O Agosto Dourado, campanha dedicada à promoção do aleitamento materno, reforça neste mês a importância da orientação durante a gestação e do apoio à mulher no período pós-parto para ampliar a proteção à saúde de mães e recém-nascidos. Especialistas destacam que, especialmente entre bebês prematuros e de baixo peso, o leite materno desempenha papel fundamental no tratamento neonatal ao oferecer nutrientes, proteção imunológica e favorecer o desenvolvimento infantil.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) recomendam que a amamentação seja iniciada na primeira hora após o nascimento, mantida de forma exclusiva até os seis meses de vida e continuada, com alimentação complementar, até os dois anos ou mais.
Apesar das recomendações internacionais, os indicadores ainda permanecem abaixo da meta global. Atualmente, 48% dos bebês menores de seis meses são amamentados exclusivamente no mundo, enquanto a meta estabelecida é atingir 60% até 2030.
Brasil e Nordeste apresentam índices distintos de aleitamento materno
No Brasil, a prevalência do aleitamento materno exclusivo entre crianças menores de seis meses é de 45,8%, segundo o Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (Enani).
Na região Nordeste, o percentual é de 39%, abaixo da média nacional. Em contrapartida, a região registra o maior índice de amamentação continuada entre crianças de 12 a 23 meses, alcançando 51,8%, enquanto a média brasileira é de 43,6%.
Os dados evidenciam avanços na manutenção da amamentação após o primeiro ano de vida, mas também apontam desafios para ampliar o aleitamento exclusivo durante os primeiros seis meses, conforme as recomendações dos organismos internacionais de saúde.
Leite materno integra o tratamento de recém-nascidos prematuros
Segundo a neonatologista Renata Pitangueiras, do Hospital Mater Dei Salvador (HMDS), o leite materno exerce função terapêutica para recém-nascidos prematuros e de baixo peso.
De acordo com a médica, além de fornecer nutrientes adequados para organismos ainda em desenvolvimento, o leite materno contribui para o desenvolvimento neurológico, favorece o amadurecimento intestinal e auxilia na proteção contra infecções e complicações clínicas.
Quando o bebê ainda não consegue realizar a sucção diretamente no seio materno, a equipe de saúde orienta a extração do leite para administração conforme a condição clínica da criança. O contato pele a pele e o Método Canguru também são apontados como estratégias para estimular a produção de leite e fortalecer o vínculo entre mãe e filho.
Bancos de leite ampliam assistência neonatal na Bahia
Nos casos em que o leite da própria mãe não está disponível ou é insuficiente, os bancos de leite humano desempenham papel importante na assistência aos recém-nascidos.
Segundo dados do Ministério da Saúde, ao longo de 22 anos, os bancos de leite da Bahia atenderam mais de um milhão de mulheres, coletaram 68 mil litros de leite humano e beneficiaram 69.364 recém-nascidos.
Ainda conforme o levantamento, um frasco contendo 200 mililitros de leite humano pode alimentar até dez bebês prematuros ou de baixo peso, ampliando o alcance das doações realizadas por mães lactantes.
Orientação durante o pré-natal contribui para o sucesso da amamentação
O obstetra Francisco Mota, do Hospital Mater Dei Emec, em Feira de Santana, afirma que a preparação para a amamentação deve começar durante o pré-natal, com orientações sobre pega correta, livre demanda, sinais de alimentação adequada e dificuldades que podem surgir nos primeiros dias após o parto.
Segundo o especialista, a preparação não envolve procedimentos como massagens, exercícios ou exposição das mamas ao sol, mas sim a oferta de informação qualificada e o esclarecimento de dúvidas das gestantes.
O acompanhamento pré-natal também permite identificar fatores que possam dificultar o aleitamento e organizar uma rede de apoio para o período após o nascimento, reduzindo o risco de interrupção precoce da amamentação.
Rede de apoio é apontada como fator essencial para manter o aleitamento
Os especialistas ressaltam que o contato pele a pele e a primeira mamada ainda na primeira hora de vida favorecem o estabelecimento da lactação quando as condições clínicas da mãe e do bebê permitem.
Francisco Mota destaca que a manutenção da amamentação depende da atuação conjunta da equipe de saúde, da participação da família, da divisão das responsabilidades domésticas, de condições adequadas de descanso e de proteção à mulher no retorno ao trabalho.
Para a neonatologista Renata Pitangueiras, o acompanhamento deve ser baseado no acolhimento e na orientação, sobretudo em situações envolvendo prematuridade, complicações maternas ou internação do recém-nascido. Segundo a médica, a assistência deve priorizar alternativas seguras para cada situação, evitando que sentimentos de culpa comprometam o cuidado à mãe e ao bebê.


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