Mazure inaugura nova sede em Salvador

 A Mazure Saneamento S.A., empresa criada na Bahia em 1990, inaugurou uma nova sede de 1.300 m² em Salvador e anunciou uma nova etapa de expansão nacional. Especializada em soluções para tratamento de água, efluentes, reúso e dessalinização, a companhia mantém estruturas em diferentes estados e desenvolve projetos para municípios, empresas de saneamento, Petrobras e Marinha do Brasil.

A inauguração ocorreu na segunda-feira (31/08/2026), em Salvador. Segundo as informações apresentadas pela empresa, a mudança representa a ampliação de uma operação que começou em um escritório de apenas 20 metros quadrados e, ao longo de 36 anos, passou a reunir empresas, parceiros e projetos em diferentes regiões do país.

A Mazure mantém estruturas em Brasília, Sergipe, Alagoas e Paraíba e executa projetos no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte e Maranhão. A companhia também informou novas frentes de atuação no Rio de Janeiro.

Da filtragem de água à engenharia de saneamento

A trajetória empresarial começou com a criação da Maqfiltros, fundada por Marcelo Sacramento de Araújo e seu pai, Wilson Coelho de Araújo. A ideia inicial surgiu a partir de uma tecnologia conhecida por Wilson nos Estados Unidos, baseada em sistemas que permitiam disponibilizar água filtrada diretamente nas torneiras.

A atuação foi ampliada diante das necessidades encontradas em localidades sem abastecimento da Embasa. A empresa passou a desenvolver soluções para fazendas, escolas, hospitais, condomínios e grandes consumidores, incorporando posteriormente sistemas de tratamento de esgoto, reúso e dessalinização.

Segundo Marcelo Sacramento, a evolução levou a empresa de uma operação inicialmente concentrada na filtragem para uma atuação em engenharia e tecnologia aplicada ao saneamento. A companhia também passou a fabricar equipamentos e desenvolver soluções em diferentes escalas.

Dessalinização e reúso integram trajetória tecnológica

Entre os projetos citados pela empresa está a primeira dessalinização privada realizada pela Mazure na Bahia, na Ilha de Kieppe. O projeto teria surgido a partir de um desafio apresentado pelo empresário Norberto Odebrecht, quando a empresa ainda estava em fase inicial de desenvolvimento.

De acordo com Marcelo Sacramento, a companhia posteriormente passou de operadora para fabricante de equipamentos de dessalinização. O executivo compara os custos de uma solução desenvolvida há cerca de três décadas com os equipamentos atuais, destacando a evolução tecnológica e a redução dos custos de produção.

Outro projeto mencionado é o sistema de reúso residencial instalado em 2024 no Edifício Monvert, no Horto Florestal, em Salvador. A solução foi desenvolvida em parceria com o Grupo Odebrecht e recebeu reconhecimento por meio de um prêmio internacional de sustentabilidade, segundo a empresa.

Expansão ocorre em cenário de investimentos em saneamento

A expansão da Mazure ocorre em um setor que possui metas nacionais de ampliação do acesso aos serviços de saneamento. O Marco Legal do Saneamento, formado pela Lei nº 11.445/2007 e atualizado pela Lei nº 14.026/2020, estabelece como metas, até 2033, o atendimento de 99% da população com água potável e 90% com coleta e tratamento de esgoto.

Nesse contexto, a empresa informa que combina engenharia, fabricação de equipamentos, operação e desenvolvimento tecnológico. Na Bahia, participa de um contrato, em parceria com outras organizações, para operação e monitoramento de sistemas de reúso de água em Escolas Modelo. O projeto abrange 128 municípios, dos quais 62 já estariam alcançados pelas operações, conforme dados da companhia.

Também estão em andamento projetos no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo, além de contratos e operações em estados nordestinos. Na Paraíba, a atuação informada pela empresa alcança 13 municípios.

