América do Sul cria projeto regional para prever eventos climáticos extremos

Programa apoiado pela Organização Meteorológica Mundial terá centro regional em Brasília e busca ampliar a precisão das previsões e dos alertas para chuvas intensas, inundações, tornados e ondas de calor.

A América do Sul contará com um novo projeto regional voltado à previsão de eventos climáticos extremos, reunindo Brasil, Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai em uma iniciativa apoiada pela Organização Meteorológica Mundial (OMM). O programa foi lançado na segunda-feira (03/08/2026), durante as comemorações dos 20 anos do Programa de Previsão de Tempo Severo (SWFP), e tem como objetivo fortalecer os serviços meteorológicos nacionais, ampliar a cooperação entre os países e aperfeiçoar os sistemas de alerta precoce.

O novo subprograma será voltado para a Bacia do Prata, região frequentemente afetada por chuvas intensas, inundações, ventos fortes, tornados e temperaturas extremas. A iniciativa prevê a integração de dados meteorológicos globais, regionais e nacionais para fornecer previsões mais precisas e apoiar decisões relacionadas à proteção da população, da infraestrutura e das atividades econômicas.

Durante reunião realizada na sede do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), em Brasília, representantes dos países participantes definiram estratégias para operacionalização do projeto e para a integração das redes nacionais de monitoramento e alerta.

Centro regional funcionará em Brasília e fase operacional começa em 2027

O Inmet sediará o Centro Regional de Suporte à Previsão, responsável por coordenar a adaptação das informações meteorológicas para os países da Bacia do Prata. O Serviço Meteorológico Nacional (SMN) da Argentina atuará como centro regional secundário.

Segundo a Organização Meteorológica Mundial, a fase pré-operacional do subprograma SWFP-Bacia do Prata está prevista para começar em 2027, quando serão iniciados os testes operacionais entre os países participantes.

O encontro em Brasília também definiu mecanismos de cooperação técnica e protocolos para compartilhamento de informações meteorológicas entre os serviços nacionais.

Modelo integra dados globais, regionais e nacionais

O novo projeto utilizará o chamado “processo de previsão em cascata”, metodologia empregada pela Organização Meteorológica Mundial para integrar diferentes níveis de produção de informações meteorológicas.

Nesse sistema, centros meteorológicos globais produzem modelos numéricos de alta qualidade, que posteriormente são adaptados pelos centros regionais conforme as características climáticas da Bacia do Prata.

Na etapa final, os serviços meteorológicos nacionais transformam essas informações em previsões, monitoramentos, avisos e alertas direcionados às populações de cada país.

Bacia do Prata concentra eventos climáticos extremos

A Bacia do Prata, considerada a segunda maior bacia hidrográfica da América do Sul, registra com frequência eventos meteorológicos extremos que afetam diretamente diferentes setores da economia.

Entre os principais fenômenos monitorados estão chuvas intensas, enchentes, ventos fortes, tornados e temperaturas extremas, que impactam a agricultura, o abastecimento de água, a geração de energia, os sistemas de transporte e a segurança das comunidades.

A Organização Meteorológica Mundial destaca que as mudanças climáticas aumentam a necessidade de integração entre os países da região para fortalecer os mecanismos de prevenção e resposta.

Inpe contribuirá com monitoramento em alta resolução

No Brasil, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) participará do projeto fornecendo modelos meteorológicos de alta resolução e ferramentas de previsão imediata (nowcasting), voltadas ao acompanhamento de tempestades e sistemas atmosféricos de rápida evolução.

O suporte internacional contará ainda com a colaboração dos Centros Meteorológicos Mundiais de Montreal e Washington, além do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo, responsáveis pelo fornecimento de dados utilizados nas previsões globais.

Segundo a OMM, essa estrutura permitirá maior precisão nas análises e maior rapidez na emissão de alertas para eventos extremos.

Programa completa 20 anos com expansão para a América do Sul

Criado em 2006, o Programa de Previsão de Tempo Severo (SWFP) teve início como um projeto-piloto no sudeste da África e, ao longo das últimas duas décadas, foi expandido para mais de 100 países.

O lançamento do primeiro subprograma voltado à América do Sul marca uma nova etapa da iniciativa, ampliando a cooperação regional diante do aumento da frequência e da intensidade dos eventos climáticos extremos.

Para a Organização Meteorológica Mundial, a integração entre ciência, tecnologia e coordenação internacional permitirá transformar previsões meteorológicas mais precisas em decisões preventivas e sistemas de alerta mais eficientes, contribuindo para reduzir riscos e fortalecer a resiliência das comunidades.


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