A possibilidade de aumento da circulação de arboviroses associada às condições climáticas influenciadas pelo El Niño levou o Ministério da Saúde a orientar estados e municípios brasileiros a reforçarem ações de vigilância e controle do Aedes aegypti. Na Bahia, dados apresentados no texto-base, referentes ao período de janeiro a 15 de setembro de 2026, indicam 9.990 casos prováveis de chikungunya, contra 2.149 no mesmo período de 2025, uma elevação de 364,9%. Duas mortes foram confirmadas.
O Ministério da Saúde publicou em julho de 2026 uma nota de alerta sobre a possibilidade de aumento de arboviroses no período 2026/2027 em decorrência do El Niño. Segundo a pasta, temperaturas mais elevadas, alterações no regime de chuvas e períodos de seca podem modificar as condições de proliferação do mosquito e estimular o armazenamento de água em determinadas regiões.
Na Bahia, além da chikungunya, são monitorados casos de dengue e zika, doenças transmitidas principalmente pelo Aedes aegypti. O cenário epidemiológico estadual exige acompanhamento contínuo, especialmente diante das variações climáticas e da possibilidade de formação de criadouros em imóveis residenciais, comerciais e áreas públicas.
Calor e armazenamento de água exigem atenção
O infectologista Claudilson Bastos, citado pelo Sabin Diagnóstico e Saúde, explica que períodos de temperaturas mais elevadas já criam condições favoráveis à reprodução dos mosquitos. Segundo o médico, situações de escassez de chuvas podem levar moradores a armazenar água em baldes, reservatórios e outros recipientes, aumentando o risco quando esses locais não são devidamente vedados.
A orientação é manter caixas d’água fechadas e recipientes utilizados para armazenamento devidamente protegidos. Também devem ser eliminados pontos de acúmulo de água em pneus, garrafas, tampas, latas, vasos de plantas e outros objetos expostos.
A população também pode contribuir para o controle do vetor ao comunicar às autoridades municipais a existência de terrenos baldios ou locais que apresentem condições para formação de criadouros. O Ministério da Saúde recomenda que estados e municípios reforcem a vigilância, o bloqueio da transmissão nos primeiros casos identificados e as ações de controle vetorial.
Bahia registra aumento de chikungunya
Segundo os dados da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) apresentados no material, foram notificados 9.990 casos prováveis de chikungunya entre janeiro e 15 de setembro de 2026. No mesmo período de 2025, eram 2.149 registros. A diferença corresponde a um crescimento de 364,9%.
Ao todo, 201 municípios baianos notificaram casos da doença. Desses, 22 apresentaram incidência superior a 100 casos por 100 mil habitantes. Duas mortes relacionadas à chikungunya foram confirmadas no período analisado.
Os números apresentados no texto-base indicam ainda que os casos prováveis de zika passaram de 252 para 260, aumento de 3,2%. Já as notificações de dengue caíram de 27.894 para 23.285, redução de 16,5%. Apesar da queda, foram registradas 12 mortes por dengue no período considerado.
Sintomas ajudam a diferenciar as doenças
Dengue, zika e chikungunya podem apresentar manifestações semelhantes, mas existem diferenças entre os quadros clínicos. Na dengue, os sintomas frequentemente incluem febre alta, dor de cabeça, dores musculares e articulares, dor atrás dos olhos, náuseas, vômitos e manchas avermelhadas na pele. Sinais como sangramento, dor abdominal intensa e dificuldade para respirar podem indicar agravamento e exigem atendimento médico.
A zika costuma apresentar febre baixa ou ausência de febre, manchas na pele, coceira, olhos avermelhados e dores musculares e articulares. Já a chikungunya é frequentemente associada a febre alta e dores intensas nas articulações, além de dor de cabeça, fadiga e manchas na pele.
A orientação diante do surgimento de sintomas compatíveis com qualquer uma dessas doenças é procurar uma unidade de saúde para avaliação clínica e definição da necessidade de exames. A identificação correta do agente causador é importante porque diferentes arboviroses podem apresentar manifestações semelhantes.
Exame molecular busca identificar seis vírus
O material divulgado pelo Grupo Sabin informa que a empresa oferece um exame molecular destinado à identificação, a partir de uma única amostra de sangue, de seis vírus transmitidos por mosquitos, incluindo dengue, zika, chikungunya, oropouche, febre amarela e Mayaro.
Segundo as informações fornecidas pelo laboratório, o teste utiliza a técnica de PCR para detecção do material genético viral e pode ser realizado desde o primeiro dia de febre até o quinto dia após o início dos sintomas. O objetivo é auxiliar na diferenciação das infecções e na avaliação médica do paciente.
De acordo com o material, o exame está disponível nas unidades do Sabin em Salvador, Camaçari, Lauro de Freitas, Santo Antônio de Jesus, Barreiras e Luís Eduardo Magalhães, além do serviço móvel denominado “Vacinas e Exames Móveis – VEM Sabin”. O agendamento informado pela empresa pode ser realizado por meio de sua plataforma digital.
Vacinação contra dengue segue estratégia do Ministério da Saúde
A prevenção da dengue também envolve vacinação, mas a estratégia do Programa Nacional de Imunizações (PNI) é definida conforme faixa etária, disponibilidade de doses e critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde.
Em janeiro de 2026, o Ministério da Saúde ampliou para todos os municípios do país a estratégia de vacinação contra a dengue para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, utilizando a vacina dengue (atenuada) da Takeda. O esquema previsto para esse público é de duas doses, com intervalo de três meses.
O Ministério também passou a utilizar a vacina contra dengue produzida pelo Instituto Butantan. O imunizante é licenciado para pessoas de 12 a 59 anos, mas, no SUS, a recomendação informada pelo Ministério em 2026 estabelece a faixa de 15 a 59 anos, enquanto a faixa de 10 a 14 anos permanece contemplada pela estratégia com a vacina da Takeda. A disponibilidade e os públicos prioritários devem ser confirmados nos canais oficiais de vacinação.
Prevenção depende do controle dos criadouros
O alerta relacionado ao El Niño não significa que todas as regiões necessariamente registrarão aumento de casos. O próprio Ministério da Saúde ressalta que as projeções epidemiológicas são estimativas baseadas em cenários climáticos e podem ser atualizadas conforme novos dados sejam incorporados aos modelos.
Nesse contexto, as ações de vigilância epidemiológica e controle do Aedes aegypti permanecem entre as principais estratégias para reduzir a transmissão. A eliminação de recipientes com água acumulada, a proteção dos reservatórios e a manutenção de imóveis e áreas externas fazem parte das medidas preventivas.
Na Bahia, o acompanhamento dos casos de dengue, zika e chikungunya permanece sob responsabilidade da vigilância em saúde estadual e municipal. Em Feira de Santana, por exemplo, a Secretaria Municipal de Saúde registrou 1.125 notificações de chikungunya entre janeiro e agosto de 2026, das quais 777 haviam sido confirmadas, segundo levantamento divulgado pelo Jornal Grande Bahia.


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