Legenda: Campanha realizada em agosto alerta para os riscos do tabagismo, os sinais da doença e a importância da avaliação de pessoas com maior risco.
O câncer de pulmão está entre os principais problemas de saúde relacionados ao tabagismo e pode permanecer sem sintomas nas fases iniciais. No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 35.380 novos casos por ano entre 2026 e 2028, sendo 18.730 em homens e 16.650 em mulheres. Em 2023, foram registradas 31.237 mortes pela doença no país.
O cenário é acompanhado durante o Agosto Branco, campanha nacional de conscientização sobre o câncer de pulmão. A iniciativa foi instituída pela Lei nº 15.207, de 12 de setembro de 2025, com ações previstas durante o mês de agosto para informar sobre prevenção, sintomas, diagnóstico, tratamento e serviços de referência.
Segundo a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), em 2022 foram registrados quase 2,5 milhões de novos casos de câncer de pulmão e mais de 1,8 milhão de mortes no mundo. A doença correspondeu a 12,4% de todos os novos diagnósticos de câncer e a 18,7% das mortes por câncer naquele ano. O tabagismo esteve associado a aproximadamente 85% dos casos.
Tabagismo é o principal fator de risco
O consumo de produtos derivados do tabaco é o principal fator associado ao câncer de pulmão. De acordo com o INCA, aproximadamente 85% dos casos diagnosticados estão relacionados ao consumo de tabaco. A exposição passiva à fumaça também aumenta o risco.
Outros fatores podem contribuir para o desenvolvimento da doença, entre eles poluição do ar, exposição ocupacional a amianto e sílica, emissões de motores a diesel, fumaça de soldagem, radônio, doenças pulmonares crônicas, histórico familiar e fatores genéticos.
A interrupção do tabagismo reduz progressivamente o risco, embora pessoas que fumaram anteriormente possam continuar apresentando risco aumentado. Por isso, o histórico de consumo, a idade e o tempo desde a interrupção do hábito devem ser considerados na avaliação individual.
Rastreamento deve considerar o risco individual
A detecção precoce pode aumentar as possibilidades de tratamento em determinadas situações. Entretanto, o rastreamento do câncer de pulmão não é recomendado para a população geral assintomática, segundo o INCA, devido à ausência de evidências de que os benefícios superem os riscos nessa população.
Para pessoas consideradas de alto risco, diretrizes internacionais recomendam a tomografia computadorizada de tórax com baixa dose de radiação. A recomendação da U.S. Preventive Services Task Force (USPSTF) contempla adultos de 50 a 80 anos com histórico de pelo menos 20 anos-maço de tabagismo que fumam atualmente ou deixaram de fumar há menos de 15 anos.
O conceito de 20 anos-maço corresponde, por exemplo, ao consumo de um maço de cigarros por dia durante 20 anos. A decisão sobre realizar o exame deve considerar os riscos e benefícios e ser discutida entre paciente e médico. O rastreamento pode produzir resultados falso-positivos, achados incidentais, sobrediagnóstico e exposição à radiação.
Sintomas precisam ser investigados
O câncer de pulmão pode apresentar manifestações principalmente em fases mais avançadas. Entre os sinais que devem motivar avaliação médica estão tosse persistente, rouquidão, sangue no escarro, dor no peito, dificuldade para respirar, fraqueza e perda de peso sem causa aparente.
A presença desses sintomas não significa necessariamente câncer, mas a persistência ou a mudança do padrão habitual deve ser investigada por um profissional de saúde. A avaliação pode envolver exame clínico e exames de imagem, conforme a situação apresentada pelo paciente.
A investigação de uma alteração pulmonar pode incluir radiografia e tomografia computadorizada do tórax. Quando existe suspeita de câncer, exames complementares e biópsia podem ser utilizados para confirmar o diagnóstico e determinar a extensão da doença.
