O documentário “Mulheres do Bando”, primeiro longa-metragem da cineasta baiana Thamires Vieira, foi premiado no 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, encerrado no sábado (19/09/2026), no Distrito Federal. A produção recebeu o Prêmio Jean-Claude Bernardet, concedido pelo Júri Jovem da Universidade de Brasília (UnB) na Mostra Caleidoscópio.
A obra reúne atrizes de diferentes gerações do Bando de Teatro Olodum e revisita experiências profissionais e pessoais relacionadas à trajetória do grupo. O documentário articula depoimentos, ensaios, improvisações, arquivos e memórias para abordar transformações ocorridas dentro e fora dos palcos.
A produção reúne Edvana Carvalho, Valdineia Soriano, Merry Batista, Cássia do Valle, Luciana Souza, Rejane Maia, Arlete Dias, Naira da Hora, Jamile Alves e Ella Nascimento. A narrativa parte das experiências dessas artistas para abordar temas como raça, gênero, afeto, pertencimento e transformação, relacionando memória individual e trajetória coletiva.
Documentário revisita trajetória das atrizes do Bando de Teatro Olodum
“Mulheres do Bando” acompanha diferentes gerações de atrizes vinculadas ao grupo criado em Salvador e utiliza a memória como elemento estruturante da narrativa. O filme aproxima registros de diferentes períodos e experiências para investigar permanências, mudanças e questões ainda presentes na trajetória das artistas.
Entre os materiais utilizados estão arquivos, conversas, ensaios e processos de criação. A produção desloca o foco da história institucional do grupo para as experiências das mulheres que participaram de sua construção artística, estabelecendo uma relação entre suas trajetórias e transformações culturais ocorridas em Salvador e no Brasil.
Segundo a diretora Thamires Vieira, a premiação no Festival de Brasília representa uma etapa importante para o início da trajetória do filme. Em declaração divulgada após a cerimônia, a cineasta destacou a emoção de apresentar a obra no festival e receber o reconhecimento do Júri Jovem.
Bando de Teatro Olodum ocupa posição central na narrativa
O Bando de Teatro Olodum foi criado em Salvador em 1990 e desenvolveu uma trajetória relacionada à representação da população negra nas artes cênicas brasileiras. Ao longo de sua história, o grupo também contribuiu para a formação e projeção de artistas que posteriormente alcançaram destaque no teatro, cinema e televisão.
No documentário, essa trajetória é observada a partir das atrizes. As experiências reunidas pela produção abordam tanto os processos criativos quanto as relações construídas ao longo dos anos de atuação. A proposta estabelece um diálogo entre memória, identidade e criação artística, sem limitar a narrativa aos acontecimentos registrados nos palcos.
A produção também apresenta processos de trabalho em uma sala de ensaio com vista para o mar, combinando registros do cotidiano artístico e materiais de arquivo. O procedimento permite aproximar diferentes momentos da história do grupo e colocar em diálogo perspectivas de artistas de gerações distintas.
Thamires Vieira estreia em longa-metragem documental
“Mulheres do Bando” marca a estreia de Thamires Vieira na direção de um longa-metragem. A cineasta baiana atua no audiovisual e desenvolveu o projeto a partir da relação entre cinema, memória e trajetória das artistas do Bando de Teatro Olodum.
A produção é da Terá Filme e a distribuição é realizada pela Fistaile, conforme informações divulgadas sobre o lançamento e a participação no festival. O filme foi desenvolvido a partir das experiências das atrizes e utiliza diferentes procedimentos documentais para construir sua narrativa.
O projeto também aparece em registros da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) na Bahia. Documento oficial da Secretaria de Cultura do Estado registra Thamires Santos Vieira e o projeto “Mulheres do Bando” entre as propostas homologadas em edital relacionado ao audiovisual.
Prêmio foi concedido pelo Júri Jovem da UnB
Na Mostra Caleidoscópio do 59º Festival de Brasília, o júri internacional ligado à Federação Internacional de Críticos de Cinema (Fipresci) concedeu o prêmio de melhor filme a “Os Fantasmas Gentis”, de Caetano Gotardo. Já o Júri Jovem da UnB concedeu o Prêmio Jean-Claude Bernardet a “Mulheres do Bando”, de Thamires Vieira.
A premiação ocorreu na cerimônia de encerramento do festival, realizada em 19 de setembro de 2026 (sábado). A edição reuniu 71 filmes e uma série inédita, selecionados entre quase 2 mil produções inscritas, e registrou público de 34.810 pessoas nas atividades realizadas em diferentes espaços do Distrito Federal.
O reconhecimento coloca o documentário baiano entre as obras destacadas na edição de 2026 do Festival de Brasília e amplia a circulação pública da produção dirigida por Thamires Vieira, cuja narrativa se concentra nas experiências das mulheres que integram diferentes gerações do Bando de Teatro Olodum.
Serviço editorial
Filme: “Mulheres do Bando”
Direção: Thamires Vieira
Produção: Terá Filme
Distribuição: Fistaile
Personagens/participantes: Edvana Carvalho, Valdineia Soriano, Merry Batista, Cássia do Valle, Luciana Souza, Rejane Maia, Arlete Dias, Naira da Hora, Jamile Alves e Ella Nascimento
Festival: 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro
Mostra: Caleidoscópio
Prêmio: Prêmio Jean-Claude Bernardet
Júri: Júri Jovem da Universidade de Brasília (UnB)
Premiação: 19 de setembro de 2026 (sábado)
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