O cantor, compositor, pesquisador e produtor Maurício Faísca lança, na sexta-feira (07/08/2026), o álbum “Vai sem medo: entre o rio e o mar, várias insurgências” em todas as plataformas digitais. O trabalho reúne oito faixas inéditas que transitam por diferentes gêneros musicais e estabelece conexões entre ancestralidade, territorialidade, memória e experiências afro-diaspóricas a partir de referências culturais da Bahia.
O álbum combina afoxé, baião, funk, rap, ragga, samba-reggae, rock e MPB, utilizando as águas como elemento simbólico para abordar deslocamentos, permanências e processos de transformação. A obra também estabelece relações entre o oeste baiano, representado por Barreiras, e o litoral do estado.
Segundo Maurício Faísca, o projeto propõe uma reflexão sobre memória, identidade e pertencimento por meio da música, conectando experiências artísticas, culturais e acadêmicas desenvolvidas ao longo de sua trajetória.
Álbum utiliza rio e mar como eixo narrativo da obra
Ao longo das oito composições, rio e mar aparecem como elementos centrais da narrativa, representando diferentes formas de continuidade, travessia e reinvenção.
O artista estabelece um percurso que conecta o Rio de Ondas, em Barreiras, aos mares de Salvador, utilizando essas paisagens como referência para construir uma obra que reúne música, performance e pesquisa.
De acordo com Maurício Faísca, o álbum também propõe um diálogo entre o sertão baiano e a diáspora transatlântica, articulando memórias, afetos e territorialidades.
“Mais do que um disco, o álbum se apresenta como um manifesto artístico e político que conecta memórias, territorialidades e afetos entre o oeste e o litoral da Bahia.”
Sonoridades unem ritmos tradicionais e elementos contemporâneos
O projeto apresenta uma combinação de tambores, beats eletrônicos, guitarras, poesia falada e melodias, compondo uma proposta musical que percorre diferentes linguagens sonoras.
Embora cada faixa possua identidade própria, o repertório mantém um eixo temático voltado à valorização dos encontros coletivos, da resistência cultural e das permanências afro-diaspóricas.
Entre as participações especiais está o artista Leandro Fullmaça, presente na faixa “Brilho do Mar”, que dialoga com elementos da oralidade e da mitologia yorubá.
Produção reúne músicos e produtores da cena baiana
A produção musical do álbum contou com a participação de Ruan Souza, Irmão Carlos Psicofunk e Mário MP, responsáveis pelos arranjos e pela construção das diferentes atmosferas sonoras presentes no projeto.
Além da produção artística, Irmão Carlos Psicofunk assinou a mixagem e a masterização do álbum, além de atuar na mediação do processo criativo.
O projeto foi reconhecido por editais públicos ao ser contemplado no Bicentenário da Independência na Bahia, promovido pela Secretaria de Cultura da Bahia (Secult-BA), em 2023, e posteriormente pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB-BA 2024).
Lançamento terá apresentação ao vivo em Barreiras
Além da disponibilização nas plataformas digitais, Maurício Faísca prepara uma apresentação no espaço Brilho do Rio – Multicultura, em Barreiras, reunindo as composições inéditas do álbum.
A programação será aberta pela banda Forró Coração do Brasil, grupo originário do município, conhecido pelo repertório voltado ao forró pé de serra, xote e baião.
Segundo o artista, a apresentação busca aproximar o público da proposta estética e conceitual do novo trabalho.
“Quem for terá a oportunidade de conhecer, em primeira mão, a essência dessas novas composições que dialogam com espiritualidade, pertencimento, corpo, desejo, insurgência e liberdade.”
Projeto também integra pesquisa acadêmica na UFBA
Além da produção musical, “Vai sem medo: entre o rio e o mar, várias insurgências” integra a pesquisa desenvolvida por Maurício Faísca no Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade da Universidade Federal da Bahia (UFBA).
A tese de doutorado foi defendida em abril de 2026, na linha de pesquisa Cultura e Arte, utilizando a metodologia da pesquisa-criação para investigar conhecimentos afro-diaspóricos e perspectivas decoloniais.
Segundo o artista, o trabalho foi aprovado com distinção, consolidando a relação entre produção artística e pesquisa acadêmica como parte do desenvolvimento do projeto musical.


Deixe um comentário