A Biblioteca dos Barris, em Salvador, recebe na sexta-feira (04/09/2026), das 14h às 19h, o 3º encontro “Poéticas Telúricas: Encontro entre África e América Latina”. Com entrada gratuita e acessibilidade em Libras, a programação reúne filosofia, literatura, dança, música e pesquisa cultural em uma proposta de aproximação entre experiências africanas e latino-americanas.
Realizado pelo AnDanças – Programa de Pesquisa e Extensão em Filosofia, Arte e Cultura, da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB), Campus dos Malês, o encontro conta com fomento do Edital PNAB Bahia – Dinamização de Bibliotecas, Espaços de Leitura e Espaços de Memória.
A atividade resulta de uma década de pesquisas e ações de extensão desenvolvidas pelo AnDanças em torno das danças, capoeira, filosofia, literatura africana e latino-americana e manifestações culturais que utilizam corpo, território, memória e oralidade como formas de produção de conhecimento. A existência do projeto “Poéticas Telúricas entre África e América Latina” também aparece registrada no sistema de extensão da UNILAB.
Programação começa com dança e reflexão sobre território
A programação terá início às 14h, com abertura conduzida pela equipe do AnDanças. Participam Elizia Cristina Ferreira, filósofa e professora da UNILAB; Verônica Daniela Navarro, artista da cena, gestora cultural, produtora e professora de artes; Ludmylla Mendes Lima, professora e pesquisadora de Letras da UNILAB; e Thiago Cohen, artista da dança, arte-educador, mediador e curador.
Às 14h30, será apresentada “Saudações à Terra”, performance de um grupo de danças latino-americanas. A atividade introduz o eixo corporal e territorial do encontro, utilizando o movimento como meio de aproximação entre diferentes referências culturais das Américas.
Na sequência, às 15h, ocorre “O livro como terreiro”, atividade mediada por Ludmylla Mendes Lima, que também apresentará o livro Poéticas telúricas: filosofias que bailam e danças que filosofam na América Latina, de Elizia Cristina Ferreira e Verônica Daniela Navarro. A obra reúne experiências de pesquisa e extensão do AnDanças e propõe reflexões sobre filosofia, corpo, dança e experiências culturais nos territórios amefricanos.
Música, literatura africana e filosofia integram o encontro
Às 15h40, a programação terá a participação da Orquestra de Berimbaus do Nzinga, vinculada ao Instituto Nzinga de Estudos da Capoeira Angola e de Tradições Educativas Banto no Brasil (INCAB), Núcleo Salvador. A apresentação acrescenta à programação elementos relacionados à capoeira, à música e às tradições de matriz Banto.
O eixo filosófico será desenvolvido às 17h, durante a conferência “Narrar para compreender, narrar para pensar”, ministrada pelo filósofo e escritor moçambicano Jessemusse Cacinda e mediada por Elizia Cristina Ferreira. A atividade abordará o papel da narrativa na compreensão, transmissão de conhecimentos e elaboração de experiências.
A conferência parte de narrativas e cosmopercepções do povo Makhuwa, do norte de Moçambique, para discutir a oralidade como prática de conhecimento. A proposta considera a narrativa não apenas como forma de expressão, mas também como mecanismo de formação, transmissão de valores e construção de interpretações sobre a existência, especialmente em tradições de ancestralidade Bantu.
“El Cruce” encerra apresentações antes do festejo final
Às 18h, a dança volta ao centro da programação com “El Cruce”, solo interpretado por Verônica Daniela Navarro, com direção e dramaturgia de Thiago Cohen. O trabalho utiliza a experiência de um carnaval andino como ponto de partida para refletir sobre memória, identidades e relações entre diferentes povos das Américas.
A montagem estabelece diálogo com o conceito de Amefricanidade, formulado pela intelectual brasileira Lélia Gonzalez, e investiga aproximações e diferenças entre experiências culturais latino-americanas. A proposta relaciona dança, memória e território em uma produção cênica apresentada dentro da programação do encontro.
A agenda será encerrada às 19h, com um festejo de finalização. Ao longo de cinco horas, o evento reunirá dança, literatura, filosofia, música, oralidade, memória e saberes ancestrais, mantendo a proposta de aproximar referências culturais da África e da América Latina.
Projeto é financiado pela Política Nacional Aldir Blanc
O encontro integra ações contempladas pelos Editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura na Bahia, realizados com recursos do Governo Federal repassados pelo Ministério da Cultura e executados pelo Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado.
A realização também se insere em uma agenda de iniciativas culturais que articulam formação, acessibilidade e circulação de diferentes linguagens artísticas na Bahia. O Jornal Grande Bahia tem acompanhado ações dessa natureza, incluindo projetos apoiados pela PNAB que combinam apresentações, oficinas e atividades de formação artística.
A programação do “Poéticas Telúricas” coloca a Biblioteca dos Barris como espaço de encontro entre produção artística, pesquisa acadêmica e transmissão de saberes. A proposta é utilizar linguagens como dança, literatura, música e filosofia para estabelecer conexões entre experiências culturais africanas e latino-americanas.
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