Na terça-feira (31/03/2026), a Escola de Saúde Pública da Bahia (ESPBA) sediou o seminário “Todos por Todas: Fortalecendo a Rede de Atenção à Mulher no SUS Bahia”, que marcou o lançamento da campanha permanente “SUS POR ELAS: Saúde é viver sem medo”, iniciativa voltada ao enfrentamento da violência de gênero no estado.
O encontro reuniu gestores públicos, representantes das forças de segurança e lideranças de movimentos sociais, com o objetivo de estruturar ações integradas de combate ao feminicídio e fortalecer a rede de atendimento às mulheres no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).
A campanha, apresentada pela secretária executiva do Conselho Estadual de Saúde (CES-BA), Zirlene Matos, propõe consolidar o SUS como espaço de acolhimento, proteção e acesso à informação para mulheres em situação de violência.
Integração institucional e políticas públicas
Durante a abertura, representantes de diferentes áreas destacaram a necessidade de articulação entre saúde, segurança pública e sociedade civil para enfrentar a violência de gênero de forma estruturada.
A coordenadora executiva de Fortalecimento do SUS da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab), Roberta Sampaio, apontou que espaços de debate contribuem para a construção de políticas públicas e para o enfrentamento de ciclos históricos de violência.
A conselheira estadual Soraya Amorim ressaltou o papel do controle social na garantia da efetividade das políticas voltadas à saúde da mulher, enquanto representantes de movimentos sociais defenderam ações preventivas desde o ambiente escolar.
Debate sobre vulnerabilidades e legislação
O seminário foi dividido em grupos de discussão, abordando a transversalidade no combate ao feminicídio e o papel do SUS no acolhimento às vítimas.
Na primeira roda, participantes destacaram a necessidade de políticas públicas com abordagem interseccional, considerando diferentes contextos de vulnerabilidade. Também foi discutida a importância de mudanças culturais para complementar avanços legislativos no enfrentamento da violência.
Como medida prática, foi anunciada a criação de uma central online de medidas protetivas para o interior da Bahia, com suporte jurídico e acolhimento psicossocial, ampliando o acesso das vítimas à rede de proteção.
Rede de atendimento e papel do SUS
Na segunda etapa do evento, o foco foi o acolhimento de mulheres no Sistema Único de Saúde, com destaque para a necessidade de atendimento humanizado e sem revitimização.
Representantes da segurança pública enfatizaram que falhas no atendimento podem comprometer a eficácia da rede de proteção, reforçando a importância de integração entre os serviços.
Também foi ressaltado que 75% da força de trabalho do SUS é composta por mulheres, o que amplia a relevância de políticas voltadas à proteção dessas profissionais dentro do sistema.
Ao final, os participantes convergiram para a necessidade de superar fragmentações institucionais e consolidar uma rede integrada, com foco na proteção e no atendimento às mulheres em situação de violência.



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