O poeta e performer baiano Alex Simões realiza, em outubro, uma circulação literária por diferentes territórios, com apresentações de poeformance, lançamento do livro assim na terra como no selfie e oficinas de poesia e técnicas básicas de encadernação. Na Bahia, a programação contempla Diogo, Massarandupió e Rio de Contas, com atividades voltadas à difusão da literatura contemporânea, à formação de leitores e ao estímulo à produção autoral. O projeto também teve início em Lisboa, Portugal, no dia 1º de outubro.
A agenda baiana começa em Diogo, no dia 22 de outubro, com uma oficina das 14h às 17h. A partir das 18h, o público poderá acompanhar a poeformance, realizada em diálogo com o músico Ivan Huol, seguida do lançamento do livro. Em Massarandupió, as atividades ocorrem no dia 23, com oficina no período da tarde e apresentação e lançamento a partir das 18h. A circulação termina, na Bahia, em Rio de Contas, no dia 30 de outubro, durante a programação da Festa Literária de Rio Contas (FLIRCONTAS).
A programação reúne diferentes formas de contato com a literatura, combinando leitura, oralidade, música, expressão corporal e produção artesanal de livros. Informações adicionais sobre as atividades podem ser consultadas no perfil de Alex Simões no Instagram, @alexsimsimoes.
Poeformance aproxima poesia, música e artes cênicas
A poeformance constitui um dos eixos centrais do projeto. Criada e apresentada por Alex Simões em diálogo com Ivan Huol, a proposta combina textos poéticos, interpretação e música para levar a literatura ao espaço da apresentação ao vivo.
O repertório estabelece conexões entre a produção autoral de Simões e obras de nomes como Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira e Caetano Veloso, além de referências dadaístas, modernistas, tropicalistas e contemporâneas. A apresentação também dialoga com Inferno, de Dante Alighieri, ampliando o repertório de referências literárias e artísticas mobilizadas no espetáculo.
Ao transferir os poemas da página para a cena, a performance explora a voz, o ritmo, o corpo e a presença do público. A proposta também se relaciona à diversidade formal do livro assim na terra como no selfie, no qual a escrita incorpora jogos de linguagem, experimentações visuais, elementos da oralidade e referências à cultura digital.
Livro aborda redes sociais, cotidiano e experiência contemporânea
Publicado em 2021 pelo selo editorial paraLeLo13S, ligado à livraria Boto-cor-de-rosa, assim na terra como no selfie reúne poemas que abordam redes sociais, acontecimentos cotidianos, pandemia, desejos, memórias e contradições da vida contemporânea.
A obra combina referências da tradição literária com expressões e situações presentes na comunicação digital. No poema “QU4DR1LHA”, por exemplo, Alex Simões reelabora elementos da conhecida “Quadrilha”, de Carlos Drummond de Andrade, transportando personagens e relações para um universo marcado por direct messages, fake news, matches e publicações em Stories.
A experimentação também aparece em poemas que abordam questões pessoais e coletivas. Em “45”, o autor explora dúvidas, desencontros e reflexões sobre a existência. Já em “tapetum lucidum”, a escrita se volta para o corpo, a identidade, as diferenças e as formas de pertencimento. Em “In:___desejado”, a estrada funciona como imagem para tratar de encontros, desejos e deslocamentos.
Em “cama de gato”, a composição dos versos é associada à construção de uma trama de fios que se cruzam e se reorganizam. A imagem sintetiza uma escrita que articula diferentes referências, experiências e possibilidades formais, aproximando a linguagem poética das situações vividas pelo autor e observadas no mundo.
Oficinas incentivam criação poética e produção de cadernos
Além das apresentações e do lançamento editorial, o projeto prevê a oficina “Tudo métrica e rima num caderno”, realizada em Diogo e Massarandupió. A atividade tem como público prioritário estudantes dos territórios participantes com idade a partir de 16 anos.
Com duração de três horas, a oficina apresenta noções básicas de versificação, incluindo verso, ritmo, escansão e rima. Os participantes também são convidados a experimentar a construção de quadras em redondilha menor e maior, formas poéticas organizadas a partir da contagem de sílabas métricas.
A programação inclui técnicas básicas de encadernação e a organização de poemas lidos e textos produzidos durante o encontro. Ao final da atividade, cada participante leva o próprio caderno, reunindo o resultado da experiência de criação e confecção artesanal.
A oficina amplia a proposta da circulação ao associar a apresentação de uma obra publicada à formação de novos autores. Dessa maneira, o projeto articula acesso à literatura, experimentação da linguagem e desenvolvimento de práticas de escrita nos territórios contemplados.
Circulação integra política pública de fomento à cultura
O projeto foi contemplado em editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura na Bahia, realizados com recursos do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura, e executados pelo Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado.
A iniciativa integra ações de circulação e formação cultural, levando atividades literárias a localidades distintas e promovendo o contato entre artistas, estudantes e público interessado em poesia. A combinação de performance, lançamento editorial e oficina permite que a programação contemple tanto a fruição artística quanto a participação direta em processos de criação.
A passagem por Diogo, Massarandupió e Rio de Contas também estabelece uma conexão entre a literatura contemporânea e os espaços culturais locais, valorizando o encontro presencial e a diversidade de expressões artísticas.
Alex Simões reúne trajetória na poesia e na performance
Nascido em Salvador, em 1973, Alex Simões é poeta e performer com produção publicada desde 2013. Entre seus livros estão quarenta e uns sonetos catados (2013), (hai)céufies (2014), Contrassonetos (2015), trans formas são (2018) e no meu corpo o canto: #experimentoscomletrasurbanas (2020), este último realizado em coautoria com a Tanto Criações Compartilhadas.
Seus poemas integram antologias, coletâneas e revistas nacionais e internacionais, com traduções para o espanhol e o inglês. Desde a década de 1990, o autor participa de saraus, festivais literários e eventos que articulam diferentes linguagens artísticas na Bahia e em outros lugares.
Em 2017, participou do recital Resistencia, em Havana, Cuba. No ano seguinte, integrou um workshop de poesia visual na Poetry Foundation, em Chicago, nos Estados Unidos, durante o intercâmbio Close to There/Perto de Lá. Em 2020, sua produção foi objeto de estudo na disciplina Introdução à Literatura Lusófona, da University of Washington.
Com a circulação de outubro, Alex Simões reúne literatura, música, performance e formação em uma programação que percorre diferentes localidades. O projeto conecta a publicação de assim na terra como no selfie à experiência da poesia ao vivo e à criação de novos textos, ampliando as possibilidades de aproximação entre a obra, os participantes das oficinas e o público baiano.


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