O espetáculo infantil “Da Janela” será apresentado em Salvador entre sexta-feira e domingo (17 a 19/07/2026), no Teatro Sesc Casa do Comércio. Concebida pelo diretor teatral Marco dos Anjos, a montagem aborda a amizade entre três crianças e incorpora recursos de acessibilidade como elementos da própria narrativa, tornando a experiência acessível para pessoas com e sem deficiência.
Com classificação livre e 50 minutos de duração, o espetáculo acompanha a história de Malu, Nina e Cadu, três crianças que se conhecem pelas janelas de suas casas e desenvolvem uma amizade baseada na convivência, na comunicação e no respeito às diferenças.
As apresentações ocorrerão na sexta-feira (17/07/2026), às 15h, no sábado (18/07/2026), às 16h, e no domingo (19/07/2026), às 11h. Os ingressos estão disponíveis por meio da plataforma Sympla.
Acessibilidade integra a narrativa do espetáculo
Diferentemente de montagens que utilizam recursos assistivos apenas como complemento, “Da Janela” incorpora a Língua Brasileira de Sinais (Libras), a narração das cenas e outros recursos de acessibilidade como parte da dramaturgia.
A proposta foi desenvolvida a partir de uma pesquisa voltada à integração entre teatro, inclusão e acessibilidade, permitindo que os diferentes modos de comunicação façam parte da própria construção da história.
Segundo a produção, todas as cenas foram concebidas para serem plenamente acessíveis, sem a necessidade de recursos externos separados da encenação.
Personagens utilizam diferentes formas de comunicação
Na trama, Malu, interpretada por Luize Mendes Dias, observa a vizinhança com um binóculo e descreve os acontecimentos da cena, recurso que auxilia espectadores com deficiência visual.
A personagem Nina, interpretada pela atriz surda Mariana Siciliano, apresenta novas formas de comunicação ao personagem Cadu, vivido por Alain Catein, demonstrando que a interação entre as pessoas pode ocorrer para além da linguagem oral.
Já Thamires Ferreira, atriz e intérprete de Libras, interpreta a síndica da vizinhança e participa da narrativa utilizando a Língua Brasileira de Sinais como elemento integrado à cena. Durante a apresentação, o público também é convidado a aprender sinais em Libras e participar de momentos de interação.
Projeto foi desenvolvido com consultoria em inclusão
A criação do espetáculo contou com a participação de consultores especializados em acessibilidade e inclusão, além da colaboração de pessoas com deficiência durante o processo de desenvolvimento.
O diretor Marco dos Anjos explica que a proposta surgiu da intenção de incorporar os recursos de acessibilidade desde os primeiros ensaios, tornando-os parte da linguagem teatral.
“Eu quis experimentar os recursos de acessibilidade desde o primeiro ensaio. O desafio era estar organicamente na dramaturgia. Ser acessível sem recursos extras e de forma divertida”, afirma o diretor.
O processo contou com consultoria de Vanessa Bruna, da Incluir pela Arte, e de Christofer Allex, consultor de Libras, que acompanharam os ensaios e contribuíram para a construção da dramaturgia.
Espetáculo amplia circulação nacional
Desde sua estreia, em julho de 2024, no Rio de Janeiro, “Da Janela” já alcançou mais de 14 mil espectadores e realizou apresentações em 35 cidades brasileiras.
Em 2025, a montagem percorreu diversas capitais com patrocínio da BB Seguros e integrou a programação do Palco Giratório, do Sesc Nacional, realizando apresentações em 29 cidades.
Em 2026, a circulação nacional prossegue com apresentações em Curitiba, Florianópolis, Salvador, Belém e São Luís, ampliando o acesso ao teatro infantil acessível em diferentes regiões do país.
Espetáculo oferece recursos adicionais de inclusão
Além da integração da Libras e da narração à dramaturgia, a produção disponibiliza fones abafadores para pessoas com sensibilidade auditiva, monitores especializados, além de estrutura acessível para pessoas com mobilidade reduzida e usuários de cadeira de rodas.
Segundo a organização, o objetivo é ampliar o acesso à cultura e proporcionar uma experiência compartilhada entre diferentes públicos, valorizando a convivência e a diversidade nas artes cênicas.


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