AfroBusiness Comunicação encerra primeira edição em Salvador com debates sobre inovação, mídia negra, inteligência artificial e sustentabilidade econômica

O AfroBusiness Comunicação encerrou sua primeira edição em Salvador após três dias de atividades voltadas ao fortalecimento da comunicação negra, da economia criativa e dos modelos de negócios relacionados à produção de conteúdo e informação. Realizado entre os dias 16 e 18 de junho de 2026, na Biblioteca Central do Estado da Bahia, o encontro reuniu profissionais da comunicação, estudantes, pesquisadores, gestores públicos, empreendedores e representantes de veículos independentes de diferentes regiões do país.

Ao longo da programação, os participantes acompanharam painéis, workshops, estudos de caso, rodas de diálogo e atividades de networking. As discussões abordaram temas ligados à comunicação antirracista, inovação, empreendedorismo, sustentabilidade financeira da mídia negra e novas tecnologias aplicadas ao setor.

A iniciativa foi idealizada pela Associação Folia Africana, Zumbi Comunicação e Umbu Comunicação & Cultura, com apoio do Governo do Estado da Bahia, por meio da Fundação Pedro Calmon, além de instituições parceiras da área de comunicação e cultura.

Comunicação negra e sustentabilidade financeira estiveram entre os principais temas

A programação teve início com o painel “Quem Contrata a Comunicação Negra?”, que reuniu representantes do mercado privado, do terceiro setor e da gestão pública para debater oportunidades de contratação, investimento e fortalecimento de negócios liderados por profissionais negros.

Participaram do debate nomes como Juliana Jozzolino, Preto Zezé, Miguel Silveira e representantes de organizações ligadas à diversidade e inclusão. O encontro discutiu mecanismos para ampliar a presença de profissionais negros em campanhas, projetos institucionais e estratégias de comunicação.

Durante o segundo dia, o foco esteve voltado para o jornalismo negro e a sustentabilidade econômica dos veículos independentes. Os jornalistas André Santana, fundador do Instituto Mídia Étnica, e Genilson Coutinho, fundador do Portal Dois Terços, compartilharam experiências relacionadas aos desafios de financiamento e manutenção de iniciativas voltadas à produção de conteúdo com perspectiva racial.

Debates abordaram políticas públicas e comunicação antirracista

A jornalista, escritora e ativista Midiã Noelle participou da programação apresentando reflexões sobre políticas públicas voltadas à comunicação e sobre os desafios da construção do Plano Nacional de Comunicação Antirracista.

Durante sua participação, a palestrante destacou a relação entre comunicação, cidadania e democracia, defendendo a ampliação de políticas voltadas ao fortalecimento da produção de conteúdo realizada por profissionais e organizações negras.

Os debates também abordaram o papel das redes de comunicação na promoção da igualdade racial e na ampliação da representatividade em espaços de produção de informação e tomada de decisão.

Inteligência artificial e influência digital ganharam espaço na programação

O terceiro e último dia do evento concentrou debates sobre tecnologia, inovação e transformação digital. A programação foi aberta pelo workshop “O Futuro do Design com Inteligência Artificial: Racismo Algorítmico e Comunicação Popular”, conduzido pelo designer e pesquisador André Luzolo.

A atividade discutiu os impactos da inteligência artificial na comunicação contemporânea, com foco nos desafios relacionados ao racismo algorítmico, à inclusão digital e à necessidade de desenvolvimento de tecnologias mais representativas.

Na sequência, o painel “Influência Negra e Economia da Atenção e da Criatividade” reuniu a publicitária Letícia Sotero e o diretor audiovisual Bruno Zambelli, com mediação da jornalista e empresária Silvana Oliveira. O debate destacou estratégias para ampliar a monetização de conteúdos produzidos por profissionais negros e fortalecer modelos de negócios sustentáveis no ambiente digital.

Encerramento destacou o futuro da comunicação antirracista

A mesa de encerramento, intitulada “O Futuro da Comunicação Antirracista no Brasil”, contou com a participação da presidente da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), Suely Temporal, da jornalista e apresentadora Naiara Oliveira e do pesquisador Yuri Silva.

Os participantes discutiram o papel da comunicação na promoção da igualdade racial, os desafios para ampliar a presença de profissionais negros em cargos estratégicos e a importância das políticas públicas voltadas ao setor.

Para os organizadores e participantes, um dos principais resultados do encontro foi a criação de um ambiente voltado à troca de experiências, à formação profissional e ao fortalecimento de redes capazes de impulsionar novos projetos, oportunidades e parcerias em todo o país.

Evento projeta continuidade e fortalecimento de rede nacional

O AfroBusiness Comunicação também contou com apoio de mídia do Portal Soteropreta, Rádio Nova Brasil Salvador, Imagem Digital Out of Home, Rádio Salvador FM e Portal Umbu. O projeto recebeu patrocínio da Caixa e do Governo Federal.

Segundo os organizadores, a expectativa é ampliar a iniciativa nas próximas edições e fortalecer uma rede nacional de profissionais, empreendedores, pesquisadores e organizações ligadas à comunicação negra.

A proposta é consolidar espaços de formação, articulação e desenvolvimento econômico voltados ao setor, ampliando o debate sobre diversidade, inovação, tecnologia e sustentabilidade na comunicação brasileira.


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