Unesco alerta que 273 milhões de crianças estão fora da escola e aponta crise global de acesso à educação

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) informou que 273 milhões de crianças e jovens estão fora da escola em todo o mundo, segundo dados do Relatório de Monitoramento Global da Educação (GEM) 2026. O levantamento aponta que a exclusão escolar segue em crescimento e configura uma crise global que se estende pelo sétimo ano consecutivo.

O alerta foi divulgado na sede da organização, em Paris, indicando que fatores como crescimento populacional, redução de investimentos e crises humanitárias contribuem para o cenário atual.

De acordo com o relatório, uma em cada seis crianças em idade escolar está fora da escola, enquanto apenas dois em cada três estudantes concluem o ensino secundário.

Avanços e desafios na educação global

Apesar do cenário de exclusão, o documento aponta que houve expansão no acesso à educação desde o ano 2000, com aumento de aproximadamente 30% nas matrículas no ensino primário e secundário.

O número total de estudantes matriculados alcançou 1,4 bilhão em 2024, representando crescimento significativo ao longo das últimas décadas.

Também foram registrados avanços na educação pré-escolar e no ensino superior, com aumentos de 45% e 161%, respectivamente, indicando ampliação do acesso em diferentes níveis educacionais.

Desigualdades regionais e impacto de conflitos

O relatório destaca que o progresso na permanência escolar desacelerou desde 2015, com impacto mais acentuado na África Subsaariana, devido ao crescimento populacional e limitações estruturais.

Além disso, conflitos armados e crises humanitárias afetam diretamente o acesso à educação. Mais de uma em cada seis crianças vive em áreas de conflito, o que contribui para o aumento da exclusão escolar.

No Oriente Médio, o fechamento de escolas em função de tensões regionais tem deixado milhões de crianças fora das salas de aula, ampliando riscos de atraso educacional.

Redução da exclusão e políticas públicas

Apesar dos desafios, alguns países registraram reduções significativas nas taxas de exclusão escolar. Exemplos incluem Madagascar e Togo, entre crianças, além de Marrocos e Vietnã, entre adolescentes.

Outros países, como a Costa do Marfim, reduziram pela metade os índices de exclusão em diferentes faixas etárias desde 2000.

O relatório também aponta avanços na redução das desigualdades de gênero, com países como o Nepal registrando maior participação de meninas no sistema educacional.

Financiamento e inclusão educacional

A Unesco destaca a importância de políticas de financiamento voltadas a populações vulneráveis, com ampliação de mecanismos de apoio à educação básica.

A proporção de países com legislação sobre educação inclusiva aumentou de 1% para 24% desde 2000, enquanto políticas específicas para inclusão de crianças com deficiência também cresceram.

Além disso, cerca de 76% dos países adotam mecanismos de redistribuição de recursos para escolas em áreas desfavorecidas, buscando reduzir desigualdades no acesso ao ensino.

Perspectivas e metas globais

Apesar dos avanços, o relatório indica que, no ritmo atual, o mundo só deve alcançar 95% de conclusão do ensino médio até 2105, evidenciando desafios para o cumprimento de metas educacionais globais.

A Unesco reforça a necessidade de ampliação de investimentos, fortalecimento de políticas públicas e enfrentamento de crises estruturais para garantir o acesso universal à educação.

O documento aponta que a continuidade dos esforços será determinante para reduzir a exclusão escolar e ampliar a permanência dos estudantes nos sistemas de ensino.

*Com informações da ONU News.


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