Mazure amplia atuação para projetos com Petrobras e Marinha

Entre os novos contratos está uma licitação para fornecimento de um sistema de tratamento de água destinado à produção de água potável para o Colégio Naval, em Angra dos Reis (RJ). Segundo a empresa, o projeto representa a primeira atuação da Mazure no estado do Rio de Janeiro e também o primeiro contrato da companhia com a Marinha do Brasil.

A estratégia de desenvolvimento tecnológico inclui parcerias com instituições de ensino e pesquisa. A Mazure mantém convênios com a Universidade Federal da Bahia (UFBA), para pesquisa e desenvolvimento; com o SENAI, para formação de mão de obra; e com a Universidade Católica do Salvador, para desenvolvimento de engenheiros civis.

Em parceria com a UFBA, a companhia desenvolve uma tecnologia voltada ao aumento da vida útil de membranas de nanofiltração utilizadas em sistemas de dessalinização de plataformas de exploração de petróleo da Petrobras. A empresa também informa pesquisas relacionadas a uma membrana de dessalinização de fabricação nacional.

Tecnologias também são direcionadas à área de defesa

A atuação da Mazure inclui projetos relacionados à defesa nacional. Segundo Marcelo Sacramento, as tecnologias desenvolvidas pela empresa podem ser aplicadas em submarinos e outros equipamentos da Marinha, além de sistemas de ultrafiltração e dessalinização destinados a operações do Exército.

Entre as aplicações mencionadas estão operações em regiões de fronteira, no Semiárido e em situações de enchentes e calamidades. A proposta é utilizar tecnologias de tratamento de água em cenários nos quais o acesso ao recurso pode ser limitado ou exigir sistemas alternativos de abastecimento.

A empresa também se prepara para a segunda edição da Aramus – Aratu Maritime Unmanned Systems Simulation, evento voltado à integração de tecnologias autônomas, robótica e inteligência artificial aplicadas ao ambiente marítimo e à defesa.

Nova governança acompanha crescimento do grupo

O processo de expansão inclui mudanças na estrutura de gestão. O engenheiro civil Renan Menicucci, atual diretor técnico e operacional e sócio do grupo, passou a integrar a liderança da companhia após quase 12 anos de atuação em diferentes funções. Ele possui formação em engenharia civil, mestrado em saneamento e doutorado em andamento na área, segundo as informações fornecidas pela empresa.

Marcelo Sacramento relaciona a evolução da empresa à combinação entre a experiência profissional de seu pai e a formação técnica e tecnológica de Menicucci. A avaliação apresentada pelo presidente é de que essa composição contribuiu para a transição de uma atuação inicialmente artesanal para uma operação com maior escala.

Atualmente, o Grupo Mazure é formado por uma holding, a Mazure Saneamento S.A., que participa de oito empresas e quatro Sociedades em Conta de Participação (SCPs). O grupo mantém ainda acordo de cooperação comercial e operacional com a Kempetro e uma rede de sócios e parceiros em diferentes estados.

Empresa projeta próxima etapa de expansão

Para os próximos anos, a Mazure pretende concentrar a expansão em inovação, tecnologia, formação profissional e conhecimento do mercado brasileiro de saneamento. A empresa incorporou Roberto Muniz ao Conselho Consultivo, executivo com experiência nos setores público e privado de saneamento e participação na construção do marco regulatório do setor, conforme informado pela companhia.

A nova sede em Salvador passa, assim, a concentrar parte da estrutura de uma empresa que mantém sua origem na Bahia e atua em diferentes estados brasileiros. A estratégia combina prestação de serviços, fabricação de equipamentos, pesquisa tecnológica e participação em projetos de saneamento, reúso, dessalinização e tratamento de água.

A expansão está inserida em um mercado marcado pela necessidade de investimentos para ampliar o acesso à água potável e ao esgotamento sanitário. O cenário regulatório brasileiro estabelece metas de universalização e cria demanda por infraestrutura, tecnologia e soluções de tratamento.


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