O filme baiano “O Espaço é o Lugar” estreia na sexta-feira (29/05/2026), às 14h, na Sala de Cinema Walter da Silveira, em Salvador. A sessão terá entrada gratuita e classificação livre. Dirigida por Roberto Saturnino, a produção acompanha a trajetória de um garoto negro de 10 anos que passa a refletir sobre identidade e ancestralidade após assistir ao filme Pantera Negra.
A narrativa apresenta um universo inspirado no afrofuturismo, no qual o protagonista é transportado para uma dimensão onírica e passa a se reconhecer como rei. O longa utiliza elementos simbólicos para discutir pertencimento, imaginário e representatividade negra no audiovisual brasileiro.
A obra integra um conjunto de produções contemporâneas que têm ampliado a presença da infância negra como eixo central das narrativas cinematográficas nacionais. A proposta do filme é abordar questões ligadas à construção da identidade a partir da perspectiva infantil.
Diretor destaca relação entre infância e formação da identidade
Segundo o diretor Roberto Saturnino, a escolha por contar a história sob o olhar de uma criança está relacionada ao processo de formação pessoal e reconhecimento identitário.
“Eu quis contar essa história a partir de uma criança porque é ali que tudo começa. A infância é o lugar onde a gente forma nossos sonhos, nossos medos e também nossa identidade”, afirmou.
O cineasta também ressaltou a relação entre o personagem e experiências pessoais vividas durante a infância. De acordo com ele, a construção da narrativa dialoga com memórias ligadas à imaginação, à criação de mundos simbólicos e à busca por reconhecimento.
Roberto Saturnino destacou ainda o significado de realizar a estreia do primeiro filme em Salvador com acesso gratuito ao público. Segundo o diretor, a proposta busca ampliar o acesso ao cinema e fortalecer a identificação do público com a narrativa apresentada.
Produção aborda cinema independente e audiovisual baiano
A assistente de direção Ema Ribeiro afirmou que o projeto também evidencia os desafios e as condições de realização do cinema independente na Bahia. Segundo ela, o desenvolvimento do longa envolve fatores como políticas públicas de incentivo, construção coletiva das equipes e processos de produção audiovisual.
Ema Ribeiro também destacou a relevância da estreia para o audiovisual produzido no interior baiano. De acordo com a assistente de direção, a obra representa a trajetória de um diretor que utiliza referências do próprio território e experiências locais como base narrativa.
A produção foi contemplada nos editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura na Bahia, executados pelo Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado, com recursos do Governo Federal repassados pelo Ministério da Cultura.
Filme utiliza afrofuturismo para discutir ancestralidade
A sinopse de “O Espaço é o Lugar” apresenta a história de um menino negro que, após assistir a Pantera Negra, passa por uma experiência onírica em um universo afrofuturista. Nesse ambiente simbólico, o personagem entra em contato com elementos ligados à sua ancestralidade e identidade.
O afrofuturismo aparece como recurso narrativo para discutir pertencimento e representação da população negra no cinema. A utilização dessa linguagem também estabelece conexões entre memória, imaginação e perspectivas de futuro.
A estreia do longa reforça a presença de produções audiovisuais baianas em circuitos culturais da capital e amplia o debate sobre representatividade, identidade e acesso ao cinema independente no estado.


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