Duas cirurgias complexas de ombro previstas para os dias 29 e 30 de setembro de 2026, no Hospital Santa Izabel, em Salvador, utilizarão navegação cirúrgica assistida por computador. A tecnologia combina imagens de tomografia, planejamento tridimensional e acompanhamento durante o procedimento para auxiliar o cirurgião na definição do posicionamento e da fixação das próteses.
Os procedimentos envolvem pacientes com condições distintas. Uma mulher de 66 anos, com artrose avançada e maior intensidade de dor no ombro esquerdo, será submetida à primeira implantação de uma prótese. O segundo paciente já utiliza uma prótese há aproximadamente 12 anos e apresenta dor, redução dos movimentos e desgaste ósseo na área de fixação do implante, situação que exigirá uma cirurgia de revisão.
Segundo o ortopedista Marcus Vinicius Martins, especialista em cirurgia do ombro e cotovelo, a navegação pode ser comparada a um mapa preparado antes da cirurgia e consultado durante o procedimento. A tomografia permite analisar a anatomia, elaborar o planejamento e, durante a operação, comparar a execução com as referências previamente estabelecidas.
Tecnologia utiliza planejamento tridimensional da anatomia
A anatomia do ombro apresenta variações entre os pacientes, enquanto doenças como a artrose podem provocar deformidades e desgaste ósseo. Em pessoas que já passaram por procedimentos cirúrgicos, as alterações anatômicas podem ser ainda mais significativas.
Nesse contexto, a tomografia computadorizada é utilizada para produzir uma representação tridimensional da articulação. O planejamento permite estudar previamente características do ombro e definir parâmetros relacionados à colocação e à fixação da prótese.
Durante a cirurgia, a navegação fornece informações sobre a posição do implante e os pontos escolhidos para sua fixação. O objetivo é oferecer ao médico dados adicionais para orientar a execução do planejamento, especialmente em situações nas quais as condições anatômicas tornam o procedimento mais complexo.
Primeira cirurgia será uma artroplastia reversa
No primeiro caso, a paciente será submetida a uma artroplastia reversa do ombro esquerdo. Nesse procedimento, a configuração convencional da articulação é modificada para permitir que o músculo deltoide tenha participação maior na movimentação do braço.
Na artroplastia reversa, a esfera e a cavidade da articulação são posicionadas de maneira invertida em relação à anatomia convencional. A técnica pode ser utilizada em determinadas situações de comprometimento do ombro, incluindo casos de artrose associada a lesões importantes do manguito rotador e algumas cirurgias anteriores malsucedidas.
A escolha do tipo de prótese depende das características clínicas e anatômicas de cada paciente. A Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo também destaca, em publicação de 2026, que a definição entre artroplastia reversa e anatômica deve considerar fatores individuais, expectativas, demandas funcionais, exame físico e resultados dos exames de imagem.
Cirurgia de revisão terá perda óssea como desafio
O segundo procedimento será uma cirurgia de revisão de prótese de ombro. O paciente já possui um implante há cerca de 12 anos e apresenta perda óssea na região da escápula onde a nova prótese deverá ser fixada.
A presença de uma cirurgia anterior modifica a anatomia e pode reduzir a quantidade de osso disponível para a implantação de novos componentes. Nesse cenário, o planejamento pré-operatório busca identificar as áreas que apresentam condições adequadas para a fixação e preservar o tecido ósseo existente.
De acordo com Marcus Vinicius Martins, a cirurgia de revisão exige a avaliação das áreas com osso disponível, a definição do posicionamento do novo implante e a estratégia de fixação. A navegação é utilizada como recurso adicional para auxiliar essas decisões durante a execução do procedimento.
Cirurgião permanece responsável pelas decisões
Nos dois procedimentos será utilizado o sistema ExactechGPS®, conforme as informações divulgadas pela equipe responsável pelas cirurgias. A tecnologia não realiza o procedimento de forma autônoma e não substitui a atuação do médico.
A interpretação das informações, a escolha da técnica e a execução das etapas cirúrgicas permanecem sob responsabilidade do cirurgião. O sistema fornece dados para comparação entre o planejamento realizado previamente e o posicionamento executado durante a operação.
O uso de tecnologias de planejamento e navegação em artroplastias de ombro integra uma área de desenvolvimento da cirurgia ortopédica. A American Academy of Orthopaedic Surgeons inclui planejamento pré-operatório, realidade aumentada, implantes personalizados e robótica entre as tecnologias abordadas atualmente no campo da artroplastia do ombro.
Navegação não elimina riscos do procedimento
A utilização de navegação cirúrgica não significa ausência de riscos ou garantia de resultados. Como ocorre em outros procedimentos de substituição articular, a evolução depende das condições clínicas e anatômicas do paciente, da técnica empregada e do processo de recuperação.
A artroplastia reversa, por exemplo, é uma cirurgia que apresenta riscos potenciais, incluindo infecção, lesões nervosas, desgaste, soltura ou deslocamento dos componentes, segundo informações da American Academy of Orthopaedic Surgeons.
No contexto de procedimentos complexos, o planejamento por imagens tridimensionais busca fornecer informações adicionais à equipe médica. A aplicação da tecnologia nos dois casos previstos em Salvador demonstra a utilização de recursos digitais para auxiliar o planejamento e a execução de cirurgias de prótese do ombro.
A incorporação de recursos tecnológicos à cirurgia também ocorre em outras áreas da medicina na Bahia. O Jornal Grande Bahia já registrou iniciativas relacionadas à cirurgia robótica e ao treinamento médico com tecnologias tridimensionais em Salvador, incluindo a atuação de centros voltados à capacitação de profissionais.
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