Espetáculo “Jorge pra Sempre Verão” chega à CAIXA Cultural Salvador para celebrar a trajetória de Jorge Laffond além de Vera Verão

A CAIXA Cultural Salvador recebe, entre 25 de julho e 2 de agosto de 2026, o espetáculo “Jorge pra Sempre Verão”, montagem inspirada em episódios da vida do ator, humorista, dançarino e drag queen Jorge Laffond (1952–2003). Com direção de Rodrigo França e texto de Aline Mohamad, prima do artista, a peça propõe uma narrativa ficcional baseada em acontecimentos reais para apresentar aspectos da trajetória de Laffond além da personagem Vera Verão, que o projetou nacionalmente.

A montagem chega pela primeira vez a Salvador após temporadas em diferentes estados brasileiros e apresentação na CAIXA Cultural Recife. Segundo a produção, o espetáculo já foi assistido por mais de 20 mil pessoas em seis estados.

Os ingressos estão com vendas pela plataforma Sympla. A programação inclui sessões com interpretação em Libras aos sábados e um encontro entre elenco e público na sexta-feira (31/07/2026), ampliando o diálogo sobre os temas abordados pela obra.

Espetáculo aborda memória, identidade e representatividade

A peça é encenada por Alexandre Mitre, Aline Mohamad e Aretha Sadick e propõe uma abordagem que vai além do formato biográfico tradicional. A dramaturgia utiliza experiências relacionadas à trajetória de Jorge Laffond para discutir racismo, homofobia, pertencimento, memória e diversidade.

A narrativa evidencia episódios de preconceito e violência simbólica enfrentados pelo artista ao longo da carreira, ao mesmo tempo em que destaca sua contribuição para a televisão, o teatro e a cultura brasileira.

De acordo com a produção, o espetáculo procura apresentar Jorge Laffond em diferentes dimensões de sua vida e carreira, valorizando sua atuação artística e sua relevância na ampliação da representatividade de pessoas negras e LGBTQIAPN+ nos meios de comunicação.

Texto nasceu de carta escrita por Aline Mohamad

O texto foi desenvolvido por Aline Mohamad, prima de Jorge Laffond, em parceria com Diego do Subúrbio. A dramaturgia teve origem em uma carta escrita por Aline após a morte do artista, inicialmente como um exercício pessoal de elaboração do luto.

Posteriormente, o material foi transformado em sua primeira obra teatral, incorporando elementos ficcionais inspirados em acontecimentos reais da trajetória de Laffond.

Segundo os autores, a proposta da montagem é contribuir para reflexões sobre preconceitos, relações sociais e formas de exclusão ainda presentes na sociedade brasileira, tendo a trajetória do artista como ponto de partida.

Jorge Laffond marcou a televisão brasileira com Vera Verão

Jorge Luiz de Souza Lima, conhecido artisticamente como Jorge Laffond, nasceu em 29 de março de 1952, no bairro de Laranjeiras, no Rio de Janeiro, e foi criado na Penha. Formou-se em teatro pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Uni-Rio) e estudou balé clássico e dança afro.

Seu nome artístico surgiu durante o período universitário, inspirado na atriz e modelo Monique Lafond. Em 1992, alcançou projeção nacional ao interpretar Vera Verão no programa humorístico “A Praça é Nossa”, personagem que se tornou um dos principais símbolos de sua carreira.

Além da atuação no humor, Jorge Laffond é reconhecido por sua contribuição para a representatividade de artistas negros e LGBTQIAPN+, em um período marcado por forte discriminação e baixa presença desses grupos na televisão brasileira.

Espetáculo propõe diálogo entre arte e reflexão social

Segundo o diretor Rodrigo França e a autora Aline Mohamad, “Jorge pra Sempre Verão” busca estimular reflexões sobre preconceito, diversidade, afeto, liberdade e memória coletiva, utilizando o teatro como espaço de debate e preservação da história cultural brasileira.

A temporada em Salvador amplia o acesso do público baiano à montagem, que combina elementos biográficos, ficção e reflexão social para revisitar a trajetória de um dos artistas mais conhecidos da televisão brasileira.

Com sessões acessíveis e atividades de mediação cultural, a produção pretende promover o diálogo entre artistas e espectadores sobre temas relacionados aos direitos humanos, à representatividade e à preservação da memória artística.


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