularidades de cada ambiente e estrutura.
A iniciativa apresenta uma abordagem que combina prevenção, monitoramento e alternativas de nidificação para lidar com a presença da fauna em instalações de transmissão. A continuidade da expansão dependerá da avaliação dos resultados em campo e da adaptação das medidas às condições de cada ativo, mantendo como objetivos a proteção das aves silvestres e a segurança operacional do sistema elétrico.


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