Salvador recebe, na sexta-feira (24/04/2026), a exibição do documentário “Riachão de Jacobina: Memórias, patrimônio e identidades de um lugar”, em sessão especial às 19h, no Museu de Arte Moderna da Bahia. O evento inclui roda de conversa com especialistas após a exibição, ampliando o debate sobre memória, identidade e transformações sociais.
Com duração de 29 minutos, o curta apresenta um recorte da vila de Itaitu, distrito do município de Jacobina, localizado no Piemonte da Chapada Diamantina. A narrativa é construída a partir de depoimentos de moradores de diferentes gerações, reunindo perspectivas sobre mudanças sociais e permanências culturais.
A sessão contará com participação da curadora Izabel Cruz, vinculada à Universidade do Estado da Bahia, e da escritora Luciana Brito, da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. O encontro propõe diálogo entre produção audiovisual e reflexão acadêmica.
Memória, identidade e transformações sociais
O documentário aborda temas relacionados ao cotidiano da comunidade retratada, incluindo processos de gentrificação e homogeneização cultural. Esses fenômenos são analisados a partir das experiências locais, conectando o território a debates contemporâneos.
Além disso, a obra explora aspectos ligados à religiosidade, às relações sociais e ao papel da mulher negra nas dinâmicas do turismo. O filme também destaca a relação entre identidade cultural e ambiente natural, evidenciando a influência das paisagens da região na construção simbólica da comunidade.
A proposta narrativa organiza relatos diversos em um mosaico que articula memória coletiva e experiências individuais. O resultado busca ampliar a compreensão sobre pertencimento e preservação cultural, especialmente em contextos de transformação social.
Produção coletiva e proposta educativa
O documentário tem argumento de Liani Sena e direção compartilhada entre Jorge Itaitu, Marcos Bokapiu, Andrea Duarte e Momó Abreu. A construção coletiva é um dos eixos centrais do projeto, que reúne diferentes perspectivas sobre o território.
Segundo Marcos Bokapiu, o processo de realização está ligado à vivência direta com a comunidade. O trabalho combina pesquisa histórica e experiência pessoal, contribuindo para a construção de uma narrativa conectada ao local retratado.
O projeto possui caráter educativo e foi desenvolvido para dialogar com estudantes e o público em geral. A iniciativa busca estimular reflexões sobre memória, identidade e preservação cultural, ampliando o alcance do conteúdo para além do circuito cinematográfico.
Trajetória dos realizadores e circulação do projeto
Marcos Bokapiu possui formação em História e trajetória ligada às artes, com passagens pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e pela Universidade Federal da Bahia. Sua atuação inclui experiências em moda, performance e audiovisual, com produção cultural desde a década de 1980.
Atualmente, o realizador coordena o projeto CINEMANDO, vinculado à UNEB. A iniciativa articula cinema e literatura por meio de mostras voltadas ao ambiente educacional, incluindo obras presentes em vestibulares e no Exame Nacional do Ensino Médio.
O documentário integra um movimento de produção cultural da Chapada Diamantina. Segundo os realizadores, a proposta é ampliar a visibilidade de narrativas do interior baiano, conectando essas histórias a públicos de diferentes regiões.
O projeto foi viabilizado por meio da Lei Paulo Gustavo, com financiamento do Governo do Estado da Bahia, via Secretaria de Cultura, e apoio do Ministério da Cultura. O modelo de financiamento público reforça políticas de incentivo à produção audiovisual regional.


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