A queda das temperaturas, associada ao tempo seco e ao aumento da poluição do ar, favorece o agravamento de doenças respiratórias, entre elas a sinusite, inflamação dos seios da face que pode surgir como complicação de infecções virais, como gripes e resfriados. Especialistas alertam que a automedicação e o uso de tratamentos caseiros sem orientação médica podem agravar o quadro e aumentar o risco de complicações.
Segundo o otorrinolaringologista Eduardo Younes, da Hapvida, embora compartilhe sintomas com outras doenças respiratórias, a sinusite apresenta características próprias e exige diagnóstico clínico para definição do tratamento mais adequado.
O médico explica que gripes e resfriados são infecções virais que costumam provocar coriza, febre, dores no corpo e mal-estar, enquanto a rinite alérgica é desencadeada por agentes como poeira, fumaça, perfumes, produtos químicos e pelos de animais, causando espirros, coceira e secreção nasal transparente. Já a sinusite geralmente está associada a uma infecção bacteriana secundária, favorecida pela inflamação da mucosa nasal, que dificulta a drenagem dos seios da face.
Sintomas da sinusite exigem atenção e avaliação médica
Entre os principais sinais da doença estão dor ou sensação de pressão na face, especialmente na região entre os olhos, ao redor do nariz e na testa, além de secreção nasal espessa, geralmente amarelada ou esverdeada. O quadro também pode incluir congestão nasal, tosse — principalmente durante a noite — e febre.
Durante períodos de baixa umidade, a hidratação das vias aéreas é uma das principais medidas preventivas. Conforme explica Eduardo Younes, a aplicação de soro fisiológico nas narinas auxilia na manutenção da umidade da mucosa nasal e reduz o desconforto causado pelo ressecamento.
O especialista, entretanto, alerta que as lavagens nasais devem ser realizadas corretamente, sem pressão excessiva, para evitar complicações envolvendo a tuba auditiva, estrutura que conecta o nariz ao ouvido.
Automedicação e descongestionantes podem provocar complicações
Outro ponto destacado pelo especialista é o risco da automedicação. Segundo ele, o tratamento da sinusite depende da avaliação médica e pode incluir antibióticos, corticoides e outros medicamentos, conforme a origem e a gravidade da infecção.
De acordo com Eduardo Younes, o uso de medicamentos sem prescrição pode mascarar sintomas, retardar o diagnóstico correto e favorecer a evolução da doença.
O médico também chama atenção para o uso frequente de sprays nasais descongestionantes sem acompanhamento profissional. Embora proporcionem alívio imediato da obstrução nasal, esses medicamentos podem causar dependência e aumentar o risco de efeitos adversos, incluindo alterações no ritmo cardíaco quando utilizados por períodos prolongados.
Receitas caseiras podem dificultar o tratamento da sinusite
O especialista orienta que substâncias aplicadas no nariz sem orientação médica, incluindo receitas caseiras populares, podem comprometer o tratamento e dificultar o diagnóstico correto da doença.
A recomendação é procurar atendimento médico quando sintomas de gripe ou resfriado persistirem por vários dias ou apresentarem piora progressiva, especialmente diante de dor intensa na face, febre persistente, secreção nasal espessa ou tosse noturna provocada pelo acúmulo de secreção.
Segundo Eduardo Younes, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado são fundamentais para reduzir o risco de complicações, já que a infecção pode atingir estruturas próximas aos seios da face, como a região dos olhos e as membranas que revestem o cérebro.


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