São Paulo (SP) – A presidente do Conselho Nacional da Mulher Empreendedora e da Cultura (CMEC), Ana Claudia Badra Cotait, defendeu a ampliação do acesso a crédito, capacitação, gestão, networking e novos mercados para que negócios iniciados por mulheres por necessidade possam alcançar maior estrutura empresarial. A declaração ocorreu durante o painel “Quando empreender deixa de ser apenas sobreviver”, realizado no 1º Summit Mulheres nas Profissões, em São Paulo.
O evento foi realizado nos dias 4 e 5 de agosto de 2026, no Expo Center Norte, e reuniu lideranças para discutir temas relacionados ao empreendedorismo, protagonismo profissional, saúde mental e participação feminina no mercado de trabalho. O painel contou também com Rejane Santos, fundadora da Emprega Co., e Juliana Farah, produtora rural, com mediação de Georgia Nunes, do Sebrae Nacional.
Durante o debate, Ana Claudia destacou a necessidade de uma mudança na percepção das próprias empreendedoras sobre seus negócios. Segundo ela, mulheres que iniciam atividades econômicas por necessidade precisam desenvolver competências para administrar as empresas e estabelecer metas de crescimento e planejamento de longo prazo.
Gestão financeira é apontada como elemento para crescimento
A presidente do CMEC ressaltou que a empreendedora deve acompanhar diretamente a gestão financeira do negócio, mesmo quando delega determinadas tarefas administrativas. O objetivo, segundo a dirigente, é garantir que a proprietária compreenda receitas, despesas, resultados e decisões relacionadas ao uso dos recursos.
A capacitação em gestão financeira foi apresentada como uma das ferramentas para transformar atividades econômicas de menor estrutura em empresas organizadas. A definição de metas compatíveis com a capacidade de cada empreendimento também foi citada como parte desse processo.
A discussão ocorreu em um contexto de ampliação da participação feminina no empreendedorismo e de mudanças nas estratégias de apoio a negócios liderados por mulheres. Para Ana Claudia, o fortalecimento da gestão deve estar associado a condições que permitam às empresas crescer, inovar e gerar empregos.
Crédito e capacitação aparecem entre prioridades
O painel também abordou a necessidade de ampliar o acesso das empreendedoras a linhas de crédito e mecanismos de financiamento. O acesso a recursos pode ser utilizado para investimentos em estrutura, tecnologia, contratação, expansão e desenvolvimento de novos produtos e serviços, conforme as necessidades de cada negócio.
Além do crédito, foram citados capacitação, networking, inovação, abertura de novos mercados e fomento como fatores relacionados ao desenvolvimento empresarial. A articulação entre essas iniciativas pode ampliar as condições para que negócios liderados por mulheres avancem para diferentes estágios de maturidade.
A criação de oportunidades para expansão também foi associada à geração de empregos. Nesse contexto, o empreendedorismo feminino foi tratado no painel não apenas como alternativa de renda, mas como atividade econômica capaz de integrar cadeias produtivas e ampliar a participação das mulheres em posições de decisão.
Empreendedorismo feminino é discutido como instrumento de autonomia econômica
Ana Claudia afirmou que o empreendedorismo pode representar uma alternativa para mulheres que enfrentam situações de desemprego ou dificuldades para permanecer no mercado de trabalho. Durante o painel, a executiva também mencionou mulheres responsáveis por cuidados familiares e aquelas que enfrentam situações de violência.
A presidente do CMEC citou ainda o Projeto de Lei da Autoestima da Mulher, elaborado com coordenadoras do conselho, como uma iniciativa relacionada ao fortalecimento da participação feminina e à ampliação da capacidade de atuação das mulheres em diferentes espaços.
A proposta apresentada no debate relaciona empreendedorismo, autonomia econômica e desenvolvimento de competências. A perspectiva defendida pela entidade é de que o fortalecimento das empreendedoras deve incluir tanto conhecimento técnico e financeiro quanto acesso a oportunidades de mercado.
CMEC atua em municípios de diferentes regiões do Brasil
O Conselho da Mulher Empreendedora e da Cultura (CMEC) foi criado em 2002 com a finalidade de integrar lideranças femininas em diferentes regiões do país. A entidade é vinculada à Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB).
Segundo as informações apresentadas pela organização, a rede está presente em mais de mil municípios e alcança mais de 100 mil mulheres. O CMEC também possui vínculo com a Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) e com a Associação Comercial de São Paulo (ACSP).
A participação da entidade no 1º Summit Mulheres nas Profissões, por meio de Ana Claudia Badra Cotait, reforçou a discussão sobre capacitação, gestão, crédito e expansão de negócios liderados por mulheres. O evento ocorreu em 4 e 5 de agosto de 2026, no Expo Center Norte, em São Paulo.


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