Oscilações hormonais podem afetar humor, libido e disposição dos homens

As variações hormonais masculinas, especialmente relacionadas à testosterona, podem influenciar aspectos como disposição física, libido, humor, concentração e qualidade do sono. Segundo o urologista e professor da Afya Salvador, Adriano Caldeira, essas alterações podem ocorrer naturalmente ao longo do dia e também sofrer influência de fatores como idade, estresse, alimentação, atividade física e qualidade do sono.

A testosterona é produzida principalmente nos testículos e participa de diferentes funções do organismo masculino, incluindo desejo sexual, manutenção da massa muscular, energia e produção de espermatozoides. Os níveis do hormônio apresentam variações ao longo do dia, geralmente com valores mais elevados pela manhã e redução progressiva posteriormente.

De acordo com Caldeira, mudanças na disposição ou no comportamento podem ser percebidas de forma gradual e, em alguns casos, acabam atribuídas apenas à rotina profissional, ao estresse ou à falta de descanso. Entre os sinais que podem estar associados a alterações hormonais estão cansaço persistente, redução da libido, irritabilidade, dificuldade de concentração e diminuição da disposição física.

Sono, estresse e sedentarismo podem influenciar a saúde hormonal

Além da variação natural dos hormônios, hábitos de vida também interferem no funcionamento do organismo masculino. Sono inadequado, sedentarismo, alimentação desequilibrada, excesso de gordura corporal e consumo elevado de álcool podem estar relacionados a alterações metabólicas e hormonais.

Segundo o especialista, a rotina de atividade física, o controle do peso e a qualidade do sono estão entre os fatores que devem ser observados quando um homem percebe mudanças persistentes na energia, no humor ou na libido.

Caldeira afirma que os efeitos podem envolver tanto aspectos físicos quanto emocionais. “Os homens também apresentam oscilações hormonais, principalmente da testosterona. A testosterona costuma atingir níveis mais altos pela manhã e pode variar conforme sono, estresse, atividade física, alimentação e idade”, explica.

O urologista acrescenta que queda de energia, irritabilidade, desânimo, dificuldade de concentração, redução da libido, piora do sono e menor disposição física podem aparecer em quadros associados à deficiência hormonal. Entretanto, esses sintomas não são exclusivos de alterações na testosterona e podem ter diferentes causas.

Redução da testosterona ocorre com o envelhecimento

Com o avanço da idade, a produção de testosterona tende a diminuir gradualmente. O termo “andropausa” é utilizado popularmente para descrever sintomas associados à redução hormonal masculina, embora a queda da testosterona não ocorra de maneira uniforme em todos os homens.

Segundo Caldeira, a produção hormonal pode começar a diminuir gradualmente a partir dos 35 a 40 anos, mas nem todos os homens desenvolvem sintomas relevantes. O especialista ressalta que hábitos considerados prejudiciais à saúde podem contribuir para agravar alterações metabólicas e hormonais.

A literatura médica também destaca que idade, obesidade, diabetes e síndrome metabólica podem estar associados à redução dos níveis de testosterona. A Urology Care Foundation informa que sintomas como diminuição da libido, fadiga, redução da massa muscular e alterações do humor podem ocorrer em homens com deficiência de testosterona, mas ressalta que esses sinais também podem ter outras causas.

Diagnóstico depende de avaliação médica

A presença de cansaço, baixa libido ou alterações de humor, isoladamente, não é suficiente para estabelecer um diagnóstico de deficiência de testosterona. A avaliação médica considera sintomas, histórico clínico, exame físico e exames laboratoriais.

A Urology Care Foundation orienta que a dosagem da testosterona total seja realizada em condições adequadas e que resultados baixos sejam avaliados em conjunto com os sintomas apresentados pelo paciente. A entidade também destaca que outras condições podem provocar manifestações semelhantes.

Por isso, a utilização de testosterona não deve ocorrer apenas com base em sintomas ou como estratégia para combater o envelhecimento. A reposição hormonal deve ser indicada após investigação médica e confirmação da deficiência hormonal quando houver indicação clínica.

Hábitos saudáveis fazem parte dos cuidados

Para Adriano Caldeira, medidas relacionadas ao estilo de vida podem contribuir para a saúde hormonal e metabólica. Prática regular de exercícios físicos, alimentação equilibrada, controle do peso, sono adequado e redução do consumo de álcool estão entre as estratégias apontadas pelo especialista.

“Esses fatores têm impacto direto na produção hormonal. Dormir mal reduz a testosterona, o excesso de gordura abdominal aumenta a inflamação e favorece alterações hormonais, e o sedentarismo piora a circulação, o metabolismo e a disposição”, afirma.

A orientação é que homens que apresentem alterações persistentes de libido, energia, humor, sono ou desempenho físico procurem avaliação profissional. A identificação da causa é importante porque sintomas semelhantes podem estar relacionados a diferentes condições de saúde, e nem todo quadro de indisposição está relacionado à testosterona.


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