O envelhecimento da população amplia a necessidade de atenção à saúde musculoesquelética e à prevenção de acidentes que podem comprometer a mobilidade e a autonomia. No Dia Nacional do Idoso, celebrado em 1º de outubro, o Hospital Ortopédico do Estado da Bahia (HOEB), unidade administrada pelo Einstein Hospital Israelita, reforça a importância de prevenir quedas, fraturas e doenças musculoesqueléticas entre pessoas com 60 anos ou mais.
O HOEB registra, em média, mais de 2 mil consultas ambulatoriais por mês de pacientes idosos. Na área de reabilitação, aproximadamente 1.300 pacientes passam mensalmente por sessões de fisioterapia, com foco na recuperação da funcionalidade e da independência para as atividades cotidianas. Conforme a condição clínica e as necessidades individuais, o tratamento pode durar de quatro a seis meses e, em alguns casos, chegar a um ano.
Com o avanço da idade, ocorre perda progressiva de massa óssea e muscular, além do desgaste das articulações. Nesse contexto, as quedas podem resultar em fraturas de fêmur, bacia, coluna lombar, punho e ombro, com impactos diferentes conforme as condições de saúde de cada pessoa.
Fraturas podem comprometer mobilidade e independência
Entre os traumas relacionados às quedas, as fraturas de fêmur exigem atenção especial, pois podem limitar significativamente a mobilidade e a independência. Em muitos casos, o tratamento é cirúrgico e precisa ser acompanhado por período de reabilitação para recuperação dos movimentos e da funcionalidade.
Um caso acompanhado pelo HOEB envolve uma moradora de Esplanada, no interior da Bahia, de 98 anos, que sofreu uma queda enquanto varria a própria residência e fraturou o fêmur. Viúva e aposentada, ela vivia com uma sobrinha e uma irmã de 99 anos e mantinha uma rotina ativa e independente antes do acidente.
Após ser encaminhada ao Hospital Ortopédico, a paciente passou por cirurgia e iniciou o período de reabilitação. A expectativa da família é de que a recuperação permita o retorno gradual às atividades que realizava antes da queda. “Nossa expectativa é que, depois da reabilitação, ela possa retomar sua rotina. São duas idosas em casa e a gente quer muito que as duas continuem com a vida da melhor forma possível”, relata a sobrinha Marilene.
O Hospital Ortopédico recebe mensalmente cerca de 290 pacientes idosos para tratamento cirúrgico, com procedimentos realizados diariamente. Para o ortopedista Matheus Risério, referência técnica de traumas da unidade, a prevenção e a identificação antecipada dos fatores de risco são medidas importantes para reduzir as consequências das quedas.
Fatores de risco incluem perda de força, alterações na visão e problemas de equilíbrio
Segundo Matheus Risério, a fragilidade óssea e a perda de massa e força muscular podem aumentar tanto o risco de queda quanto a gravidade das lesões. O especialista também aponta alterações na visão, problemas de equilíbrio e doenças degenerativas entre os fatores que devem ser considerados no acompanhamento da pessoa idosa.
“Por isso, o acompanhamento regular da saúde, a prática de atividade física e a adoção de medidas de segurança são importantes para preservar a mobilidade e a autonomia do idoso”, explica o ortopedista.
A prevenção de quedas também é considerada pelo Ministério da Saúde uma medida de atenção à saúde da pessoa idosa. A orientação oficial destaca que alterações de força muscular, equilíbrio, reflexos e visão podem aumentar o risco de acidentes, mas ressalta que as quedas não devem ser consideradas uma consequência normal do envelhecimento.
Em junho de 2026, o HOEB recebeu a certificação Committed to Care Excellence, concedida pelo Institute for Healthcare Improvement (IHI), segundo informações divulgadas pela unidade. O programa internacional considera aspectos relacionados ao cuidado da pessoa idosa, incluindo o que é importante para o paciente, segurança no uso de medicamentos, mobilidade e saúde mental. De acordo com o hospital, três instituições brasileiras possuem a certificação.
Segurança dentro de casa ajuda a prevenir quedas
O ambiente doméstico está entre os locais que exigem maior atenção na prevenção de acidentes envolvendo idosos. Tapetes soltos, pisos escorregadios, objetos espalhados, móveis mal posicionados e iluminação insuficiente podem dificultar a circulação e aumentar o risco de quedas.
Entre as medidas recomendadas estão a retirada de obstáculos dos locais de passagem, a organização dos móveis, a manutenção de boa iluminação e a instalação de barras de apoio em pontos estratégicos, especialmente no banheiro. Também é indicado evitar superfícies escorregadias e manter os objetos de uso cotidiano em locais de fácil acesso.
Nas áreas externas, calçadas com desníveis, buracos, pisos irregulares e dificuldades de acesso ao transporte público também podem favorecer acidentes. O uso de calçados firmes e adequados, associado à atenção durante os deslocamentos, contribui para a redução dos riscos.
O Ministério da Saúde orienta ainda que pessoas idosas informem à equipe de saúde sobre quedas ou episódios de desequilíbrio, façam avaliações periódicas da visão e utilizem dispositivos de apoio, como bengalas ou andadores, quando houver indicação profissional. A pasta também recomenda atenção ao uso de medicamentos, pois determinados fármacos podem contribuir para o risco de quedas.
Atividade física e alimentação integram estratégia de prevenção
A manutenção da força muscular, do equilíbrio e da mobilidade também depende de atividade física orientada e acompanhamento regular da saúde. O Ministério da Saúde aponta que exercícios voltados ao fortalecimento e ao equilíbrio podem ajudar a reduzir o risco de quedas e contribuir para a manutenção da autonomia e da independência.
No acompanhamento de pacientes idosos, profissionais do Hospital Ortopédico orientam sobre a importância da atividade física e da alimentação adequada. Exercícios orientados podem auxiliar na preservação da força muscular, do equilíbrio e da mobilidade.
Uma alimentação equilibrada, com orientação de profissional de saúde, contribui para o fornecimento adequado de proteínas, cálcio, vitamina D e outros nutrientes relacionados à saúde óssea e muscular. Essas medidas, associadas ao acompanhamento médico e à adaptação dos ambientes, integram uma abordagem voltada à preservação da funcionalidade durante o envelhecimento.
A prevenção, portanto, envolve diferentes dimensões: identificação dos fatores individuais de risco, fortalecimento muscular, acompanhamento das condições de saúde, segurança no ambiente doméstico e atenção durante os deslocamentos. Para a população idosa, essas medidas podem contribuir para reduzir a ocorrência de acidentes e preservar a capacidade de realizar atividades cotidianas com maior independência.


Deixe um comentário