A CAIXA Cultural Salvador recebe, entre os dias 27 de junho e 4 de julho de 2026, o espetáculo “Fim de Partida”, clássico do dramaturgo irlandês Samuel Beckett, com protagonismo de Marco Nanini. A montagem reúne ainda os atores Guilherme Weber, Helena Ignez e Ary França, sob direção de Rodrigo Portella, em uma encenação que aborda relações de dependência, estruturas de poder e a condição humana.
Escrita na década de 1950, em um contexto marcado pelos impactos da Segunda Guerra Mundial, a peça integra o chamado Teatro do Absurdo e apresenta personagens confinados em um ambiente de isolamento, onde enfrentam situações marcadas pela repetição, pelo desgaste das relações e pela ausência de perspectivas concretas para o futuro.
A temporada em Salvador integra a circulação nacional da montagem, que estreou em São Paulo em abril deste ano e reúne profissionais que mantêm uma longa trajetória de colaboração com Marco Nanini em diferentes produções teatrais.
Clássico de Samuel Beckett retrata confinamento e dependência humana
No centro da narrativa estão Hamm, interpretado por Marco Nanini, e Clov, vivido por Guilherme Weber. Os personagens habitam um espaço fechado e desenvolvem uma convivência marcada por conflitos permanentes, dependência mútua e relações de poder.
Ao longo da peça, a dupla conduz o público por uma realidade caracterizada pela espera constante e pela ausência de respostas definitivas. A dinâmica entre os personagens evidencia tensões relacionadas à autoridade, à submissão e à dificuldade de rompimento de estruturas estabelecidas.
Completando o elenco, Helena Ignez e Ary França interpretam personagens que ampliam a dimensão dramática da obra e contribuem para a construção do universo concebido por Beckett.
Montagem dialoga com temas contemporâneos
Embora tenha sido escrita há quase sete décadas, a obra continua sendo associada a discussões presentes na sociedade contemporânea. Entre os temas abordados estão o esgotamento das relações sociais, o autoritarismo e a repetição de mecanismos de controle e poder.
Segundo Marco Nanini, o interesse pelo universo dramatúrgico de Beckett acompanha diferentes gerações de intérpretes devido à complexidade de suas obras e às múltiplas possibilidades de leitura oferecidas pelos textos.
“Costumo dizer que Beckett fica orbitando a cabeça dos atores contemporâneos, pois oferece um imenso desafio com os múltiplos caminhos que a sua obra permite”, afirmou o ator.
Nanini e Guilherme Weber já dividiram o palco anteriormente em produções como Os Solitários e A Morte do Caixeiro Viajante, experiência que contribuiu para a construção da atual parceria artística.
Direção explora dimensões políticas e metateatrais da obra
A encenação assinada por Rodrigo Portella propõe diferentes interpretações para o texto de Beckett. Entre elas está a leitura política da relação entre Hamm e Clov, apresentada como uma estrutura marcada pela dependência e pelo exercício contínuo do poder.
Outra camada explorada pela montagem está relacionada ao metateatro. A cenografia desenvolvida por Daniela Thomas cria um palco dentro do próprio palco, evidenciando a natureza autorreferente da peça e ampliando as reflexões sobre o fazer teatral.
Essa abordagem permite que o espetáculo estabeleça conexões entre a narrativa ficcional e as estruturas de representação presentes no teatro contemporâneo.
Equipe criativa reúne colaboradores históricos de Marco Nanini
A montagem conta com uma equipe formada por profissionais que acompanham a trajetória artística de Marco Nanini ao longo de décadas.
Além da direção de arte e cenografia de Daniela Thomas, participam da produção o iluminador Beto Bruel, o figurinista Antonio Guedes, o produtor Fernando Libonati e o músico Federico Puppi, responsável pela trilha sonora original e direção musical.
A reunião desses profissionais contribui para a construção estética da obra, articulando elementos visuais, sonoros e cênicos que dialogam com a proposta dramatúrgica de Beckett.
CAIXA Cultural amplia programação teatral em Salvador
A apresentação de “Fim de Partida” integra a programação da CAIXA Cultural Salvador, espaço que mantém uma agenda voltada para diferentes linguagens artísticas, incluindo teatro, música, artes visuais e atividades formativas.
A presença de nomes como Marco Nanini, Guilherme Weber, Helena Ignez e Ary França reforça a circulação de produções nacionais na capital baiana, ampliando o acesso do público a montagens de repertório reconhecidas no cenário teatral brasileiro.
Com temporada limitada entre junho e julho, o espetáculo oferece ao público a oportunidade de acompanhar uma das obras mais representativas do Teatro do Absurdo em uma nova leitura cênica.


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