Tratamento depende do estágio da doença
A definição do tratamento depende principalmente do tipo de tumor, estágio, localização, presença de disseminação e condições clínicas do paciente. O tratamento pode envolver cirurgia, radioterapia, quimioterapia, imunoterapia e terapias-alvo, isoladamente ou em combinação.
Nos casos em que o tumor está localizado no pulmão e o paciente apresenta condições clínicas para o procedimento, a cirurgia pode integrar a estratégia com finalidade curativa. A avaliação dos linfonodos também é importante para determinar se houve disseminação da doença.
O INCA destaca que o tratamento deve ser planejado por uma equipe multidisciplinar, que pode envolver oncologista, cirurgião torácico, pneumologista, radio-oncologista, radiologista, médico nuclear, enfermagem, fisioterapia, nutrição e assistência social.
Cirurgia robótica é uma alternativa em casos selecionados
Entre as técnicas cirúrgicas disponíveis está a cirurgia robótica, que utiliza uma plataforma com visão tridimensional ampliada e instrumentos articulados. Segundo Pedro Leite, cirurgião torácico citado no material, a tecnologia pode facilitar procedimentos em regiões anatômicas delicadas.
A indicação, entretanto, não é automática. O emprego da cirurgia robótica depende de fatores como estágio e localização do tumor, condições clínicas e avaliação da equipe multidisciplinar.
A escolha da técnica cirúrgica deve considerar os princípios oncológicos e as características de cada paciente. O objetivo é remover o tumor de acordo com critérios médicos e definir a necessidade de tratamentos complementares.
Cigarros eletrônicos também exigem atenção
A prevenção do câncer de pulmão inclui a redução da exposição ao tabaco. O debate sobre o cigarro eletrônico também integra as ações de controle do tabagismo, uma vez que esses dispositivos podem conter nicotina e outras substâncias químicas.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mantém proibida no Brasil a fabricação, importação, comercialização, distribuição, armazenamento, transporte e propaganda de dispositivos eletrônicos para fumar.
O risco relacionado ao consumo de produtos de tabaco não se limita ao câncer de pulmão. O tabagismo está associado a diversas doenças crônicas e constitui um dos principais fatores evitáveis relacionados ao adoecimento e à mortalidade.
Bahia registra demanda por prevenção e diagnóstico
Na Bahia, o INCA estima 1.590 novos casos de câncer de pulmão em 2026, sendo 840 entre homens e 750 entre mulheres, conforme os dados apresentados no material de referência desta reportagem. Em Salvador, a estimativa citada é de 380 novos casos.
A rede pública de oncologia da Bahia conta atualmente com unidades distribuídas em Salvador e no interior. Segundo levantamento publicado pelo Jornal Grande Bahia, a estrutura estadual reúne o Centro Estadual de Oncologia (Cican) e outros hospitais de referência, buscando ampliar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento especializado.
Experiências de rastreamento também já foram realizadas em Feira de Santana, onde uma unidade móvel ofereceu tomografias para fumantes e ex-fumantes entre 50 e 80 anos em projeto voltado ao diagnóstico precoce.
Prevenção começa pela interrupção do tabagismo
O Agosto Branco amplia a informação sobre uma doença que apresenta forte relação com o consumo de tabaco e que pode evoluir sem sintomas nas fases iniciais. A principal medida preventiva continua sendo não fumar e interromper o consumo de produtos derivados do tabaco.
Para pessoas com histórico significativo de tabagismo, a avaliação médica pode determinar se há indicação de rastreamento por tomografia de baixa dose. O exame não deve ser realizado indiscriminadamente pela população, pois seus benefícios e riscos dependem do perfil individual.
A identificação de sintomas persistentes, a avaliação dos fatores de risco e o acesso oportuno aos serviços de saúde são medidas que contribuem para o diagnóstico e o tratamento. Informação, prevenção e acompanhamento médico formam a base das estratégias de controle do câncer de pulmão.
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