Foi aberto na terça-feira (27/05/2025), no Hotel Wish Bahia, em Salvador, o seminário internacional “Governança e Redes Integradas de Atenção à Saúde em Países Federativos e Descentralizados”, reunindo representantes de 12 países. O evento acontece até a sexta-feira (30/05/2025), promovido pelo Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (ISC/UFBA), com apoio da Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab), da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), do Ministério da Saúde do Brasil e de entidades de controle social e gestão do SUS.
Objetivo e estrutura do evento
O encontro busca promover o intercâmbio de experiências sobre modelos de governança multinível e debater os desafios na organização dos sistemas de saúde, especialmente em países com estruturas federativas e descentralizadas. A proposta central é identificar facilitadores e obstáculos para a garantia do acesso universal à saúde.
Destaques da abertura
Durante a abertura, o diretor do ISC/UFBA, Luís Eugênio de Souza, destacou os avanços do SUS, especialmente após a municipalização, mas reconheceu desafios como a integração dos serviços especializados e a qualidade da cobertura. Segundo ele, as redes regionalizadas são essenciais para enfrentar essas limitações e ampliar o acesso à saúde.
O representante da OPAS no Brasil, Cristian Morales, destacou a relevância simbólica de Salvador como sede da primeira edição do seminário, ressaltando a trajetória histórica da Bahia na construção do SUS.
O subsecretário da Saúde da Bahia, Paulo Barbosa, citou os avanços na regionalização da saúde no estado, como a implantação de policlínicas regionais, a expansão de hospitais de referência e a cobertura total do SAMU. Segundo ele, a Bahia avança na consolidação de uma rede de atendimento regionalizada e integrada.
Participação nacional e internacional
A mesa de abertura contou ainda com representantes do Ministério da Saúde, do Conass, do Conselho Estadual de Saúde da Bahia (CES) e do Conselho Estadual dos Secretários Municipais de Saúde (Cosems/BA).
Após a abertura, o painel “Federalismo e Governança na América do Norte” reuniu especialistas dos Estados Unidos, Canadá e México.
-
Anahely Medrano Buenrostro, do México, destacou que, embora o país assegure na Constituição o acesso gratuito e universal à saúde, ainda enfrenta grandes desafios na implementação prática, especialmente na redução das desigualdades regionais.
-
Gregory Marchildon, do Canadá, apontou que as questões geográficas e a dispersão populacional representam desafios significativos, além dos altos custos para manter a cobertura universal.
-
Phillip Rocco, dos Estados Unidos, analisou como a fragmentação da autoridade entre estados impacta a efetividade do sistema, criando desigualdades no acesso, como exemplificado em surtos de sarampo nas décadas anteriores.
Debates sobre governança na Europa
O painel seguinte, sobre “Governança Nacional e Subnacional na Europa”, contou com a participação de especialistas da Alemanha, Itália e Espanha:
-
Kai Michelsen, da Alemanha, abordou os desafios da coordenação entre os níveis nacional e subnacional na gestão da saúde.
-
Walter Ricciardi, da Itália, discutiu o papel dos observatórios de saúde na formulação de políticas públicas e na avaliação de resultados.
-
Iñaki Gutierrez-Ibarluzea, da Espanha, apresentou o modelo de avaliação de qualidade dos serviços de saúde adotado na região da Catalunha, focando na integração das redes locais.


Deixe um comentário